3 de ago de 2018

A carta de Aécio e a resposta de Rogério Correia


Belo Horizonte, 02 de agosto de 2018

Caras amigas e caros amigos,

Nos últimos 30 anos, seja no Congresso Nacional ou à frente do governo do nosso Estado, dediquei minha vida a defender os interesses de Minas e dos mineiros.

Por isso, nos últimos meses, refleti muito sobre qual a melhor forma de contribuir para que Minas supere a dramática situação que enfrenta hoje e reencontre o caminho do desenvolvimento econômico e social vivenciado nos anos em que governamos o Estado.

Com o objetivo de ampliar o campo de apoio à candidatura que melhor atende ao projeto de reconstrução de Minas, a do senador Antonio Anastasia, informei a ele, hoje, minha decisão pessoal de não disputar, este ano, a eleição para o Senado, colocando meu nome como pré-candidato à Câmara dos Deputados, Casa que já presidi e onde, como líder partidário, à época do governo Fernando Henrique, ajudei a implementar algumas das principais reformas feitas no Brasil contemporâneo.

A gravidade da situação do nosso Estado exigirá uma bancada forte e unida na defesa dos interesses de Minas no Congresso e junto ao Governo Federal.

Estou certo de que poderei contribuir para isso. 

Não foi, como podem imaginar, uma decisão fácil.

Por um lado, porque todas as pesquisas realizadas até aqui apontam meu nome entre os mais bem avaliados na disputa para o Senado.

Por outro, porque estão vivas na minha memória as inúmeras manifestações de estímulo que tenho recebido de lideranças dos mais variados setores e de todas as regiões de Minas.

Mas tomo essa decisão com a responsabilidade daqueles que sempre colocaram os interesses de Minas acima de qualquer projeto pessoal. Os que me conhecem sabem que foi assim que sempre agi e assim continuarei agindo.

Meus amigos,

Todos conhecem os ataques violentos e covardes de que tenho sido alvo. Diariamente as falsas versões engolem os fatos. Mas apesar de todas as injustiças, estou seguro de que, ao final, a verdade prevalecerá e com ela restará provada a correção de todos os meus atos.

Até lá, estarei lutando para que a verdade prevaleça.

Farei isso, em respeito à minha trajetória política, à minha família e a todos que me levaram a conduzir o que muitos consideram o mais exitoso governo da nossa história recente.

E farei isso, especialmente, em respeito a todos aqueles que sempre me honraram com a sua confiança.

Continuarei minha caminhada com o mesmo entusiasmo e determinação, e movido pelo mesmo sentimento que, há tantos anos, me trouxe para a vida pública: o amor a Minas e aos mineiros.

Aécio Neves




Li com a atenção sua nota desta quinta 2 de agosto, na qual o senhor supostamente “abre” mão de uma candidatura quase que vitoriosa para o Senado, para disputar uma vaga na Câmara de Deputados. Data vênia, nada mais farisaico (no pleno sentido figurado da expressão).

Senador, se o senhor não é candidato à reeleição ao Senado, não é porque achou “melhor” concorrer a deputado federal, preocupado com a grave situação de Minas Gerais. É porque foi isso que lhe restou.

Para quem teve mais de 51 milhões de votos há menos de quatro anos, mais de 7,5 milhões de votos para senador em 2010 (ultrapassando seu candidato a governador à época – Anastasia –, que obteve 6,2 milhões de votos) e que, em 2006, obteve 7,4 milhões de votos (77% dos votos válidos para governador), sinceramente, sua notinha não explica nada.

Vamos ajudá-lo a esclarecer os reais motivos de sua “decida” para federal:

1) Sua dupla derrota em 2014, em Minas Gerais (sua e de seu candidato a governador da época) já era um sinal de esgotamento de um ciclo.

2) O flagrante de gravações suas com Joesley Batista e malas de dinheiro, com o primo, colocaram sua candidatura a senador num caixão.

3) O ódio destilado contra a democracia e contra o resultado das eleições de 2014 apareceu na sua inteireza, depois do escândalo com os donos do Friboi: era a expressão de alguém que não pensava no Brasil, em Minas e no povo. Somente em um projeto pessoal de poder e nas benesses que isso traria para si.

4) Finalmente, mas não menos importante: o senhor teria que lutar com uma mulher, uma guerreira, chamada Dilma Rousseff. Teria que se defrontar, diretamente, com o acerto de contas do golpe e com o “governo” ilegítimo que ajudou a construir, ceifando milhões de empregos, direitos sociais, trabalhistas e segurança com o futuro.

Sim, no Senado, além de maquinar o golpe de 2016, o senhor votou na contrarreforma trabalhista, que não só produziu desemprego, mas também precarizou o trabalho restante. Votou pela entrega do óleo do pré-sal, a preço de banana, para multinacionais do petróleo. Apoiou todas as demais medidas que afetaram negativamente nossa soberania e a vida do povo. Votou pelo corte de recursos para a saúde, para a educação e segurança.

E mais: seria digno assumir a outra verdade de sua decisão. O senhor busca um caminho mais fácil que lhe garanta alguma imunidade parlamentar. E outra: manter a devida distância da candidatura de Anastasia, cuja sina seria carregar a alça do caixão de uma periclitante candidatura ao senado.

Mas não pense que sua semiclandestinidade nas eleições, com a sua candidatura a deputado, está garantida. E que sua parceria com Anastasia vai ficar invisível. Não. O povo mineiro não é bobo.

Rogério Correia, deputado estadual PT-MG

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