14 de ago de 2018

As três diretrizes da mídia para a eleição

Com o fechamento das coligações partidárias e o registro das chapas nesta quarta-feira (15), o Brasil ingressa de vez no debate sobre a sucessão presidencial. Serão apenas 55 dias de campanha, no processo eleitoral mais curto da história recente do país. Após o golpe parlamentar-judicial-midiático que depôs Dilma Rousseff e levou ao poder a quadrilha de Michel Temer e, ainda, da prisão política do ex-presidente Lula, o maior líder popular da história brasileira, a eleição é uma total incógnita.

Como irá se comportar a mídia monopolista, controlada por sete famílias, neste processo? Apesar dos abalos recentes no seu modelo de negócios, como indicam as cruéis demissões no Grupo Abril, a mídia segue com enorme protagonismo na sociedade. É o maior partido da direita, do capital, no Brasil.

Uma diretriz editorial ela já definiu. Não aceita, de jeito nenhum, a candidatura do ex-presidente Lula. A Folha golpista, em recente editorial, decretou – substituindo o Judiciário e pautando seus ministros – que o líder petista não deve ser candidato. Já a revista IstoÉ, que muitos chamam carinhosamente de QuantoÉ, estampou na capa da edição da semana passada que "Lula não poderá ser candidato". A Veja, o detrito de maré do império decadente da Abril, também já oficializou esta decisão. E o Grupo Globo, que de fato manda na mídia brasileira, faz de tudo para esconder Lula no cárcere de Curitiba. Transformou o ex-presidente em um desaparecido político, como na época da ditadura militar.

Uma segunda diretriz editorial também parece já definida. A mídia golpista vai de Geraldo Alckmin, o picolé de chuchu que não decola. Foi o que restou para ela, depois de várias tentativas de lançar outsiders. Nas suas redes sociais, a Veja até já estampou a foto do candidato tucano. O Estadão manifestou apoio em editorial. E a TV Globo evita dar destaque às inúmeras denúncias de corrupção contra o tucanato de São Paulo. Dersa, trensalão, merenda escolar e outras sujeiras são abafadas. Alckmin é um Santo – conforme seu apelido nas planilhas de propina da Odebrecht.

Já a terceira diretriz editorial ainda está confusa. A mídia golpista não sabe como tratar a sua mais famosa criatura, Jair Bolsonaro. O fascista foi chocado pela mídia, com sua criminalização da política e sua escandalização da violência no país. O medo e a insegurança projetaram politicamente o ex-capitão amante da ditadura, da tortura e do ódio. Para viabilizar a ida ao segundo turno do picolé de chuchu, a direita extremada precisará tirar do esgoto as sujeiras e inconsistências de Jair Bolsonaro. A indicação de Ana Amélia, ex-funcionária da Globo, para vice de Alckmin visa exatamente disputar o voto desta direita insana.

Mas se desgastar muito o fascista, a eleição tende a ser entre a direita e a esquerda. A mídia ainda teme esse cenário. Teme perder pela quinta vez uma eleição presidencial. Para ela, o cenário ideal seria o da disputa entre a direita extremada (Alckmin-Ana Amélia) e a extrema-direita (Bolsonaro-Mourão). As próximas semanas ajudarão a definir a terceira diretriz editorial do partido único da mídia. A conferir!

Altamiro Borges

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