31 de ago. de 2018

Mino Carta: "E se ganhar o candidato do Lula? O que pode acontecer?"


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A GloboNews explica por que a cassação de Lula no TSE deve levar Haddad ao 2º turno

A patota da GloboNews ouriçada com o julgamento de Lula no TSE
O Brasil é um filme ruim com spoilers ininterruptos.

Em seu afã de destruir Lula, a GloboNews pôs um time de “analistas” que sempre concordam entre si para explicar como o objeto de sua obsessão continua em primeiro lugar nas pesquisas, apesar das denúncias de corrupção na Lava Jato.

Os eleitores acreditam que ele está sendo vítima de uma perseguição da Justiça, diz Camarotti. Essa é a “narrativa” que emplacou.

A conclusão evidente, que ninguém ousou verbalizar, é que isso deve se repetir agora.

O TSE vai impugnar a candidatura de Lula porque a Globo assim o quer. E o que esperam que mude?

O que vai acontecer quando Lula anunciar seu ungido depois depois de mais um show de patacoadas no tribunal?

A ideia é matar dois coelhos com um tiro de canhão: a cassação do registro e o veto à participação na propaganda eleitoral.

A estratégia desesperada se assemelha à da “contagem de corpos” usada pelos EUA na guerra do Vietnã como prova de vantagem no conflito.

Massacres se seguiram, a opinião pública americana não comprou a balela o resultado final é conhecido.

Já prenderam Lula e ele continuou subindo nas pesquisas. 

dobradinha da Globo com o Judiciário presta um serviço enorme à campanha petista.

A GloboNews passa horas reclamando da onipresença de Lula no noticiário. Ora, quem pauta o noticiário são eles.

Barroso e Rosa Weber farão o malabarismo esperado para negar a ONU, após terem declarado num passado recente que o Brasil deveria cumprir decisões a que se obrigou pelo Pacto pelos Direitos Humanos.

A migração de votos é batata. Haddad é mencionado como opção de voto por 17,3% dos eleitores lulistas segundo a CNT/MDA.

No Datafolha, 30% afirmam que certamente seguiriam a indicação de Lula.

A maioria dos brasileiros não está “confusa”, como quer Marina Silva. Ela sabe o que está ocorrendo.

A “insegurança jurídica” não é culpa dos advogados de Lula, mas da perseguição insana.

É essa eterna aposta na estultice da população que provavelmente colocará Fernando Haddad no segundo turno.

Kiko Nogueira
No DCM
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Programa eleitoral de Lula que o fascista Barroso quer censurar


Assista ao programa eleitoral de Lula Presidente que Barroso tem medo que passe na TV. Mostre para os amigos, compartilhe. Curta a página de Lula e acompanhe nas redes sociais o movimento pela democracia e pela vontade do povo nas urnas. #LulaPresidente



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Barroso da Globo levou apenas 12 horas para analisar defesa de Lula


O ministro Luis Roberto Barroso, relator da candidatura a presidente de Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), analisou em apenas 12 horas os argumentos da defesa de Lula e as alegações do Ministério Público Eleitoral. 

Como mostra o sistema processual da Justiça Eleitoral, as manifestações da defesa de Lula e do MP chegaram ao gabinete do ministro Barroso às 23h34 dessa quinta-feira, 30. Às 12h58 desta sexta-feira, 31, a matéria foi incluída na pauta do TSE. 

Em seu voto, Barroso decidiu ignorar a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU e votou por negar o registro de candidatura de Lula. Em um discurso em que falou de "moral" e fez elogios à Lei da Ficha Limpa, ele disse que "decisões do Comitê têm caráter de recomendação e não possuem efeito vinculante".

Confira abaixo:

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Os receios petistas com a personalidade de Haddad

Teme-se repetição do filme Dilma Rousseff. Metamorfose Lula-Haddad-Lula-Haddad é desafio da propaganda que começa


Contra a vontade e os prognósticos de seus colegas de mercado financeiro, o economista-chefe de uma dessas empresas do financismo paulista, André Perfeito, da Spinelli, acha que o petista Fernando Haddad pode ganhar a eleição e aí fica com uma dúvida. “Imagine um empresário reunido com Haddad no [Palácio da] Alvorada. Ele vai se perguntar: quem é que manda, ele ou o Lula?”

A campanha petista de tevê e rádio que começa no sábado 1 vai de fato misturar tudo: Lula é Haddad, Haddad é Lula. É assim que o partido espera vencer mesmo com o ex-presidente preso. Preso mas líder nas pesquisas.

Entre os lulistas há, porém, gente receosa de Haddad logo esquecer que “é Lula”, caso triunfe. Temor de repetir-se o filme de Dilma Rousseff, que se distanciou do antecessor e acabou degolada. Para estes desconfiados, Haddad precisa aceitar desde já que Lula estará no poder, do jeito que for, preso ou solto.

