8 de ago de 2018

Ministro acobertava roubalheira

Ministério da Integração fraudava contratos de tecnologia


Do "Globo Overseas" (empresa que tem sede na Holanda para lavar dinheiro e subornar agentes da FIFA com objetivo de ter a exclusividade para transmitir os jogos da seleção):

Ex-secretário-executivo da Integração acusa ministro de abafar caso suspeito com empresa de TI

Antônio de Pádua 'teve acesso aos documentos e acobertou’, diz ex-número dois

Mário Ribeiro
Ex-número dois do Ministério da Integração Nacional até o mês passado, o economista Mário Ramos Ribeiro resolveu deixar a pasta para denunciar o seu superior, o ministro Antônio de Pádua, por supostamente acobertar um esquema milionário de fraudes em contratos de Tecnologia da Informação (TI) no ministério. Encarregado de avalizar as contratações na área, o ex-secretário-executivo descobriu que os seus subordinados estavam fechando negócios suspeitos com empresas de TI sem o seu conhecimento. Leia a íntegra da entrevista aqui.

Ao tentar exonerar os auxiliares e suspender os negócios, ele esbarrou na atuação do ministro que, em suas palavras, teria “acobertado as irregularidades”. Depois de alertar Pádua por várias vezes sobre a gravidade do caso, ele resolveu agir. Em entrevista ao GLOBO, ele explica os motivos que o levaram a denunciar o ministro e os servidores à Controladoria-Geral da União (CGU).

— O ministério virou caso de polícia. O ministro teve acesso aos documentos e acobertou as irregularidades. Foi a gota d'água — disse ontem Ramos Ribeiro.

Em maio deste ano, O GLOBO revelou o caso da RSX Informática, uma empresa de fachada registrada em um estoque de vinhos em Brasília. Ela havia fechado um negócio milionário para fornecer um programa de computador ao INSS sem licitação e sem possuir qualquer capacidade técnica para cumprir o contrato para o qual fora remunerada em R$ 8,8 milhões. Por ter ignorado alertas da área técnica contrária ao negócio e por ter pago R$ 4 milhões à RSX sem receber qualquer serviço em troca, o então presidente do INSS foi sumariamente demitido pelo governo.

Ministério nega

A crise começou quando Ramos Ribeiro descobriu que o ministério havia contratado a mesma RSX sem a sua autorização.

— Os contrato na área de TI foram escolhidos porque são complexos. Compraram software sem justificar a necessidade. No dia que descobrir o contrato da RSX, eu disse, ministro, me sinto traído — disse.

A CGU confirmou que investiga o caso. Tanto a assessoria do Ministério da Integração quanto a assessoria da RSX negaram ontem qualquer irregularidade no contrato.

Em nota o Ministério da Integração informou que suspendeu, temporariamente, todos os contratos apontados pelo ex-secretário da pasta por suposta irregularidade. E determinou investigação do caso. "É de interesse do Ministério da Integração Nacional que todos os fatos sejam apurados e esclarecidos, justamente para manter transparência aos processos executados. Por isso, o órgão tem colaborado com informações solicitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e CGU", diz a nota do ministério.

A assessoria do ministério informou ainda que o ministro só recebeu comunicado oficial do ex-secretário sobre os casos de TI na noite do dia 19 de julho deste ano, uma quinta-feira. "Já no dia 23 de julho, segunda-feira, o ministro Pádua Andrade determinou providências para a exoneração do ex-secretário e dos dois servidores". Apesar disso a exoneração não ocorreu de imediato.

Segundo a nota, as portarias foram publicadas no Diário Oficial do dia 1º de agosto, mesmo dia em que O GLOBO publicou reportagem sobre o tema. "O órgão também abriu uma sindicância para apurar a conduta dos citados. A questão é acompanhada pelo corregedor da Pasta, que é funcionário de carreira do Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU)."

No CAf

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