16 de ago de 2018

Temer admite: Alckmin é o candidato do governo!

O centrão/direitão está com o Santo...


Folha: A maioria das siglas de sua base apoia Alckmin e não Meirelles, do seu partido. Por quê?

Temer: Evidentemente eu não iria obrigá-los a apoiar o candidato do governo — do MDB. Aliás, o Alckmin recebeu críticas porque tem o apoio de todos. Se você dissesse: “quem o governo apoia?”. Parece que é o Geraldo Alckmin, né? Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele. Vou ter cautela para não fazer campanha para um ou outro. Até porque falam muito da impopularidade. Não quero nem incomodar, digamos.

Diante dessa impopularidade, Meirelles deveria se posicionar de modo diferente?

As pessoas precisam ser verdadeiras. Meu trabalho foi [...] mostrar ao MDB que deveria ter um candidato. Agora, o Meirelles tem que fazer uma campanha para... Não pode desligar-se do governo. Dizer “eu não participei deste governo” é impossível. (...)

O sr. disse que Alckmin parece ser candidato do governo. É um fato?

Pode vir a ser fato. Primeiro pelo que ouço ele declarar. Segundo porque esses que ajudaram a fazer as reformas vão estar no governo se ele ganhar. Quem for eleito não vai conseguir se afastar do que começamos.

Mas Alckmin se descola do seu governo. Diz que quem o escolheu como vice foi o PT. 

Faz parte do jogo eleitoral. Não tenho crítica ao que ele diz. (...)

Recentemente, perguntado se temia ser preso, o sr. disse que achava uma indignidade falar do assunto.

Se me permite, registre que a pergunta é ofensiva. Uma inadequação absoluta. As instituições perderam significado e as pessoas perderam respeito. Por isso você faz essa pergunta. Não é culpa sua, é culpa de quem investiga e faz perguntas inadequadas, passa informações. O interesse é alimentar a imprensa, não concluir o inquérito. É deixar no ar. (...)
Viu a entrevista de Michel Temer à Folha, onde ele pergunta “quem o governo apoia?” e dá a resposta demolidora?

– Parece que é o Geraldo Alckmin, né?

Não viu? Não se preocupe, você vai vê-la – e é possível que em versão piorada – durante a campanha eleitoral.

Porque os adversários do tucano encarregar-se-ão, como escrever-se-ia em “temerês”, de lambuzar-lhe a imagem com a pecha infame de “candidato do Temer”.

No seu imerecido exílio de luxo no Planalto, Michel Temer destila, filtra e apura a sua peçonha.

É óbvio que sabe que a maior vingança que tem para desfechar sobre o PSDB é a do famoso Paulo Preto, o diretor dos desvios do Rodoanel que José Serra disse nem conhecer:

– Não se abandona um líder assim, à beira da estrada…

“Os partidos que deram sustentação ao governo, inclusive o PSDB, estão com ele [Alckmin]”, diz o já ex-presidente na prática, reduzido a um minúsculo animal político que tem no ferrão venenoso a única forma de interferir no quadro sucessório.

Vai usá-lo, como o escorpião usou-o ao sapo, não apenas porque é de sua natureza vaidosa e mesquinha, mas porque é apenas o que tem para continuar existindo politicamente, agora que está numa rua fria onde ninguém lhe abre a porta.

O amante seco e murcho, a quem achavam “até bonito”, que tudo entendia de romances, que ia unir o país, que nos tiraria do caos e abriria as portas do paraíso, só tem agora a vingança da música de Noel Rosa: vai dizer em praça publica que abrigou o PSDB, que o recebeu em suas intimidade e que até pagou-lhe a comida com cargos e posições.

É o último desejo de Temer, e que Geraldo Alckmin não pode negar, porque não pode repelir o óbvio e renegar o amor que os uniu no golpe.

Sabe que tem um só poder, o do abraço do afogado e não hesitará em usá-lo.

Fernando Brito
No Tijolaço

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