24 de set de 2018

A Direita e o Centro já escolheram Bolsonaro

Sapo dos sociólogos vai dizer: se não tem tu, vai tu mesmo!


O Conversa Afiada publica sereno (sempre!) artigo de seu colUnista exclusivo, Joaquim Xavier:

São apenas duas semanas daqui até a eleição. Se houver. Mas, uma rápida olhada no noticiário e nos bastidores partidários exibe tendências com grandes possibilidades de se confirmar. Sobre o crescimento de Fernando Haddad, pouco a acrescentar.

O fato mais fresco é a adesão cada vez maior do direitão (apelidado de centrão) e da direita que se vende como civilizada à candidatura fascista de Jair Bolsonaro.

No interior de São Paulo, panfletos eleitorais de gente como Carlos Sampaio, cardeal do PSDB, estampa num pé de página propaganda favorável ao capitão verde oliva. Prefeitos e candidatos alinhados com o direitão fazem o mesmo movimento Brasil afora.

Tudo é muito esquisito no caso Bolsonaro. Claro que ninguém de bom senso, democrata sincero e adversários leais numa disputa política sem fraude pode deixar de condenar a facada e desejar outra coisa senão a recuperação imediata do militar. Todas as investigações mostram que o autor do ataque é um desequilibrado.

Mas o que seria um assunto encerrado, de repente é envolto em névoas pela mídia pró-golpe, judiciário de mentirinha e aparato pretoriano do Planalto/Jaburu. Desde o início, notas da polícia, boletins médicos e informes da família contradizem-se uns aos outros. Primeiro era um incidente sem gravidade, depois, tornou-se uma situação de vida ou morte; num dia o paciente está em franca recuperação, no outro voltou à UTI em estado crítico. Atualmente parece estar melhor – pelo menos até o próximo boletim.

Agora fala-se em estender o processo judicial. Aquela revista de nome cada vez menos lembrado, mas cujos dias estão contados conforme prova a falência da editora que a publica, tenta de todos os modos produzir mais uma de suas célebres “reportagens” calhordas. Fuça aqui, fuça ali, e daqui a pouco vão descobrir parentesco do esfaqueador com Osama Bin Laden.

Interessante, e revelador: toda esta mobilização frenética simplesmente inexistiu após o assassinato brutal da vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson no Rio de Janeiro. Já se passaram seis meses desde então...

Mas o que chama igual, ou até maior, atenção é o processo de "higienização" do economista Paulo Guedes, o chamado “Posto Ipiranga” econômico de Jair Bolsonaro. Sua biografia está à disposição do público. Para quem não o conhece, recomendo a reportagem de Malu Gaspar na revista piauí desta semana.

Guedes é um membro de raiz da elite que durante anos e anos manteve o Brasil no ranking do atraso. “É cheiroso”, como diria aquela colunista hoje no Estadão. Circula com desenvoltura no “gran monde”. Como banqueiro, porém, sua reputação não é das melhores mesmo entre sua própria turma da casa grande. “É um mitômano [mentiroso compulsivo]”, diz Pérsio Arida, banqueiro como ele e coordenador econômico da campanha do tucano sem asas Geraldo Alckmin.

Não esquecer que atualmente Guedes é acusado de operações ilícitas com fundos de investimento.

Na semana que passou, o banqueiro andou falando o que pensa. Resumindo: esvaziar o bolso dos pobres, colocar mais dinheiro na carteira dos ricos, criar impostos para os assalariados e privatizar o patrimônio nacional de forma selvagem. A melhor receita para ser recebido a ovadas em um palanque.

Para se ter ideia do tamanho da violência proposta por Guedes, até Bolsonaro, mesmo num hospital, achou o cardápio excessivo.

Eis que “colunistas” e a mídia de aluguel, fingindo susto, num primeiro momento, com a sinceridade de Guedes (como se não conhecessem suas ideias...), passaram a moderar suas críticas. “Foi mal compreendido”; “sua defesa das privatizações faz sentido”; “é preciso mexer nos impostos”; “o importante é a equipe que ele vai montar” e por aí afora.

A esse respeito, recomendo a entrevista de Luiz Fernando Figueiredo (Folha de São Paulo, 23/09), ex-diretor do Banco Central, arminista fraga de carteirinha e hoje banqueiro estufado de dinheiro.

Foi direto ao ponto: o PT seria um desastre muito maior que Bolsonaro. E derramou-se em elogios à equipe de Guedes (cujos nomes cuidadosamente não revelou), “gente preparada”.

Figueiredo não é qualquer um, anotem isso. Depoimentos como este, podem apostar, vão se esparramar doravante.

A direita, direitão (centrão) incluído, mostra que a opção desta gente está praticamente feita desde o primeiro turno, até por falta de tempo e material “humano”.

Ninguém se engane com a procura de “um novo centro” e outras bobagens do gênero, geralmente vindas da boca do sapo dos sociólogos. “Se não tem tu, vai tu mesmo”.

Esse é o lema desse pessoal nas próximas duas semanas com relação a Bolsonaro.

ATENÇÃO:

Está nas mãos do ministro Barroso o veredicto sobre o cancelamento de mais de 5 milhões de títulos eleitorais, já decidido pelo tribunal superior eleitoral. O Nordeste é um dos principais afetados. A grande mídia, por óbvio, esconde o assunto. Mas que tem gato nessa tuba, ah, isto tem. Quem sabe angorá.

Joaquim Xavier

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