14 de ago de 2018

Um velho ator retorna à cena

Por enquanto, a mídia tradicional mira em Bolsonaro na tentativa de favorecer o tucano Geraldo Alckmin

A mídia tradicional ataca o 'demônio' e protege o 'santo'
Quatro anos depois do período eleitoral que resultou nas eleições mais disputadas desde a redemocratização, um velho ator ressurge com força na arena política, apesar de estar sempre presente: a mídia.

Composta de jornais, revistas, canais de tevê e rádio de propriedades de famílias conservadoras, quando não decrépitas e reacionárias, a mídia começa a fazer as mesmas jogadas de 2014, com o intuito de alterar o resultado das eleições.

Para isso, usa de táticas conhecidas, como a desconstrução de personagens, notícias enviesadas, quando não falsas, e uso de abordagens diferentes para o mesmo problema.

Três revistas trataram recentemente em suas matérias de capas dos candidatos Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin. Uma das publicações fala do temor do ex-capitão do Exército ser eleito presidente.

Estranhamente, é a mesma revista que por anos cultivou em suas reportagens e colunas de opinião o ódio à esquerda e que hoje se vê diante da possibilidade de chegar ao Palácio do Planalto um simpatizante da ditadura.

Essa mesma revista também pregava, nos anos de impeachment de Dilma, que as instituições funcionavam normalmente e que não havia nada a temer. Estranhamente, a revista vê em Bolsonaro uma ameaça ao País. Se as instituições funcionam normalmente, como sempre a revista pregou em suas páginas, por que temer Bolsonaro?

A verdade é que a mídia sabe que as ditas instituições nunca funcionaram e que seus interesses e de seus patrões, a elite financeira, podem estar ameaçados por um candidato que tem total desprezo pelas liberdades.

A outra publicação que tem um candidato na capa usa da velha desconstrução do personagem para influenciar os eleitores. Na capa, a história de um passado que Bolsonaro esconde e por isso não deve ser confiável. Tudo para incapacitar o candidato que lidera as intenções de voto quando não há a presença de Lula no pleito.

A terceira publicação complementa a estratégia das outras duas, mas segue num caminho contrário. Nela, em vez de desconstruir um dos candidatos, apresenta a solução para o País: Geraldo Alckmin.

Na capa, a publicação apresenta um candidato que tem uma “colossal coligação partidária”, sem relembrar os eleitores que esse bloco é o chamado Centrão, grupo de políticos fisiológicos que tem em mente apenas cargos e posições do governo, protagonistas de inúmeros escândalos de corrupção em todos os governos desde a redemocratização.

Tudo se relaciona pois o principal rival de Alckmin neste primeiro turno é Bolsonaro. Ambos disputam o mesmo filão conservador do eleitorado brasileiro.

Apoiado pela elite financeira, Alckmin pode ficar fora do primeiro turno devido à insatisfação de seus eleitores com a postura do partido, tão corrupto quanto os demais.

Por isso, a mídia, sempre subalterna à elite financeira, entra na arena política como ator ativo em prol de Alckmin, ora enaltecendo suas “virtudes”, ora desconstruindo Bolsonaro.

Isso vai se repetir pelos próximos dois meses até a decisão do início de outubro. Conforme o resultado do primeiro turno, a tática pode ficar igual, caso os dois candidatos conservadores passem para o segundo turno, ou pode mudar, caso um deles fique pelo caminho.

Nesse caso, os meios de comunicação voltam a sua zona de conforto, apontando as armas contra o candidato que coloquem em risco os interesses de seus patrões.

Diego José da Rosa

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