11 de ago de 2018

Globo e Lava Jato nem disfarçam mais

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/08/11/haddad-e-dilma-na-mira-lava-jato-volta-com-tudo-contra-o-pt/

Haddad e Dilma na mira: Lava Jato volta com tudo contra o PT

Como costuma acontecer desde 2014, quando as eleições se aproximam, a força-tarefa da Lava Jato, que andava meio sumida, voltou com tudo nesta sexta-feira - contra o PT, é claro.

Sem fatos novos, requentaram uma delação de Monica Moura, aquela moça que masca chicletes quando é presa, mulher de João Santana, o ex-marqueteiro do partido.

Não por acaso, os alvos agora são os principais líderes do PT nesta disputa eleitoral: Fernando Haddad, que substitui Lula na campanha presidencial, e Dilma Rousseff, a ex-presidente que lidera a com folga a corrida para o Senado em Minas Gerais e fez Aécio Neves desistir de enfrentá-la.

A nova versão da delação da marqueteira, que acusa diretamente Dilma de negociar valores de caixa dois, fez a festa dos telejornais noturnos que a transformaram na principal manchete do dia.

A tabelinha Lava Jato-mídia sempre é acionada nestas horas em que os candidatos do sistema estão empacados nas pesquisas lideradas pelo PT.

Com Lula, mesmo preso há mais de 100 dias, liderando absoluto a disputa presidencial, podendo ganhar até no primeiro turno, as baterias se voltaram contra Fernando Haddad, oficializado há apenas cinco dias como vice, acusado por Monica Moura de ter recebido dinheiro de propina da Odebrecht para pagar as contas da sua campanha para a prefeitura de São Paulo.

Diante da nova ofensiva, o que o PT pode fazer, se o Judiciário claramente escolheu um lado nestas eleições para evitar que o PT volte ao poder depois do golpe de 2016?

Em nota, a direção do partido e Haddad acusam a Lava Jato de armar espetáculos contra o partido de olho nas eleições às vésperas do registro oficial da candidatura de Lula à Presidência da República, no dia 15. E fica tudo por isso mesmo.

Curioso que a mesma mídia não se pergunte que fim levaram os processos abertos pelos mesmos motivos contra os tucanos Geraldo Alckmin, o candidato do governo Temer e do Centrão, e o ex-presidenciável Aécio Neves, agora candidato a deputado por Minas.

Que fim levaram estes processos todos, com denúncias de contas na Suíça mantidas por Paulo Preto, o homem de Geraldo Alckmin e José Serra na Dersa, denunciado por Dilma já na campanha de 2010, e as gravações de áudio e vídeo de Aécio Neves tomando grana de Joesley Batista?

Alguém sabe a quantas andam as investigações sobre subornos pagos por multinacionais e empreiteiras nas grandes obras do governo paulista comandado pelo PSDB há 24 anos, no chamado Tucanistão?

Não se fala mais naquelas centenas de políticos delatados pela Odebrecht e outras empreiteiras, além de Joesley Batista, todos eles livres, leves e soltos fazendo suas campanhas pela reeleição para manter o foro privilegiado.

Nenhum até hoje foi sequer a julgamento.

Lula é o único candidato julgado, condenado e encarcerado por conta de um tal triplex no Guarujá que não provaram ser dele.

Tudo isso é tratado com a maior naturalidade, como fato consumado, nem se toca mais no assunto.

Se não bastasse esta aberração, agora querem também tirar Haddad e Dilma das eleições de 2018, para que os golpistas possam ganhar as eleições por WO, já que nas urnas perderam quatro eleições presidenciais seguidas e, até agora, não conseguiram emplacar um candidato competitivo.

Já nem disfarçam mais: tudo é feito à luz do dia, na cara dura, e ainda ficam repetindo que as instituições estão funcionando às mil maravilhas nesta democracia de fancaria, em que a eleição é decidida nos tribunais e não mais nas urnas.

Dá até vergonha.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho



Globo e a Lava Jato colocam Haddad na linha de tiro


Desde o mensalão, setores do Judiciário brasileiro parecem ter colocado seu calendário em sintonia com o das eleições.

Sempre que se aproxima um evento eleitoral importante, são colhidos depoimentos ou cumpridos mandados que podem provocar desgaste nas campanhas do PT.

Quem não se lembra de Alexandre de Morais, em campanha pelo PSDB em Ribeiro Preto, em 2016, antecipando a eleitores que, na semana seguinte, haveria algo impactante relacionado à Lava Jato?

“Vocês vão se lembrar de mim”, disse, com um sorriso maroto.

Dito e feito: na semana seguinte, às vésperas da eleição para governador, Antonio Palocci foi preso, por ordem de Sergio Moro.

O teatro agora se repete.

Ontem, a cinco dias da data de registro da candidatura de Lula e Haddad na justiça eleitoral, o Jornal Nacional deu destaque ao depoimento da publicitária Mônica Moura, colaboradora da Lava Jato, ao juiz Sergio Moro, ele de novo.

