12 de ago de 2018

Barroso e Cristovam no reino da hipocrisia


Augusto Nardes, o Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), relator do inquérito sobre as tais pedaladas, foi acusado de receber R$ 100 mil por mês dos esquemas de corrupção da Petrobras, que Dilma Rousseff tentou enfrentar.

A seção Radar, da Veja, informa que o desembargador João Pedro Gebran Neto admitiu a familiares que agiu fora da lei, ao desautorizar a decisão do juiz de plantão. Mas que sua intenção foi evitar o “mal maior”, da libertação de Lula. Esse era o mesmo álibi ao qual recorriam os torturadores do período militar para justificar suas brutalidades.

No entanto, mais uma vez o diáfano ministro Luís Roberto Barroso repetiu sua cantilena de fé no futuro do país. Disse que em seus tempos de estudante combatia-se a tortura e a censura. E, agora, combate-se a corrupção “dentro da lei”. É o chamado reinado da hipocrisia.

Para justificar sua visão poliana, analisa o país da Constituinte até hoje e comemora o fato de um dos feitos nacionais ter sido o da inclusão social. Trata-se de malandragem retórica. Há um país em construção da Constituinte até o golpe. E políticas de inclusão social que foram consolidados em regime democrático.

A outra etapa do país, pós-golpe, se caracteriza pela destruição das políticas sociais, das redes de proteção social e dos direitos individuais.

Mas Barroso, que defendeu com unhas e dentes a Lei do Teto, que jamais deblaterou contra os cortes na saúde e na educação, votou a favor do reajuste de 16% dos Ministros do Supremo. Indagado sobre esse contrassenso, explicou que a votação se refere exclusivamente ao Supremo e não ao Judiciário como um todo. Ótimo! Qual a razão, então, das associações de magistrados comemorarem o feito?

Ontem mesmo, o Ministério Público Federal anunciava o reajuste dos salários, sem mexer no orçamento. Ou seja, será à custa da redução dos serviços jurisdicionais.

Não leva o campeonato de hipocrisia porque à sua frente está o campeoníssimo Cristovam Buarque. Em seu Twitter, Cristovam – que votou a favor da Lei do Teto - dizia que o MPF, em vez de dar aumento de salários com contenção de despesas, deveria usar a contenção para garantir as bolsas estudantis.

Luís Nassif
No GGN

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