28 de ago de 2018

Bolsonaro cita ‘japa de 8 arrobas’ em dia de julgamento por racismo no STF

No dia em que a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) deve julgar se Jair Bolsonaro (PSL) vira réu por racismo, o presidenciável citou um "japa de oito arrobas", em referência à fala que motivou a denúncia.


Atualização: Voto decisivo, Moraes pede vista sobre acusação contra Bolsonaro. Caso deve ser retomado na semana que vem. Por ora, há dois votos a favor da denúncia de racismo contra o candidato e dois contrários

No dia em que a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) deve julgar se Jair Bolsonaro (PSL) vira réu por racismo, o presidenciável citou um “japa de oito arrobas”, em referência à fala que motivou a denúncia.

Em visita ao Ceasa, Bolsonaro respondeu a uma pergunta de um homem de ascendência oriental na plateia sobre pena de morte nesta terça (28. “No Japão tem pena de morte. Tinha um japa gordo, de uns oito arrobas, que foi pego uns dez anos atrás botando gás sarin no metrô. Foi executado no ano passado”, disse Bolsonaro.

O candidato do PSL se referia ao ex-líder da seita Aum Shinrikyo, conhecido como Shoko Asahara, responsável pelo atentado com gás sarin no metrô de Tóquio em 1995, que deixou 13 mortos e 6.300 feridos. Ele foi executado em julho de 2018.

Na denúncia, oferecida em abril, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, acusa Bolsonaro por ter dito em uma palestra no Clube Hebraica do Rio, em 2017: “Eu fui em um quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas”. Bolsonaro também declarou que tais comunidades “não fazem nada”, “nem para procriador eles servem mais”.

De acordo com Dodge, o deputado tratou “com total menoscabo os integrantes de comunidades quilombolas. Referiu-se a eles como se fossem animais, ao utilizar a palavra arroba”. A procuradora cita outras falas da mesma palestra, nas quais Bolsonaro teria “incitado o ódio e atingido diretamente vários grupos sociais”, como indígenas, refugiados, mulheres e LGBTs.

Caso a denúncia seja aceita, será a terceira ação penal contra Bolsonaro. Ele já responde a outras duas, sob acusação de incitar o estupro por ter dito à deputada Maria do Rosário (PT-RS) que não a estupraria porque ela “não merecia”. O candidato frisou à plateia de comerciantes que não será julgado e que o processo no STF é mais uma “palhaçada” de Raquel Dodge.

Bolsonaro rebateu as acusações em tom exaltado: “Tenho um recado para o Supremo: respeitem o artigo 53 da Constituição, que diz que eu, como deputado, sou inviolável por qualquer palavra, opinião e voto meus”.

No Fórum

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.