16 de ago de 2018

Braço financeiro da gestão Nuzman no COB é preso em operação da Lava Jato


O braço financeiro da gestão de Carlos Arthur Nuzman no COB foi preso na manhã de hoje, em desdobramento da Operação Lava Jato. Edson Figueiredo Menezes, o Gigante, é investigado por pagamento de propina na venda da folha de pagamento dos servidores do Estado do Rio em 2011, na gestão do ex-governador Sérgio Cabral. (Na foto acima, Edson Menezes e Nuzman)

A venda ocorreu num leilão preparado por uma consultoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que subcontratou o Banco Prosper. Junto com a folha foi vendido também o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj). A venda ocorreu num leilão preparado por uma consultoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que subcontratou o Banco Prosper. Junto com a folha foi vendido também o Banco do Estado do Rio de Janeiro (Berj).

Do núcleo mais próximo ao ex-presidente do COB, Edson Miranda foi Diretor Financeiro do Conselho Executivo e diretor estatutário. No Comitê Organizador Rio-2016, teve posição ainda maior: a 1ª Vice-Presidência do Conselho Diretor, abaixo apenas de Nuzman. Nas prestações de contas do COB ao Ministério do Esporte relativas aos convênios anteriores a 2012, Edson Menezes assina os balancetes da entidade na condição de diretor financeiro. Após a prisão de Nuzman, chegou a ser presidente do Comitê Rio-2016, que assumiu em outubro de 2017 e no qual já não ocupava cargo.


No pedido de prisão, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro menciona a existência de uma empresa offshore no Panamá de Edson Menezes. A Remo Investment foi descoberta pela Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo em reportagem publicada em 2 de maio de 2017.


Na ocasião, questionado pela reportagem, Edson Menezes afirmou, através da assessoria do COB que “a Remo Investments está devidamente declarada em seu Imposto de Renda”. Na peça da prisão de Edson Menezes, o MPF afirma que a Remo Investments foi “utilizada para lavagem de capitais mediante a remessa não oficial de valores para o exterior” e para a realização de operações dólar-cabo” dos operadores de Cabral, os irmãos Marcelo e Renato Chebar.

A licitação promovida por Cabral para que um banco administrasse a folha do funcionalismo vencida por Edson Menezes, pela qual pagou propina ao ex-governador é de 2008/2009. Coincide rigorosamente com o ingresso do ex-cartola do COB em uma outra empresa offshore no Panamá, a Eylac Corporation.

A empresa consta como tendo sido aberta em 1995. No entanto, a entrada de Edson Figueiredo Menezes é do dia 7 de novembro de 2008, como mostram os documentos obtidos pela Agência Sportlight de Jornalismo Investigativo.


É comum em offshores panamenhas a compra de empresas já abertas. Na verdade, abertas por operadores locais para já estarem prontas para estrangeiros, como no caso de Edson Menezes e a Eylac. Curiosamente, Edson Menezes deixa a Eylac menos de um ano depois, em 23 de junho de 2009, dissolução da empresa, que coincide exatamente com o período da licitação no Rio.


Edson Figueiredo Menezes também já foi sócio de outro recém preso na Lava Jato: Rodrigo Borges Torrealba, do grupo Libra. Os dois foram sócios da Dealing Comércio Importação e Exportação, aberta em 1991 e dissolvida em 15 de março de 2011.

O “Gigante” foi beneficiado no banco Prosper também com gêneros repasses do BNDES nos governos FHC e Lula.
Na época do escândalo do “Mensalão”, em alguns momentos, Edson Menezes chegou a estar no noticiário dos jornais. O banco por ele presidido vinha sendo beneficiado por generosos repasses por parte do BNDES. Os números chamavam a atenção. Antes disso, ainda entre 2001 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, tais repasses chegaram a um incremento de 493%.

Posteriormente, no governo Lula, a relação seguiu azeitada e particularmente próxima com então Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, quando os repasses chegaram a R$ 20,692 milhões somente de janeiro a julho de 2005, segundo reportagem publicada na Folha de São Paulo. Dois assessores do ministro foram contratados pelo banco. Ainda de acordo a Folha de São Paulo, em reportagem de 8 de novembro de 2005, a contratação dos dois pelo banco resolveu problemas para Palocci, já que os dois não haviam sido agraciados com cargos de destaque como pretendiam na administração federal e eram caixas-pretas no caso em que Waldomiro Diniz, assessor parlamentar de José Dirceu, aparece pedindo propinas ao bicheiro Carlinhos Cachoeira. Na ocasião, o banco se pronunciou afirmando que a contratação de ambos para consultoria não tinha qualquer relação com o ministro.

A defesa de Edson Menezes se pronunciou para a imprensa na manhã de hoje negando o envolvimento do ex-cartola no pagamento de propina para Cabral.

A expectativa agora é para saber se, além de operar para Sérgio Cabral, como é investigado, se eventualmente dinheiro ligado a Carlos Arthur Nuzman passou em seus negócios e offshores.

Lúcio de Castro
No SportLight

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