15 de ago de 2018

Abril dá mais um passo rumo à cova


Após demitir 800 pessoas, Grupo Abril pede recuperação judicial

O Grupo Abril, maior editora de revistas do país, ingressou nesta quarta-feira (15) com um pedido de recuperação judicial na Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A dívida total do conglomerado é de R$ 1,6 bilhão.

A informação foi publicada em primeira mão pelo colunista do jornal O Globo, Lauro Jardim, e confirmada pelo BuzzFeed News junto à Alvarez & Marsal, firma de consultoria que assumiu o comando executivo do grupo após a saída da família Civita.

De acordo com o comunicado do Grupo Abril, o pedido de recuperação judicial protocolado nesta quarta engloba todas as companhias operacionais do Grupo, incluindo a Abril Comunicações e as empresas de distribuição de publicações, agrupadas dentro da Dipar Participações, e de distribuição de encomendas Tex Courier.

O pedido de recuperação judicial ocorre nove dias depois que a empresa anunciou o fim de dez publicações impressas e digitais. O plano envolveu a demissão de ao menos 800 funcionários – a maior já registrada no mercado editorial brasileiro.

No comunicado, a Abril mencionou o encolhimento da semana passada, como "ampla adequação do seu portfolio de produtos buscando um equilíbrio econômico-financeiro."

Mas reconheceu que o movimento foi insuficiente para fazer face a "uma situação de instabilidade junto a seus credores e ações abruptas de restrição de seu capital de giro levaram o grupo a seguir pelo caminho da proteção judicial." A empresa afirma que continuará operando normalmente.

(...) A recuperação judicial é um instrumento para evitar a falência de uma companhia. É pedida quando a empresa perde a capacidade de pagar suas dívidas. Se o pedido for aceito, a Abril terá de apresentar à Justiça e aos credores um plano de como pretende pagar a dívida.

O plano tem de dissecar a parte contábil, produção, estoque e fluxo de caixa da empresa e, a partir daí, os credores informam se aceitam ou não a proposta. Aceito o acordo, o grupo passa a apresentar um balanço mensal para prestar contas ao juiz e aos credores sobre o processo de saneamento.

No balanço do grupo publicado em 30 de abril, a consultoria PricewaterhouseCoopers afirmou que existe uma "incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional" do grupo. A Abril e suas controladas fecharam 2017 com R$ 368 milhões no vermelho. Em 2016, o prejuízo já havia sido quase idêntico, R$ 367 milhões.

No CAf

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