13 de ago de 2018

Lula acerta na estratégia

Falta ousadia para entrar nas fábricas, movimentos de bairros, onde está o povo


O Conversa Afiada publica artigo de seu colUnista exclusivo Joaquim Xavier:

Política é análise concreta da situação concreta. Não há como fugir disso. O resto é tertúlia acadêmica, engenharia de obra feita ou simplesmente tentativa de encobrir fatos irrefutáveis.

Preocupa escutar de forças progressistas críticas contundentes a certas fórmulas adotadas pelo ex-presidente Lula na disputa inédita em curso. Tratam o ambiente como se o ex-presidente estivesse atuando em céu de brigadeiro, dentro de regras democráticas elementares, livre, leve e solto para fazer sua pregação. Cobram dele soluções convencionais, costumeiras quando se trata de jogo minimamente limpo e as normas seguem alguma jurisprudência.

Tais críticos invertem completamente o cenário. Lula, o maior líder popular da história brasileira, está trancafiado sem provas, sem crime, sem processo justo, com o único objetivo de alijá-lo — e o povo — da luta pelos destinos do país. Todo o peso da máquina do estado golpista e suas ramificações está voltado contra ele. TODO, e de modo talvez nunca visto na história nacional. As últimas revelações sobre como se manteve sua prisão após a decisão do procurador Rogério Favreto enojam mesmo juristas amadores.

Lula está sendo simplesmente massacrado, assim como fizeram com sua família e tentam — aqui num fracasso retumbante — apagar da memória seu legado e reputação.

O que impressiona nisto tudo é sua capacidade de furar tamanho bloqueio. Suas soluções heterodoxas quanto à chapa, como dizem alguns, não são obra de um alquimista egocêntrico ou aprendiz de feiticeiro. Respondem ao manancial golpista “da situação concreta” que não respeita mais nada — leis nacionais e internacionais, mandados, recursos, Constituição, vergonha e, sobretudo, cospe na vontade popular.

A solução D'Ávila-Haddad-Lula provavelmente seria considerada extravagante em condições normais de temperatura e pressão.

Ocorre que o Brasil vive distante disso há pelo menos dois anos. Pode-se também torcer o nariz para certas alianças, os acordos com o PSB e tratativas regionais. A questão é não colocar o subalterno no lugar do essencial. O fundamental é retirar do poder a gang de malfeitores que tomou de assalto o Planalto — sejam quais forem os meios.

A única pergunta cabível nesta etapa crucial é se as iniciativas ajudam a atingir este objetivo sem se diluir em adesismo ou rendição.

Ninguém se surpreenda se houver mais novidades adiante deste lado. Elas devem acontecer por um simples motivo: a chusma de usurpadores renova seu arsenal diuturnamente, proibindo Lula de ir a debates, requentando denúncias imaginárias contra ele e seus preferidos e acelerando a toque de caixa — e de ilegalidades — ataques contra o progressismo.

Não podem ficar sem resposta.

Estão certos, certíssimos o ex-presidente e seu staff em explorar todo e qualquer espaço no que restou de leis neste país.

Foi o que demonstrou com sobriedade Fernando Brito, no Tijolaço. Quanto mais elas forem pisoteadas, mais desmoralizados ficarão o “judiciário” sob encomenda, a mídia carcomida e a elite podre — se é que isto ainda é necessário.

E mais combustível será fornecido ao povo para reagir diante das atrocidades.

Este continua e sempre será o elemento decisivo. Se um reparo pode ser feito às forças progressistas, é a falta de maior ousadia em penetrar nas fábricas, escolas, bancos, lojas, repartições, movimentos de bairro e demais centros e organizações do povo.

Claro que nenhuma fresta pode ser desperdiçada — ao contrário. Nesse ponto, a internet tem sido foco de resistência fundamental e indispensável, principalmente quando alavanca a mobilização popular.

Mas é prudente afastar o fetiche exagerado nas tais redes sociais, esquecendo que elas próprias são amplamente manipuláveis pelos abutres do capital.

O cenário permanece nebuloso.

O jogo está sendo jogado numa guerra sem quartéis (por enquanto).

A cada nova pesquisa, a cada demonstração de que Lula e seus aliados crescem enquanto seus adversários se dissolvem como Sonrisal num copo d'água — a cada fato como esses os golpistas reforçarão suas baterias contra a democracia cambaleante.

Tomara que a chamada oposição passe a se dar conta disso e, não, simplesmente, aposte num pleito “normal” que nem se sabe se vai existir.

Joaquim Xavier

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