23 de ago de 2018

“Salvem Sacco e Vanzetti. A justiça desapareceu?”

Vanzetti e Sacco
Passavam-se 0,11 minutos da madrugada do dia 23 de agosto de 1927, quando dois trabalhadores, um sapateiro e um peixeiro, foram levados à cadeira elétrica no estado de Massachusetts – EUA.

Primeiro Nicola Sacco, de origem camponesa, tornando-se sapateiro; depois Bartolomeo Vanzetti, peixeiro; foram eletrocutados por um crime que não cometeram. O caso tornou-se de repercussão mundial. Dois inocentes que foram assassinados por uma plutocracia.

Condenados por um júri montado com a finalidade de condenar os dois trabalhadores, sob a instrução de um juiz tendencioso (Thayer), preconceituoso, reacionário; uma promotoria (Katzmann), parcial, estabelecendo atos de natureza condenável, deixando a razão (base da justiça) escamoteada, sendo substituída por preconceitos, mentiras, leviandades, fraudes; e um governador (Fuller) a serviço dos interesses escusos e da classe exploradora e privilegiada.

[N.E. - Não foram absolvidos nem mesmo depois que um outro homem admitiu em 1925 a autoria dos crimes. O governador de Massachusetts Michael Dukakis, em 23 de Agosto de 1977, promulgou um documento que os absolvia, exatamente 50 anos depois.]

Os trabalhadores, na época, trabalhavam, segundo as palavras do próprio Vanzetti: “doze horas em um dia e catorze no outro, com cinco horas de folga um domingo sim, outro não. Nosso pagamento consistia numa comida úmida, que quase não prestava para os cachorros, e em cinco dólares ou seis por semana”

Lutavam pela liberdade, contra a exploração do homem pelo homem, pelo fim da opressão, pela paz, pela justiça social, por uma distribuição de renda justa: eram anarquista. Posicionavam-se junto aos comunistas, socialistas e sindicalistas.

Não adiantou as manifestações contra a execução propagadas no mundo inteiro, por cientistas como Albert Einstein, intelectuais, artistas e milhares de personalidades e gente simples do povo ao redor do mundo. Nem mesmo a greve de fome sustentada pelo operário Sacco durante trinta dias.

Prevaleceu a justiça do poder (burguês), preterindo a justiça do direito, da razão e da compreensão humana. A justiça não transcende aos interesses de classes.

Restam-nos a luta, pois a formação econômica transitória de exploração e opressão persiste, a coragem, a perseverança, a clareza de trazer em nossas consciências as injustiças cometidas contra inocentes como, Dreyfus, Lula e tantos outros e as palavras do trabalhador Vanzetti:

“É cruel ser insultado, humilhado, injustiçado, perdido, sob acusações infamantes, por causas de crimes dos quais estou totalmente inocente no sentido mais completo da palavra.

Nada existe, nem na terra e nem no céu, nada que transforme a verdade em mentira ou a mentira em verdade... Desejo declarar que sou inocente. Jamais cometi crime algum; talvez tenha alguns pecados, mas não tenho crimes...”

João Martins

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