8 de ago de 2018

Um é tucano e o outro é um corredor bolsominion

Tinha que ser dinheiro vivo!



Delação atinge Richa e coordenador da campanha de Bolsonaro no PR

Na campanha à reeleição de 2014, o então governador do Paraná, Beto Richa, PSDB, tinha o apoio de uma coligação composta por dezessete partidos. Agora, candidato ao senado, viu encolher o leque para apenas três siglas. A desidratação política de Richa tem razão de ser. Envolvido até a medula em denúncias de corrupção, o tucano vive um período de intensa turbulência.

Citado em duas delações premiadas na Operação Quadro Negro como beneficiário de cerca de 20 milhões de reais desviados da secretaria de Educação do Paraná para sua campanha, viu seu nome voltar às manchetes no último dia 26, com a divulgação de outro depoimento à Justiça feito pelo ex-amigo de viagens internacionais, Mauricio Fanini, nomeado diretor da pasta em seu governo.

Segundo Fanini, Richa teria autorizado a “arrecadar” mais dinheiro para a campanha, via caixa dois. Ainda de acordo com o delator, o tucano justificou o pedido pela necessidade de mais recursos para comprar o apoio de três deputados federais: Ricardo Barros, PP, marido da governadora Cida Borghetti; Alex Canziani, PTB e Fernando Francischini, PSL.

O delator afirmou que, a partir de então, a secretaria de Educação passou a liberar o pagamento fraudulento para as empresas que financiavam a campanha de Richa, mediante a adulteração nos projetos de reformas de escolas públicas.

Fanini relatou o diálogo em detalhes. Disse que, em 2014, numa tarde chuvosa de domingo, recebeu o convite de Richa para jogar tênis no Graciosa Country Club, em Curitiba. Escolheram a “última quadra, onde não havia ninguém”.

Richa teria dispensado os seguranças e motorista para que ficassem aguardando no carro. “No intervalo entre um set e outro, fomos tomar água e ele falou: ‘Olhe, precisamos arrecadar, você precisa arrecadar. Este ano a coisa é bastante brava’. Daí eu falei: ‘Mas eu posso propor alguma coisa diferente para as empresas, posso combinar alguma coisa com eles que possa ser acertado depois, algo nesse sentido, Beto?’”, perguntou Fanini. “Pode, porque eu tenho grandes chances de ser eleito, devo ser reeleito. E aí a gente tem quatro anos depois pra ajeitar a situação dessas empresas parceiras. Pode fazer a parceria que você tiver que fazer”, teria dito o tucano.

Tempos depois, em uma “reunião de trabalho” na casa de Richa, o então governador reiterou a carta branca. “Pode fazer o que tiver que fazer. Faça para arrecadar”. O tucano justificou a necessidade do dinheiro por ter assumido “compromissos enormes” e mostrou uma lista de pagamentos a serem feitos. Em detalhes, deu uma aula de como faz política.

“Ele me mostra assim, indignado: ‘Veja aqui o papel, ó. 800 mil tive que arrumar aqui pro Francischini, pro Solidariedade. 2 milhões aqui pro Ricardo Barros’. Ele me mostra assim... os nomes que eu lembro na época. Era 1,5 milhão pro Canziani, pra ter o PTB. E ele falou assim: ‘Então, veja como é isso aqui, entenda como que é a política. Política a gente faz assim ó. Tem que arrumar dinheiro e tudo dinheiro vivo’” contou o delator. Questionado pelo Procurador, Fanini foi enfático ao afirmar que o dinheiro era para “a compra de apoio político”. E reiterou: “tinha que ser dinheiro vivo. Não era nada dinheiro de caixa 1”. (...)

Em tempo: o nobre deputado Francischini é aquele que bateu o record mundial de 100m rasos, ao fugir dos professores quando era Secretário de Segurança, numa greve em que o governador Richa fez jorrar sangue.

Em tempo2: o nobre deputado-corredor faz parte da seleta turma de delegados da Polícia Federal que submete o ansioso blogueiro a uma condução coercitiva. O ansioso blogueiro segue o aforismo "diz-me quem te processa e dir-te-ei quem és". - PHA

No CAf

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