12 de ago de 2018

O tempo e o jogo


Na quarta-feira o PT promete chegar com uma multidão à porta do TSE para pedir o registro da candidatura do ex-presidente Lula. Há quem considere arriscada e temerária a tática eleitoral que o partido adotou, em sua estratégia para recuperar o poder, após a deposição de Dilma e o golpe sofrido com a prisão de Lula. O PT, acusou Ciro Gomes, “está levando o país a dançar na beira do abismo”, abrindo caminho para a extrema-direita. Há quem veja na corrida de obstáculos para levar a candidatura do ex-presidente o mais longe possível uma sujeição a seu personalismo. Há quem o acuse de ter se tornado candidato para contornar seus problemas judiciais, e também de impedir, mais uma vez, o surgimento de outra liderança. Arriscado o jogo é mesmo mas até adversários sabem que ele pode dar certo.

Não com Lula, pois embora exista a brecha legal da suspensão da inelegibilidade, o Judiciário já deu mostras suficientes de como lida com o caso. Nada será feito que favoreça Lula antes da eleição. Depois cairão as prisões após condenação em segunda instância, vão lhe oferecer uma domiciliar, depois será outro tempo. Mas se Lula e o PT conseguirem chegar com ele candidato (sub judicie) ao 7 de Setembro, o jogo da transferência dos votos para Fernando Haddad pode ser bem sucedido. Lula já terá aparecido como candidato  ao longo de uma semana no horário eleitoral, que começará no dia 31 de agosto. É importante, para o jogo da transfusão dos votos,  que o eleitor veja Lula candidato, ouça sua voz, e depois  perceba seu impedimento pelo sumiço de sua imagem da campanha. Só então será apresentado a Fernando Haddad e ouvirá a mensagem petista de que eleitor de Lula tem que votar em Haddad. Por isso mesmo os ministros do TSE sofrem pressão para que resolvam ainda agosto o imbróglio da inelegibilidade. O tempo decisório será crucial.

O tempo e o voto

Tem havido sabatinas, eventos diversos de campanha e já houve um debate televisivo mas nada se alterou nas pesquisas. Lula segue na liderança, como indicou na sexta-feira a sétima sondagem do Ipespe, feita para a consultoria XP. Ele aparece com 31%, seguido de Bolsonaro com 19%. Embolam-se na terceira posição Marina Silva (9%), Geraldo Alckmin (9%) e Ciro Gomes (6%). Bolsonaro lidera com 21% no cenário sem Lula, e quando Fernando Haddad é incluído na cartela com a identificação “apoiado por Lula”, ele salta para o segundo lugar, alcançando 13%.  “Engorda” dez pontos porcentuais em relação ao cenário em que não é identificado como substituto do ex-presidente.   Marina (10%), Alckmin (9%) e Ciro (7%) embolam-se novamente numa briga pela terceira posição.

Uma coisa é uma cartela apresentada a um entrevistado, onde o aviso sobre Haddad até aparece em vermelho. Outra é fazer chegar a milhões de eleitores, Brasil afora, que o desconhecido Fernando Haddad representa o ex-presidente na eleição.  Mas não foi muito diferente com Dilma. Lembro-me de ouvir eleitores dizendo, em 2010, que iam votar “na mulher do Lula”. Certo é que com 13% um candidato vai ao segundo turno, numa eleição em que a abstenção deve ser alta. Mas, para que haja a colagem das imagens de Lula e Haddad, o tempo da Justiça terá que permitir algumas aparições de Lula no horário eleitoral.

O casal vinte

Arsenal de votos quem tem é Lula, mas a chapa Fernando Haddad-Manuela D’Ávila pode ir além do duplo poste. No quadro de candidatos, afora novidades bizarras, como o cabo Daciolo, todos são políticos tradicionais. O debate da TV Bandeirantes foi um show de velha política, para usar a expressão dos caçadores do novo.

Se uma boa parte do eleitorado continua querendo gente nova, com discurso novo, capaz de produzir a química da empatia, talvez encontre isso chapa  PT-PC do B. Ela já foi deputada, ele já foi prefeito de São Paulo mas, para o Brasilzão, serão novidade. Com os votos de Lula e os atributos da dupla, pode dar certo. 

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