13 de ago de 2018

Grevistas de fome do MST pedem que Fachin, antes tido como aliado, “acorde”

Foto Adilvane Spezia, MPA e Rede Soberania
Nesta senda, a separação entre o ativismo e o protagonismo judicial se faz fundamental para que o Judiciário cumpra com seu papel de garantidor de direitos, sem atropelar os demais poderes. […]Neste sentido, se faz mister um juiz presente, que analise com sobriedade direitos e princípios para que não apresente soluções demasiadamente simplistas frente à complexidade dos fatos. Se o conselho que se dava aos juízes antigos da Itália era não use a testa, use o texto, hoje a máxima pode ser reinventada para use a testa, não esquecendo do texto e seu contexto.

Muito basista.  
Frase atribuída ao ex-presidente Lula, quando se negou a indicar Fachin para o STF
Os sete grevistas que estão há treze dias em Greve de Fome por Justiça no STF, em conjunto com diversas manifestações do Sagrado, realizaram na manhã deste domingo (12) uma Celebração Religiosa contra a fome e em defesa da democracia.

A atividade foi realizada bem cedinho, às 7 horas da manhã, em frente bloco residencial onde mora o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, na Asa Sul em Brasília.

Com o objetivo de fazer um apelo ao ministro para as pautas defendidas na greve, além dos sete ativistas — Vilmar Pacífico, Jaime Amorim, Zonália Santos, Frei Sérgio Görgen, Rafaela Alves, Luiz Gonzaga (Gegê) e Leonardo Soares – estavam presentes na Celebração o Frei Capuchinho Wilson Zanatta, o Reverendo e Pastor Presbiteriano Luis Sabanay, a Pastora da Igreja Evangélica Deus é Amor Maria Aparecida Rodrigues Barbosa.

Entre diversas lideranças do campo popular, destaca-se o dirigente do MST e Via Campesina, João Pedro Stédile, que também participou ativamente da celebração.

Na homilia, Frei Zanatta destacou como Jesus Cristo se apresenta ao povo, como o pão da vida, “significa que todos os bens que existe na face da terra devem ser partilhados como Jesus partilhou e doou a própria vida”, explicou.

Logo em seguida trouxe a reflexão crítica como contraponto: “Mas no Brasil 6 famílias detém o mesmo capital que a metade de toda população”, denuncia.

Zanatta, que tem uma forte relação com a terra e as ervas medicinais, ainda faz uma comparação: “Em uma área onde há somente eucalipto é uma terra seca, pois o eucalipto suga muita água e no meio dessa plantação não se desenvolve praticamente nada, apenas escorpiões”, comparando o animal e seu veneno ao papel político que a “justiça” vem exercendo, privando o povo de sua representatividade e alinhando-se aos interesses do grande capital, que assim como o eucalipto esteriliza o solo, está esterilizando as soberanias da nação.

Por outro lado, explicou o religioso, “há áreas onde crescem as árvores nativas, que representa o povo e sua relação com a luta social, ali se puxa água do solo para manter a vida e no meio dela existe a biodiversidade de plantas e animais, da mesma maneira que a na democracia o povo deve se nutrir de liberdade e exercer sua missão cívica de participar, resistir e lutar”.

Rafaela Alves, grevista de fome no 13º dia, explicou o porquê da celebração em frente à casa do Ministro Edson Fachin: “Viemos pedir que o Ministro coloque a justiça a serviço dos mais pobres, dos humilhados, dos sem pão, dos que estão num mundo de abismo por falta de democracia, por falta de justiça”.

Para a grevista, o ministro Fachin deveria reler o evangelho, “pois há muita gente morrendo por falta de pão enquanto outros desperdiçam a fartura e acabam consumindo até o alimento dos que ainda nem nasceram e já estão com sua vida totalmente comprometida”.

Ela ainda faz uma reflexão: “O que os oprimidos e humilhados querem não é muita coisa, querem o básico, e esse básico não é possível ter porque tem quem os impeça”, comentou.

“Pedimos que Fachin e os demais ministros busquem entrar na realidade dos oprimidos desse país, que estão na periferia, nas aldeias indígenas, nos quilombos, estão nos campos, no lugar com sem-terra, dos com pouca terra, dos camponeses e dos desempregados”, expressou o líder sem-terra João Pedro Stédile.

Conforme ele, “nós somos parte dessa classe oprimida, trabalhadora, injustiçada, ignorada pelo sistema e fazem de conta que não nos percebem. Escutem nosso grito, o clamor do povo brasileiro é por justiça, é por democracia, por Lula livre, por direitos e contra a fome”, denuncia.

O desafio, conforme avalia Stédile, é que o envolvimento do povo nas atividades destes dias não deixe os ministros do supremo descansar: “Eles não podem dormir enquanto houver injustiça no Brasil, o povo não vai descansar enquanto Lula não for libertado”.

Para o dirigente, a figura de Lula é simbólica, mas a preocupação não se restringe a ele, abrigando ainda todos os injustiçados do Brasil, começando pelos que passam forme, por aquelas 13 mil pessoas que foram injustiçadas e presas sem ter o seu processo encerrado, por essa decisão do Supremo Tribunal Federal [sobre prisão antes do trânsito em julgado].

“Esperamos que o sacrifício dos companheiros e companheiras na Greve de Fome e dos que estão marchando nas três colunas, não sejam em vão e que isso vá sensibilizando o coração desses ministros hipócritas que acham que julgam em nome da Lei, mas na verdade julgam só em nome do Capital”, disse.

A pastora Maria Aparecida Rodrigues Barbosa, do extremo sul da Bahia, vinculada à Igreja Evangélica Deus é Amor, destacou a fé como um suporte para o enfrentamento das dificuldades e assegura que segue determinada e certa da inocência de Lula e da força do povo brasileiro para enfrentar as barbáries praticadas pelos atores do golpe.

“Nossa fé é inabalável, ela remove tudo aquilo que não é digno de nós. Muitos podem achar que tem o poder para humilhar, para condenar sem ter prova, para maltratar o povo trabalhador, mas é nas palavras de Jesus que buscamos a certeza de que a vitória vai vir, pois foi ele mesmo quem disse que onde houvesse um justo, ali a presença de Deus estaria com ele”, concluiu a pastora, que tem se somado à Marcha Nacional Lula Livre.

A Celebração Religiosa durou em torno de uma hora, foi organizada pelos movimentos populares que integram a Frente Brasil Popular e faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela Democracia. Na ocasião os presentes deixaram seu recado em coro: “Acorda Fachin, que a justiça bateu na sua porta!”

No Viomundo

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