10 de ago de 2018

Alvaro Dias insiste em citar Sergio Moro como possível ministro no debate da Band

Senador falou em combate à corrupção e corte de privilégios e foi lembrado por Ciro Gomes de que Moro recebe auxílio-moradia.


A participação do senador Alvaro Dias (Podemos) no debate da Band com os candidatos à Presidência, nesta quinta-feira (9), foi marcada por sua insistência em colar sua imagem à do juiz federal Sergio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância.

O senador tem dito que, se eleito, vai convidar Moro para assumir o Ministério da Justiça. Ele afirma, porém, que o assunto ainda não foi discutido com o magistrado.

A primeira citação ao juiz veio logo no início do debate.

Sorteado para responder à primeira pergunta do primeiro bloco, sobre combate ao desemprego, Dias teve um minuto e meio para falar sobre suas propostas, mas não tratou do tema. Preferiu focar em sua biografia e disse que fez um convite público a Moro.

"Vou continuar combatendo os privilégios e combatendo a corrupção, por isso eu já convidei publicamente o juiz Sergio Moro", afirmou.

Em outro momento do debate, Dias disse que "a Lava Jato é prioridade": "É por essa razão que eu disse que convido o juiz Sergio Moro para ser ministro da Justiça e continuar a limpeza", afirmou.

Depois, ao ser questionado por uma jornalista da Band sobre combate à corrupção, disse que transformaria a Lava Jato em "política de Estado permanente": "E para isso nós vamos convidar o juiz Sergio Moro para ministro da Justiça, mas não só ele, uma seleção de juristas".

Auxílio-moradia

No quarto bloco do debate, um jornalista da Band perguntou ao candidato Ciro Gomes (PDT) se o Brasil tem dinheiro para bancar decisão dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que aumentaram os próprios salários em 16,38%, de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil – a proposta ainda precisa passar pelo Legislativo. A resposta de Ciro deveria, pelo formato do debate, ser comentada por Alvaro Dias.

Ciro respondeu que a medida do STF era uma "imprudência profundamente acintosa". Dias, em sintonia com Ciro, defendeu corte de privilégios. "Tem que começar no andar de cima, eliminando os privilégios das autoridades brasileiras que provocam grande indignação na nossa gente, [como] auxílio-moradia."

Ciro não perdeu a deixa e lembrou que Sergio Moro recebe auxílio-moradia mesmo sendo dono de um imóvel em Curitiba.

"Só para fazer uma notinha de rodapé: o eminente juiz Sergio Moro, que tem prestado sem dúvida um bom serviço ao País, recebe o auxílio-moradia sendo proprietário de um apartamento em Curitiba", afirmou o ex-governador do Ceará.

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em fevereiro revelou que Moro recebe, desde outubro de 2014, auxílio-moradia no valor de R$ 4.378. Ainda segundo o jornal, o salário-base do juiz é de R$ 28.948.

O recebimento de auxílio-moradia por um juiz que possui imóvel na cidade onde trabalha não é ilegal, mas levanta a discussão sobre privilégios.
'Sergio Moro me conhece'

Na saída do debate, o senador disse a jornalistas que ainda não falou com Moro sobre o convite para o Ministério da Justiça em um eventual governo. "O que eu disse é que ele só tem que responder quando eu chegar à Presidência", afirmou.

Os repórteres, então, insistiram para que Dias respondesse se foi combinado com Moro que o nome dele seria explorado na campanha. "Esse é um problema nosso. Se eu tivesse falado, também não diria [para a imprensa]. Não falei com ele, mas, se tivesse falado, não diria."

Por fim, Dias foi indagado se a estratégia não causa constrangimento a Moro. "Tenho certeza que não. Ele me conhece."
E conhece mesmo. O elo entre eles é Joel Malucelli, investigado na Lava Jato, segundo o Ministério Público Federal, pagar propina para participar de obra pública.

Joel Malucelli é suplente de senador de Álvaro Dias, presidente estadual do Podemos no Paraná. Foi ele quem levou o cantor Fagner a Curitiba, em 2016, oportunidade em que os dois se encontraram para beber cerveja no bar do irmão de Carlos Zucolotto Júnior, aquele que, segundo Tacla Durán, pediu 5 milhões de dólares por fora para conseguir facilidades em acordo de delação premiada.

São da mesma patota ou panela.

No DCM
Débora Melo
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