5 de ago de 2018

JN esfrega feminicídio na cara da família brasileira – e de quem nega que ele exista

(Para, horas depois, na Globo News, Bolsonaro seguir o exemplo de Alexandre Garcia e criticar a lei que tipifica o crime)


Quantas vezes você viu na imprensa uma mulher, se aproveitando da superioridade física, estapear um homem dentro do carro, arrastá-lo pelos cabelos, espancá-lo pela garagem de um prédio e continuar no elevador, para depois jogá-lo ou vê-lo se jogar da sacada de um prédio? Nenhuma. Esta cena nunca foi vista no Brasil nem em nenhum país do mundo. Este tipo de crime vitima mulheres, não homens.

É por isso que se especificou, em 2015, no Código Penal, o crime de feminicídio, que agrava o crime quando é praticado contra a mulher e por razões da condição do sexo feminino, quando envolve violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Matar uma mulher virou crime hediondo em virtude das estatísticas que apontam que mais de 60% dos estupros e crimes de lesão corporal dolosa e 40% das tentativas de homicídio contra as mulheres ocorreram dentro de casa, e seus algozes foram principalmente companheiros e ex-companheiros.
Infelizmente, há dentro da própria Globo “formadores de opinião” que negam a existência do crime de feminicídio, preferindo fazer chacota nas redes sociais
Nesta sexta-feira à noite, o Jornal Nacional, da Rede Globo, esfregou a realidade do feminicídio na cara da família brasileira –e de quem continua a negar que ele exista. Nas cenas bárbaras, que provocam revolta e uma sensação de impotência em quem assiste, o professor de Biologia Luis Felipe Manvailer, aparece nas câmeras de segurança do prédio onde morava com a mulher, a advogada Tatiane Spitzner, espancando, perseguindo e intimidando a esposa, que acabaria “caindo” da sacada do quarto andar do edifício minutos depois.



De forma incrivelmente covarde, Manvailer, um fortão com o dobro do tamanho  da mulher, começa a estapear Tatiane ainda no carro, persegue-a pela garagem do prédio, chuta-a caída no chão, arrasta-a até o apartamento, aparentemente atira-a pela sacada e desce para pegar o corpo estatelado na calçada. No elevador, ainda na presença da advogada, Manvailer desfere olhares claramente de ameaça; Tatiane parece saber o que a espera em casa, e tenta seguidas vezes escapar. Após jogá-la ou assisti-la se jogar da sacada, o biólogo retira o corpo da calçada e o leva para o apartamento, para depois reaparecer tentando limpar as marcas do crime.

É feminicídio desenhado de uma forma que raramente se viu diante das câmeras, mas nada que espante o leitor da página da Globo na internet: todos os dias, o lado esquerdo do portal estampa crimes de feminicídio. Neste sábado, trazia a história do vereador de Minas Gerais acusado de matar a tiros a ex-namorada e o pai dela na frente da filhinha de 1 ano de idade. Na lei do feminicídio, a pena é aumentada em um terço quando o crime for cometido “na presença de descendente ou de ascendente da vítima”.


Infelizmente, há dentro da própria Globo “formadores de opinião” que negam a existência do crime de feminicídio, preferindo fazer chacota nas redes sociais.



Seguindo o exemplo de Alexandre Garcia, horas depois de o Jornal Nacional ir ao ar, na Globo News, do mesmo grupo, o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro atacava a lei, da qual é adversário desde o princípio. Mais uma vez, o candidato se mostrou avesso às leis e a favor da justiça com as próprias mãos. Para Bolsonaro, em vez de lei para punir os assassinos, é melhor a mulher ter uma arma e se defender sozinha.

Sob este raciocínio, vítimas fatais como Tatiane Spitzner nem sequer veriam seus algozes presos.

Cynara Menezes
No Socialista Morena

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