26 de ago de 2018

Carone absolvido. Releia matéria do Novojornal


O jornalista Marco Aurélio Carone relembra, em um breve artigo, como foi alcançado por um esquema de poder opressivo que existiu durante os anos de governo de Aécio Neves e Antonio Anastasia, destinado a silenciar aqueles que eram considerados inimigos e que poderiam atrapalhar as ambições políticas do grupo.

No dia 21 de janeiro de 2014, a polícia invadiu sua casa de manhã bem cedo e o levou, algemado, para a prisão.

Nunca havia sido preso na vida, era filho do ex-prefeito de Belo Horizonte Jorge Carone, cassado pelo Ato Institucional número 2, em 1966, e da ex-deputada federal Nísia Carone.

Sua mãe foi a primeira mulher a representar o povo mineiro no Congresso Nacional. Mas não ficou muito tempo em Brasília. Dois anos depois de tomar posse, foi cassada pelo AI 5.

Marco Aurélio Carone experimentou as dores da perseguição política em 2014, em plena democracia, num prenúncio do que mais tarde ocorreria no restante do Brasil, a partir da Lava Jato.

Sua prisão, que agora se pode interpretar como abusiva, atendeu aos trâmites legais, mas o conteúdo das ações era resultado de distorção grosseira.

Havia um mandado de prisão contra Marco Aurélio Carone em 2014, expedido pela juíza substituta da Segunda Vara Criminal, Maria Isabel Fleck, a partir de solicitação do promotor André Luiz Garcia, de Belo Horizonte.

Havia também um inquérito aberto contra ele, com alegações que se revelaram improcedentes mais tarde.

Hoje, há motivos para acreditar que sua prisão foi em represália à cobertura crítica que fazia dos governos de Aécio e Antonio Anastasia, como se verá no final deste texto.

Leia agora o breve artigo de Carone:

Como não conseguiram impedir minhas denúncias no combate à corrupção que se apoderava do governo de Minas Gerais nos governos tucanos, optaram por me prender sem qualquer culpa formada.

Nove meses depois das eleições de 2014, fui solto por excesso de prazo e só quatro anos depois, em 2018, fui absolvido nos inquéritos que me investigavam pela acusação de lavagem de dinheiro, recebimento de recursos indevidos e obstrução à Justiça.

Tudo indica que o planejamento era, devido à suspensão de meus medicamentos para pressão do coração e diabetes, durante meu período na prisão, levar-me à morte.

Tive a sorte de poucos ao conseguir provar, ainda em vida, minha inocência. Como jornalista, consegui também provar que noticiara a verdade sobre os esquemas de Aécio em Minas.

Presencio hoje, com orgulho, que as denúncias que vinha publicando no Novojornal desde 2008, e que foram o motivo de minha prisão, ganharam enfim as manchetes dos grandes jornais, rádios e televisões.

* * *

Marco Aurélio Carone, filho do ex-prefeito de Belo Horizonte Jorge Carone Filho, era proprietário do site Novojornal, um dos poucos veículos de comunicação que denunciavam os esquemas de corrupção de Aécio Neves, depois confirmados pelo DCM.

Mais tarde, foram confirmados também em investigações do Ministério Público Federal, como desvios na Cidade Administrativa e na CEMIG, central de energia.

Carone fazia dupla com Geraldo Elísio, editor-chefe do site, um dos mais experientes jornalistas mineiros, e juntos, além dos casos CEMIG e da Cidade Administrativa, apontaram a atuação de Andrea Neves, irmã de Aécio, nas operações destinadas a silenciar veículos de comunicação em troca de verba de publicidade.

Carone foi investigado como membro de uma quadrilha que nunca existiu, a que uniria o lobista Nílton Monteiro a jornalistas, com intuito de publicar notícias para extorquir dinheiro de autoridades. As notícias publicadas pelo Novojornal, que tinham como fonte Nílton Monteiro, como a Lista de Furnas, se revelaram verdadeiras.

Em consequência da mesma decisão que autorizou seu encarceramento, em 2014, quando teve início a campanha de Aécio à presidência, o site foi tirado do ar, e os arquivos desapareceram dos servidores. Neles, havia até o registro de uma suposta overdose de Aécio.

