18 de ago de 2018

O problema é o guarda da esquina

Em 13 de dezembro de 1968, quando o governo Costa e Silva impunha ao país o Ato Institucional 5, o vice-presidente, Pedro Aleixo, foi o único a discordar dos termos da regra do regime de exceção. “Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que com o senhor governam o país. O problema é o guarda da esquina”, disse Aleixo.
Policial que apreendeu material de campanha de Talíria Petrone é autuado por abuso de poder

Talíria
O policial militar que apreendeu material de campanha da vereadora Talíria Petrone (Psol), na quinta-feira, saiu da 4ª DP (Praça da República) autuado por abuso de poder e apreensão irregular de documentos. Por pouco, ainda não foi preso. Isso porque o delegado-assistente Tullio Pelosi descartou a hipótese de crime eleitoral e devolveu o material à política. Inconformado, o primeiro sargento Sebastião Jesuíno de Souza e Silva Neto tentou impedir a saída de Talíria do local, momento em que Pelosi o advertiu: “Ou você deixa ela sair ou eu lhe dou voz de prisão”, contou o investigador ao DIA.

A confusão começou na barca que saiu de Niterói para a Praça 15 às 9h. Na travessia, o PM recolheu um pacote de panfletos de Talíria, candidata a deputada federal, alegando que a legislação eleitoral proíbe campanha em transporte público. O policial chegou a sacar uma arma em alto mar ao dar voz de prisão a um homem que criticou a abordagem, deixando os passageiros em pânico. Quatro militantes do partido que estavam com Talíria, todas mulheres, e vários outros passageiros repreenderam a atitude do sargento.

De acordo com o delegado, quase dez testemunhas foram ouvidas, incluindo um membro do Ministério Público com experiência em atividade eleitoral que estava na barca por acaso. Eles confirmaram que não era realizada campanha e que a candidata só fez uma selfie com o grupo. “Foi caracterizado que ele (PM) abusou da autoridade ao não deixá-la em paz na travessia e por apreender o material do qual ela não estava fazendo uso. Os panfletos estavam no pacote porque ela ia participar de uma caminhada na Praça Mauá”, afirmou. O delegado ressaltou ainda que o policial apreendeu irregularmente os documentos de Talíria e de outras quatro pessoas e só os devolveu ontem por determinação de Pelosi.

(…)

O delegado que lavrou o registro de ocorrência criticou o fato de o PM ter sacado a arma no transporte público. O militar é contratado para atuar no sistema aquaviário por meio do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis). “Um policial só pode sacar uma arma quando alguém faz contra ele uma atitude de igual perigo. Ninguém ali estava armado. Sacar uma arma em local de multidão é extremamente perigoso. A gente só faz isso quando o perigo é iminente, para se defender”, destacou Pelosi.

(…)

No O Dia

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