25 de ago de 2018

Lula e PT na cabeça

A próxima eleição engatilha uma desagradável surpresa para os golpistas. Será que já entenderam e se conformam?

Jair Bolsonaro é uma surpresa que emergiu para o cenário eleitoral com alguma consistência e pouca inteligência
Soam como alerta aos leitores reacionários as chamadas de primeira página de alguns jornais e de certas revistas que cruzam o Brasil de Norte a Sul. Tentam estimular uma espécie de chamamento às urnas com a aproximação das eleições. Por isso, estão diante de uma inescapável vitória do Partido dos Trabalhadores. Seja pelo retorno de Lula, seja pela chegada ao poder de Fernando Haddad, ex-prefeito paulistano.

Insuportável. Odiento. Esbravejam sem ter, no entanto, a possibilidade de mover uma ação para além das regras do jogo. Contra Lula ou Haddad resta somente o confronto das urnas. Fora isso só mesmo uma desagradável surpresa. Que assim seja. O esforço para mudar regras precisará ser grande, como indicam números recentes, divulgados simultaneamente por três institutos de pesquisas. Lula está bem perto da vitória. Mas permanece encarcerado.

A intenção de voto para o ex-presidente subiu, até agora, de 30% para 33% e, em seguida, para 39%. Um pouco mais e a vitória dele pode ser em turno único? A eleição será disputada por 13 candidatos. Levando a sério, há cinco nomes na disputa. São eles: Lula ou Haddad, Bolsonaro, Marina, Ciro Gomes e, com boa vontade, Geraldo Alckmin.

Jair Bolsonaro é uma surpresa que emergiu para o cenário eleitoral com alguma consistência e pouca inteligência. Esta, no futuro, é uma história que terá de ser explicada.

O perfil do capitão é de militante de ultradireita. Ele não adotou essa posição agora. E nem se importa com isto. Muito menos saberia dizer que bicho é esse! Não basta apenas puxar o revólver.

Bolsonaro deixou o Exército quase enxotado. Foi acusado de comandar uma ação contra as bancas que vendiam o jornal O Pasquim, no Rio de Janeiro. Faltaram as provas, no entanto. Desacreditado como candidato à Presidência, ganhou credibilidade na medida em que os reacionários se amontoaram para a disputa da qual Lula não participaria. Voracidade política fracassada, pode-se dizer.

Alguém, neste período, associou Bolsonaro a Carlos Lacerda. Ressalvada a ignorância de Bolsonaro, as contas entre os dois não podem ser acertadas. Intelectual conservador agressivo, Lacerda, expressão da UDN, um partido golpista, foi o principal responsável pelo fim de Getúlio Vargas. Mas parou por aí. 

Bolsonaro não é da mesma personalidade. No fundo, está mais para cabo Daciolo do que para general Mourão. Este, nada mais nada menos do que o vice de Bolsonaro na disputa pela Presidência.

Maurício Dias
No CartaCapital

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