Esta é uma das poucas vezes em que, depois que foi absolvido de todas as acusações que geraram sua prisão, Marco Aurélio Carone escreve sobre seu cárcere.

Não é exagero dizer que ele foi um preso político dos tenebrosos anos dos governos de Aécio e Anastasia. Um vítima dos inimigos da liberdade de expressão, que agiam de maneira organizada, conforme investigação da Polícia Civil do Estado, que ainda não terminou.

Um esquema destinado a acobertar a corrupção dos governos tucanos. Esse esquema era como um dragão de sete cabeças. Quatro foram esmagadas, mas três ainda sobrevivem.

Que venham mais textos de Carone.

Joaquim de Carvalho
No DCM



 Publicada aqui em 20/11/2013 

“Overdoses de Aécio” e a “Morte de Modelo” geram retaliação


Matéria sobre a omissão na apuração das overdoses de Aécio e reabertura do caso da morte da modelo une Polícia Civil e MPMG contra Novojornal

Era previsível a retaliação por parte de integrantes do MPMG e da Polícia Civil, que após a tramitação irregular de uma denúncia apócrifa, tenta envolver o Portal jornalístico por defender o denunciante da Lista de Furnas e do Mensalão, Nilton Monteiro. Tudo ocorreu após a recusa pelo diretor responsável do Novojornal a um interlocutor do Governo de Minas em retirar de pauta duas matérias envolvendo três ex-governadores, um ex-vice-governador de Minas e o presidente da CEMIG.

Sabe-se hoje que a retaliação contra o Portal jornalístico foi conduzida pelo Procurador André Estevão Ubaldino Pereira, chefe do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate ao Crime Organizado e de Investigação Criminal (CAO Crimo) e Coordenadorias Regionais de Combate às Organizações Criminosas (CRCOCs), todos os órgãos ligados ao MPMG.

A primeira matéria ainda não publicada narrará o que vem ocorrendo na Coordenadoria de Combate e Repressão ao Tráfico Ilícito de Entorpecentes, mais conhecida como Coordenadoria Antidrogas, que além de sua inércia em apurar, desapareceu com o procedimento instaurado em função das overdoses que quase levaram a óbito Aécio Neves, quando o mesmo exercia o Governo de Minas Gerais.

É necessário destacar que tais overdoses ocorreram dentro do Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador de Minas guarnecido pela Polícia Militar, 24 horas por dia. Corporação Militar que cumpriu sua obrigação entregando através de seu serviço reservado um detalhado relato do ocorrido a Coordenadoria Antidrogas, inclusive, sobre a transferência de Aécio Neves em helicóptero operado pela Polícia Militar para o Hospital Mater Dei em Belo Horizonte.

A matéria do Novojornal não tem como destaque o fato de Aécio Neves ser um dependente químico, pois além de não ser novidade, trata-se de uma doença tratável. O objetivo é demonstrar que em função de seu vício, houve a tomada do Poder por setores da área criminal do MPMG, assim como, ligada à defesa na justiça de grandes traficantes, culminando com a nomeação do ex-secretário de Defesa Social o advogado Mauricio Campos.

Refém de seu vício, o ex-governador Aécio Neves viu-se envolvido, mesmo que para alguns involuntariamente, na defesa de um afrouxamento por parte das autoridades públicas na repressão e combate ao tráfico de drogas, com a justificativa da introdução de uma política pública no Estado visando à descriminalização das drogas, mesmo antes da aprovação de leis neste sentido.

A matéria mostrará ainda que tal política pública visava manter uma Apartheid do vício. Enquanto para as classes sociais mais elevadas, onde o preço da droga chega a ser três vezes maior, o consumo é considerado “recreativo”, nas classes menos favorecidas, onde predomina a droga de baixo custo desta maneira com pequeno lucro, é tratado com prisão. Evidente que independente do mérito da legalização ou não das drogas, o que será abordado é a necessidade de combate a quem fornece a droga, o traficante e as organizações criminosas a que pertencem.

Mostraremos que nos últimos 10 anos não houve em Minas Gerais através da Coordenadoria de Combate e Repressão ao Tráfico Ilícito de Entorpecentes, qualquer operação de destaque com a desarticulação de grandes quadrilhas e apreensão proporcional, fruto de um trabalho de inteligência que merecesse o mesmo cuidado obtido no combate a crimes fiscais.

O Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate ao Crime Organizado e de Investigação Criminal, foi transformado em um braço auxiliar e arrecadatório do Executivo através da Secretaria da Fazenda, que mesmo ao arrepio da Lei, forneceu e mantém os equipamentos de escuta telefônica e outras tecnologias utilizadas de maneira irregular, conforme denunciado por Novojornal na matéria; PGJ-MG serve apenas de fachada para “Central de Grampo Clandestino”. Fato reconhecido em relatório pelo CNMP- Conselho Nacional do Ministério Público.

A segunda matéria, esta já publicada, foi; “Juíza do “Mensalão Mineiro” manda investigar morte de modelo” diz respeito à morte da modelo Cristiane Aparecida Ferreira. Após sua publicação acompanhada dos documentos exibidos na reportagem do “Mensalão Tucano” comprovando que modelo assassinada recebera R$ 1.800.000,00 de Walfrido dos Mares Guia, obrigou a Juíza Neide da Silva Martins e o Promotor João de Medeiro à abrirem nova linha de investigações para analisar nova vertente criminal.

Depoimentos informam que Cristiane Aparecida Ferreira atuou transportando valores milionários a serviço do esquema do “Mensalão Tucano”.

No entender de diversos criminalistas que se dedicam ao caso, a morte da modelo não foi um crime passional em relação ao seu namorado, Cristiane estaria jurada de morte por esposas de diversos figurões da sociedade mineira. Segundo um dos criminalistas que atua no caso, o assassinato da modelo realmente foi cometido por Reinaldo Pacífico, conforme sua condenação, porém, provas e evidências demonstram que houve um ou mais mandantes, porque Cristiane tornara-se “perigosa”, para o esquema, pois além de conhecer toda operação mantinha relação amorosa com os principais operadores do esquema, desta forma, no entendimento destes criminalistas, a morte da modelo foi uma queima de arquivo.

Como narrado anteriormente, diante das provas existentes nos autos, a Juíza da 9ª Vara Criminal de Belo Horizonte determinou a abertura de um novo inquérito para apurar exclusivamente a participação de Cristiane no esquema conhecido como “Mensalão Tucano”.

O processo tramita em Belo Horizonte por decisão do ministro Joaquim Barbosa. Segundo os criminalistas, comprovadamente Cristiane mantinha um caso amoroso com o atual presidente da Cemig Dijalma Moraes, com o ex-ministro e ex-vice-governador Walfrido dos Mares Guia e com o ex-governador Newton Cardoso e Itamar Franco.

“Com a abertura deste novo inquérito, quebra-se a resistência do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate ao Crime Organizado e de Investigação Criminal dirigido pelo Procurador Andre Estevão Ubaldino Pereira, que recusava reabrir o caso da morte da modelo”, conclui um dos criminalistas ouvidos por Novojornal.

A matéria noticiava ainda que o inquérito que apurou o crime ocorrido no San Francisco Flat, um aparte hotel de luxo da capital mineira, teve várias de suas páginas arrancadas se transformando em ação penal com a condenação do despachante Reinaldo Pacifico, que até hoje continua solto sem qualquer explicação das diversas autoridades envolvidas.

Infelizmente, fazer jornalismo em Minas Gerais onde o Estado foi capitulado pelo pior lado da classe política do Ministério Público e da Polícia Civil, tornou-se profissão de alto risco. A matéria relativa às overdoses de Aécio Neves será publicada simultaneamente com o lançamento de um livro que abordará seu comportamento desde que veio para Belo Horizonte em 1983 da Cidade do Rio de Janeiro até sua gestão frente o Governo de Minas Gerais.

A reportagem do Novojornal procurou em Janeiro de 2013 o ex-governador e atual senador Aécio Neves e o Hospital Mater Dei por duas vezes e os mesmos recusaram-se a comentar as internações ocorridas. O Procurador Andre Estevão Ubaldino Pereira, chefe do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate ao Crime Organizado e de Investigação Criminal (CAO Crimo), foi consultado sobre possíveis ocorrências de overdose do ex-governador e até o fechamento desta matéria nada respondeu.

Documentos citados na matéria:





No Novo Jornal

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.