Mônica prestou depoimento num processo específico sobre o departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, que, segundo a Lava Jato, fazia os pagamentos de propina.

Fez acusações graves, num depoimento gravado (com áudio, sem imagem), em que menciona Fernando Haddad e Dilma Rousseff.

Não apresentou uma mísera prova, mas suas falas mereceram destaque no Jornal Nacional:

“Chegavam com o dinheiro em mochila, malas ou na roupa, jaquetas, meia, diversas formas. Eu esperava no local pré-determinado, a pessoa chegava, me pedia a senha, entregava o dinheiro e ia embora”.

Disse também:

“Negociei com a Dilma, o valor foi todo negociado diretamente com ela, eu e ela. Pela primeira vez na vida eu negocio diretamente com uma presidente e com um candidato, valores”.

No depoimento, Mônica Moura também citou supostos pagamentos via caixa dois feitos pela Odebrecht nas campanhas para prefeitura de Fernando Haddad e Patrus Ananias, em 2012, além de campanhas no exterior. Disse:

“Nesse caso dos depósitos, que somam US$ 3 milhões, teve um fato inusitado. Como em 2012 foi o ano que fizemos recorde de campanhas, a Odebrecht estava colaborando em quatro das cinco campanhas: Angola, Venezuela, São Paulo Haddad e Minas Gerais, Patrus Ananias. Esses valores, quebradinhos, cada parte se refere a uma dívida. Mas todos campanhas políticas, não todos do PT”.

A repórter Ana Zimmerman, da Globo, informou que a Lava Jato identificou nas planilhas da Odebrecht repasses que somam 23,5 milhões ao casal, em contas no exterior, entre 2014 e 2015, e frisa: “quando a Lava Jato estava em andamento”.

Lembre-se que, nesse período, o casal João Santana/Mônica Moura, fez campanhas no exterior, sempre a serviço da Odebrecht, o que, no mínimo, deveria levantar a desconfiança de que os dois eram, primeiramente, ligado ao grupo empresarial.

Além disso, a repórter não informa que essas planilhas estão sob suspeita de fraude. A perícia da PF não conseguiu comprovar sua autenticidade, já que os arquivos originais, de onde foram extraídas as planilhas, estão inacessíveis.

Há indícios de que seriam mesmo provas forjadas.

Rodrigo Tacla Durán, advogado que trabalhou no setor de Operações Estruturadas da Odebrecht e que nunca foi sequer mencionado na Globo, já apresentou cópias de arquivos em seu poder que são diferentes das que foram juntadas pelo Ministério Público Federal nos processos sob condução de Moro.

Se Moro quer buscar a verdade — razão de qualquer processo — sobre como funcionava o setor de Operações Estruturadas, deveria ouvir Tacla Durán.

Mas ele foge do advogado como o rato foge do gato, com o pré-julgamento de que não falaria a verdade.

Pode-se dizer que, nesse processo, o testemunho de Tacla Durán não foi solicitado. Mas, em outros, foi. E Moro não quer nem ouvir falar dele.

A Globo também não apresenta esse contraponto, sonega de seu público a oportunidade de colocar na balança tudo o que se refere à Lava Jato e formar sua opinião.

Não é difícil entender por que. Desde que o nome de Haddad começou a ser ventilado como possível alternativa à candidatura de Lula, no PT já se esperava ataques rasteiros a ele.

Já se sabia que viriam da Lava Jato, com repercussão na Globo. Não deu outra. Mônica Moura foi a primeiro petardo. Vêm outros.

Hoje, a Lava Jato é um núcleo da disputa pelo poder político. Escrevi sobre isso em abril de 2018, no artigo “Preste atenção neste nome: Álvaro Dias. Ele é o candidato da Lava Jato e da Globo”.

A Polícia Federal, Ministério Público e a justiça federal em Curitiba, agindo em conjunto, são capazes de atuar para levantar nomes e derrubar outros.

Sozinhas, sem o apoio dos grandes veículos de comunicação — a velha imprensa —, não conseguem muito.

Mas, quando uns seguram (os aparelhos do Estado) e outros batem (a velha imprensa), provocam estragos.

É isso que se viu ontem, no Jornal Nacional. Com a boca de Mônica Moura, deram uma demonstração de força.

Não ficará só nisso.

Eles podem fazer o “faz de conta deles”, mas nós não precisamos engolir calados.

A cada tiro desses, é preciso reagir e contar que o objetivo da Lava Jato é qualquer coisa menos permitir que a democracia tenha o seu funcionamento normal.

Haddad está na mira deles, mas o público em geral já não acredita naquela farsa de Moro super herói. Ele age como parte. Mais do que isso, como político.

Esses tiros podem sair pela culatra.

Joaquim de Carvalho
No DCM

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