30 de ago de 2018

Alckmin é candidato à reeleição ou a presidente? Brasil não é São Paulo

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/08/30/alckmin-e-candidato-a-reeleicao-ou-a-presidente-brasil-nao-e-sao-paulo/

Algum marqueteiro ou assessor precisa urgentemente avisar o ex-governador Geraldo Alckmin que ele não é candidato a mais uma reeleição em São Paulo, mas a presidente da República.

Alckmin passou metade dos 27 minutos da entrevista no Jornal Nacional na defensiva, ao responder às perguntas sobre as denúncias de corrupção envolvendo o seu governo e o PSDB, e a outra metade fazendo uma prestação de contas da sua administração em São Paulo, para falar das maravilhas do estado, o melhor do país em tudo.

O problema é que o Brasil não é São Paulo, e Alckmin não conhece o Brasil. Só vai lá em época de eleição para tirar fotos com chapéu de vaqueiro numa criação de bodes.

O que interessam ao resto do país as obras feitas em São Paulo?  No final, ainda listou as estações de metrô que vai inaugurar esta semana, como se os eleitores de outros estados soubessem onde fica a Chácara Klabin e se perguntando o que eles têm a ver com isso.

No tom monocórdico de sempre, escandindo cada sílaba, o candidato tucano repetiu todos os números e jargões dos debates e não conseguiu apresentar uma única novidade no seu programa de governo para o Brasil, declamando apenas siglas e estatísticas que não chegam a emocionar ninguém.

Não adianta dizer que vai repetir no Brasil inteiro o que fez aqui porque o orçamento federal não permite e, além disso, boa parte do eleitorado só viu metrô na vida até hoje nas propagandas do governo de São Paulo ou em filmes.

Deve ter despencado a audiência da Globo na terceira entrevista da série dos presidenciáveis que termina nesta quinta-feira com Marina Silva.

Bem que William Bonner e Renata Vasconcelos, para mostrar imparcialidade, tentaram apertar Alckmin como fizeram com Ciro e Bolsonaro, mas ele se manteve impassível o tempo todo, não vendo a hora do programa acabar.

Sobre os casos de corrupção, pulou como gato andando sobre brasas e repetiu platitudes:

“Não passamos a mão na cabeça de ninguém. Quem pagou paga pelo erro, quem for absolvido será absolvido”.

Beleza. Com a Justiça partidária e seletiva que impera no país, não poderia mesmo dizer outra coisa.

Como já aconteceu em entrevistas anteriores, o tucano saiu em defesa  de Laurence Casagrande, ex-presidente da Dersa e secretário do seu governo, que está preso, enumerando várias vezes as qualidades do auxiliar.

“Espero que amanhã, quando ele for inocentado, tenha o mesmo espaço na mídia. É uma pessoa correta”.

Ao longo do programa, prometeu várias vezes “empregos na veia”, com a multiplicação de obras de infraestrutura por toda parte, sem dar uma pista de onde pretende tirar os recursos.

E perdeu uma boa oportunidade para tentar desempacar nas pesquisas.

“Peguei o governo com 60 estações de metrô. Vou entregar com 89, mesmo em momento de crise”, gabou-se, como se isso fosse mudar o voto dos eleitores de Cabrobó do Norte e Pirapora do Bom Jesus.

Mas nem em São Paulo isso representa muita coisa, já que depois de governar o estado várias vezes, nos 24 anos de administrações do PSDB, está em terceiro lugar nas pesquisas no estado, atrás de Lula e Bolsonaro.

Nesta sexta, começa o horário eleitoral gratuito na TV, a grande esperança de Alckmin parae finalmente decolar na campanha.

Pela amostra da entrevista no JN, vai ser difícil.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho



Alckmin foi interrompido 19 vezes a menos que Boslonaro e 17 a menos do que Ciro


Apresentadores do Jornal Nacional, que foram tão incisivos em entrevistas com outros candidatos, "pegaram leve" com o tucano

As duas primeiras entrevistas do Jornal Nacional com presidenciáveis nesta semana foram marcadas pelos embates com os entrevistados e uma postura incisiva dos apresentadores que, em diversos momentos, falavam mais que os próprios candidatos. Não foi o que se observou, no entanto, na entrevista desta quarta-feira (29) com Geraldo Alckmin.

Fórum contabilizou o número de interrupções por parte dos apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos nas entrevistas. O tucano sofreu 17 interrupções, ao passo que Jair Bolsonaro sofreu 36 interrupções e, Ciro Gomes, 34. Ou seja, Alckmin foi interrompido 19 vezes a menos que o capitão da reserva e 17 vezes a menos que o pedetista.

Ao todo, Alckmin falou por 16 minutos e 17 segundos e Bolsonaro teve 16 minutos e 47 segundos de fala. O que falou menos foi Ciro Gomes (15 minutos e 20 segundos).

“Corrupção” ocupa mais da metade do tempo da entrevista de Alckmin no Jornal Nacional

Alckmin passou 15 dos 27 minutos da entrevista no Jornal Nacional tentando se esquivar das perguntas sobre denúncias de corrupção que pairam sobre pessoas de seu partido como Aécio Neves e Eduardo Azeredo e dezenas de quadros dos partidos que compõem sua coligação. "Diga-me com que andas que direi quem és"


Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à presidência, passou mais da metade do tempo da entrevista do Jornal Nacional, na noite desta quarta-feira (29), tentando se esquivar das perguntas sobre denúncias de corrupção contra pessoas de seu partido que o apoiam e que ele já apoiou e também de políticos dos partidos que compõem sua coligação.

A chapa do tucano é formada pelos partidos do chamado “centrão”, que na verdade representam a direita e a centro-direita brasileira. A primeira pergunta foi exatamente sobre a corrupção notadamente presente entre os políticos dessas legendas que apoiam Alckmin.

“É importante dizer que todos os partidos tem bons quadros. Tenho a mais respeitada senadora como vice, do Progressistas, a Ana Amélia”, ia dizendo o ex-governador quando foi interrompido por Bonner. “Mas e os investigados?”, indagou o apresentador.

“Mas os partidos têm bons quadros. Quem for investigado vai responder por isso”, tergiversou Alckmin, que teria sido identificado como “Santo” em uma das famosas listas da Odebrecht.

Renata Vasconcellos, então, lembrou que o PSDB, partido de Alckmin, apoia o PTC de Fernando Collor em Alagoas. Collor é réu da Lava Jato. Alckmin negou que apoie ou seja apoiado por Collor, mas foi desmentido por Renata momentos depois.

Quando a pergunta foi sobre seus correligionários Aécio Neves e Eduardo Azeredo – este condenado e aquele investigado por corrupção -, o candidato minimizou. “O Aécio não foi condenado. Ele está sendo investigado e vai responder na Justiça. O Azeredo está afastado da política há muito tempo”. A apresentadora ainda lembrou a Alckmin que ele mesmo já chegou a proferir, em entrevista, o ditado “diga-me com quem andas que direi quem és”.

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