Um dos desconfiados é Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula nos dois mandatos dele, secretário-geral da Presidência no primeiro de Dilma e um dos cabeças da campanha petista. Logo após Haddad ser ungido a plano B, em agosto, mandou uma carta a Lula com suas preocupações.

Um carta dura, segundo apurou CartaCapital, de teor baseado em relatos de petistas que trabalharam com Haddad na prefeitura de São Paulo, entre 2013 e 2016.

Haddad é centralizador como Dilma, por se sentir suficientemente inteligente, com mais certezas do que dúvidas, igual à petista. Assim como ela, Haddad é antipático à realpolitk. Não gosta - nem faz questão - de conversar com políticos, parlamentares, líderes de movimentos sociais.

Esse comportamento contribuiu, e muito, para o impeachment de Dilma, desprovida de aliados em número suficiente para escapar da forca na hora H. Uma atitude que também pesou na derrota de Haddad ao disputar a reeleição em 2016.

O marqueteiro da campanha presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB), Luiz Flavio Guimarães, o Lula Guimarães, se ofereceu para trabalhar de graça para Haddad na eleição de 2016, conta uma pessoa conhecida de ambos. Não deu certo, por questões internas do PT, daí ele foi para o tucano João Dória Jr., vencedor no primeiro turno.

Segundo esta pessoa, experiente em publicidade, Haddad tem a tendência de sofisticar suas falas, suas respostas, devido à inteligência e à personalidade. Ou seja, devido às razões da carta de Carvalho. Não é assim que funciona Lula, uma pessoa mais simples, mais dada ao contato pessoal.

Uma diferença existente, diz um membro do QG eleitoral petista, por uma questão de classe social. Haddad é filho da classe média, aluno e professor da USP, vaca sagrada da elite paulista. Dilma tem história parecida, estudou em colégio de freira em Minas Gerais, falava francês na escola.

Biografia distinta da de Lula, ex-metalúrgico, de Jaques Wagner, ex-sindicalista que era o preferido do ex-presidente para plano B, de Carvalho, seminarista na juventude que ajudou a criar a Comissão Nacional da Pastoral Operária. “O Haddad não tem perfil para radicalizar, se a gente precisar na campanha ou no governo”, afirma o integrante do comitê.

Por tudo isso, não será fácil a tarefa da campanha de mostrar ao eleitor que “Lula é Haddad, Haddad é Lula”. E ficará mais complicada ainda se o plano B quiser ditar o rumo das coisas, na visão daquela pessoa experiente em publicidade.

A transição de Lula para Haddad, afirma um membro graúdo do comitê petista, terá de ser feita com cuidado na campanha. O ungido precisa ser um espelho através do qual as pessoas vejam Lula.

Até aonde Haddad está disposto a aceitar a metamorfose?

André Barrocal
No CartaCapital
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Plano de Governo do Bolsonaro e o Desapreço à Democracia


Sabe-se que planos de governo são, em regra, cumprimento de formalidades eleitorais ou, quando melhor trabalhados, meras peças de campanha. Ocorre que, diante do atual quadro eleitoral, no qual o líder das pesquisas no cenário mais factível é um candidato cujas idéias conhecidas são assumidamente próximas do autoritarismo, o estudo de seu plano de governo faz-se importante. Se o senso comum diz que no mandato o presidente eleito não consegue aplicar o que promete durante a campanha, após ler o plano de governo do candidato Jair Bolsonaro, a esperança é que, caso eleito, o capitão da reserva não desminta essa ideia.

O jornalista José Roberto de Toledo publicou na página eletrônica da revista Piauí um artigo em que aponta o fato da palavra Deus constar 82 vezes no plano de governo bolsonarista. Muito embora possa estar conforme o preâmbulo do texto constitucional, com a infeliz menção a deus inserida pelo constituinte, não coaduna com o conteúdo da Constituição Federal, cujo texto destaca a laicidade do Estado. Sobre o conteúdo do programa, o referido jornalista destaca que o texto fora metade escrito por aquele alçado a uma espécie do primeiro ministro de eventual governo, o economista Paulo Guedes, enquanto a outra metade teria, pelas características, sido escrito pelo próprio Bolsonaro.

No entanto, enquanto esta última metade, escrita supostamente por Bolsonaro, revela-se antidemocrática por seu conteúdo, a metade referente ao programa econômico é problemática pelo seu pressuposto antidemocrático.

Na primeira parte, afora certa visão segmentada da realidade, com menções um tanto quanto ilusórias sobre a cor da bandeira brasileira ou a relação entre o número de homicídios no País e as supostas reuniões do Foro de São Paulo, o plano apresenta propostas que partem de premissas falsas ou apresentam soluções contraditórias com o próprio ideário do candidato.

