8 de ago de 2018

Puros e mortos


O Estadão dedica a sua manchete, hoje, a algo que os “vigilantes ideológicos” gostam de fazer sempre.


“O PT se aliou em 15 Estados a partidos que apoiaram o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff e integraram o governo Michel Temer. O PT será cabeça de chapa ao governo de seis Estados em coligações com siglas classificadas por militantes e dirigentes petistas de “golpistas”. Na mão inversa, outros nove candidatos a governador de partidos que votaram pelo afastamento de Dilma vão ter o apoio do PT. Desses nove, há filiados ao MDB, PSD, PTB, PR e Rede.”

Louvável a pureza ideológica do jornal dos Mesquita, no diapasão que seguem outros jornais que, claro, também apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff.

Quem sabe publicariam nas suas capas: “Este jornal apoiou a entrega do governo a Michel Temer”?

Sabe-se desde antes de minha bisavó que, quando faltam virtudes a algum cidadão, sua primeira providência é invocar os “pecados” alheios.

Nada surpreendente, pois, como não é surpresa que, também à esquerda surjam, aqui e ali, posturas semelhantes.

Gente cujo objetivo principal é permanecer “pura e casta” no jogo da política, pouco importando que, com isso, o país seja retalhado, vendido e o seu povo mergulhe na miséria extrema e no desespero.

Bem vemos, por Marina Silva, onde acabam indo parar.

Isso nada tem a ver com honradez pessoal e honestidade na gestão pública, mas com uma noção de “superioridade moral” que, no fundo, só traduz o elitismo de quem age assim.

Engraçado é que, à direita e à esquerda, estes mesmos sujeitos reclamem da insistência de Lula e do PT em manterem a sua real posição hegemônica no campo popular. Real, sim, porque não há nem de longe quem possa representá-lo como o ex-presidente.

Aí, ceder o comando a quem não tem voto é “bonito”,  é “desprendimento” e “comportamento democrático”.

Tratam a política com ares “religiosos”, como “bons e maus” e, em nome da pureza não vacilam em entregar os postos de governo aos maus.

Estes, quando fazem suas alianças, são “hábeis”, “democráticos”, “agregadores”.

Sejamos claros, este não é um concurso para ver quem, entre nós, é o mais puro e virtuoso.

É uma luta de vida ou morte para a democracia e para, no horizonte próximo, retomar-se o caminho para a inclusão, para a justiça social, para a nossa própria existência como Nação.

Há um homem numa cela por ter pensado e agido assim.

Mas isto não vem ao caso, o importante é que fiquemos sempre limpinhos, cheirosos e falando apenas entre nós.

Enquanto eles, os donos do mundo, chafurdam no sangue e nas vísceras de um país e de seu povo.

Fernando Brito
No Tijolaço

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