2 de ago de 2018

Agora para valer

Nesta semana começa o processo formal das eleições, mas a sucessão presidencial que enche jornais e tempo de TV não recebe, a dois meses das urnas, a atenção dos eleitores. É raro constatar ou saber que o tema eleitoral motivou uma conversa. Bolsonaro está em evidência, sim: como pessoa, pela mentalidade tacanha, pela ignorância patética, às quais não faltam repúdio nem acompanhantes.

A nova etapa da sucessão começa com as convenções que, ontem, oficializaram a candidatura de Manuela D’Ávila pelo PC do B e seguem até domingo com a esperada aprovação de mais oito candidatos.

A primeira delas hoje mesmo, na convenção do MDB em Brasília, com todos os sinais de ser uma aprovação em que não se deve crer. A insistência de Henrique Meirelles dobrou o partido para aceitá-lo, não para assegurá-lo de apoio junto às bases partidárias. O ex-ministro da Fazenda acredita na força dos recursos financeiros, dezenas de milhões do próprio bolso, e da força de tal arma ninguém deve duvidar. Apesar disso, outros candidatos já contam com a colaboração de emedebistas, clandestina ou nem tanto.

Em menor proporção, o mesmo problema acomete a candidatura de Geraldo Alckmin, a ser consagrada, sábado, na convenção do PSDB em Brasília. Não há dúvida de que, se não começar em breve a prometida melhoria nas pesquisas, Alckmin perderá a fidelidade de bolsões do centrão recém-conquistado. E do MDB que Michel Temer ainda controla, com o improvável Meirelles só para os ingênuos.

Ainda no sábado, Álvaro Dias será oficializado pelo Podemos, uma candidatura que tem condições de aparecer, mesmo com as dificuldades do partido para o jogo maior. A Rede faz o mesmo com sua criadora, Marina Silva, e o Novo, com João Amoêdo. No domingo, o PRTB faz o de sempre com o Levy Fidelix, e o PPL terá João Vicente Goulart.

O caso especial será a convenção do PT, no sábado em São Paulo: apesar de tudo, o lançamento da candidatura de Lula. O que resultará daí não pode passar, por ora, de especulação barata. Certa é a complexidade da situação em que o candidato com farta maioria no eleitorado está sob risco de não ser registrado pela Justiça Eleitoral, no regime de democracia em que, como princípio, a preferência da maioria prevalece.

Às convenções seguem-se os registros. E a complexidade sai das hipóteses para a inquietante vida da realidade.

Brasileirada

Dos 91,2 milhões de "ocupados", 37 milhões estão se virando como possam, no que leva o farsante nome de mercado informal. Dos mais de 54 milhões que ficam entre os dois números, só 32,8 milhões são empregados pelo setor privado com carteira assinada. Essa vergonha, em levantamento do IBGE no final de junho.

Com a "reforma" da legislação do trabalho, que concedeu às empresas o uso de mão de obra sem vínculo empregatício, a probabilidade é de maior diminuição proporcional dos empregos com carteira assinada e respectivos direitos (os que sobraram da reforma).

Pequeno ou grande, o crime se oferece cada vez mais como alternativa.

Janio de Freitas
No fAlha

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