Segurança pública

Para a segurança pública o candidato promete acabar com as progressões de regime e saídas temporárias durante o cumprimento de pena de prisão, o que já foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ocasiões anteriores. Portanto, trata-se de uma proposta com pouca probabilidade de aplicação.

Ademais, promete garantir ao policial, no exercício da função, o excludente da ilicitude. Ora, a não ser que o candidato esteja a sugerir licença para cometer crimes, os policiais já são beneficiados, quando no exercício da função, pelo excludente da ilicitude pelo atual Código Penal. Assim sendo, trata-se de uma proposta inócua, eis que visa estabelecer algo já estabelecido.

Por fim, misturando alhos com bugalhos, promete, ainda no tópico da segurança pública, retirar qualquer restrição à propriedade privada. Fica a pergunta se Bolsonaro também excluiria a possibilidade de desapropriação de terras utilizadas para plantação de psicotrópicos já prevista na Constituição Federal ou o candidato apoiaria o tráfico como forma de garantir a propriedade privada?

Vê-se que para a segurança pública, o candidato possui promessas inconstitucionais. Sejam inócuas por prometer algo que já existe ou contraditórias com seus próprios posicionamentos.

Educação

Para a educação, além da já conhecida verborragia sobre doutrinação e afins, sugere o incremento da modalidade de educação à distância e o não “veto dogmático”. Mostra-se desatualizado ante as recentes alterações normativas que, muito ao contrário de realizarem veto dogmático, tem flexibilizado bastante as regras para esta modalidade educacional.

No mais, o programa reflete o posicionamento já conhecido do candidato, repleto de pontos de exclamação e de atribuição da culpa de todos os males à esquerda ou ao comunismo, o que reforça ter sido o próprio candidato quem escreveu esta parte do plano.

Economia

Porém no âmbito econômico, a suposta tecnicidade do setor e a considerável concentração de poderes revelam a necessidade preocupação. Propõe uma concentração das pastas da Fazenda, Planejamento e Indústria nas mãos do futuro Ministro da Economia. Este todos já sabemos quem seria. Além disso, sugere que o Banco Central, muito embora formalmente independente, seja alinhado às diretrizes da pasta econômica.

O que se verá, na prática, é uma redução da pluralidade no campo de negociação das decisões econômicas. Ao contrário do que é comumente vendido como realidade, a diversidade de visões ministeriais no momento de tomada de decisões econômicas não serve apenas como cabides de emprego e do “toma lá dá cá”, mas também garantir que exista, mesmo que de forma mínima, um governo da economia e não apenas sua gestão.

A economia, em uma sociedade que se pretenda democrática, não pode ser conduzida por somente um ente com poderes de “posto Ipiranga” e a redução e concentração ministerial. Ainda que isso pareça vantajoso em uma primeira análise, pode agravar o quadro.

O que cotidianamente é tratado como uma consequência ruim do excesso de ministérios pode ser, de forma colateral, um ponto positivo, que é uma maior possibilidade de pluralidade de visões no momento de tomada de decisões econômicas. Mesmo ciente dos problemas práticos, sabe-se que cada ministro representante de um partido pode vir a defender alguns interesses. Esses últimos corriqueiramente podem ser os interesses das suas bases eleitorais, ainda que a novelização da política os retrate apenas como interesses escusos.

Se é notório o desconhecimento deste candidato em assuntos do campo econômico, ainda mais preocupante é sua intenção em delegar todas as decisões deste setor a um único grupo ou ministério. Um eventual governo Bolsonaro se assemelharia bastante ao que foi a ditadura chilena sob Pinochet: a economia entregue a técnicos para geri-la da forma como bem entenderem, enquanto o chefe de Estado controla o país também de forma antidemocrática.

Repetindo os clichês de sempre, votar é um ato extremamente pessoal e as pessoas são livres para depositarem sua confiança em quem bem entenderem. Esta eleição, dada a fragmentação do campo político, oferta um cardápio vasto ao eleitor, o qual pode decidir entre o liberalismo conservador do novo ao esquerdismo reacionário do PSTU, no entanto o ato de exercer o direito de “votar em Bolsonaro” revela uma contradição em termos.

Umberto Abreu Noce é Advogado, formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais e Mestre em Direito Público pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.
No Justificando
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Autora de livro citado por Bolsonaro dispara: “Pessoa sem respeito e desonesta”

“Bolsonaro inconscientemente queria divulgar meu livro sobre educação sexual”, diz escritora

Autora de 'Aparelho Sexual e Cia' critica o presidenciável após propagada negativa sobre sua obra.

"Eu acho que suas obsessões dizem muito sobre o que ele próprio tem na cabeça", argumenta

A escritora francesa Hélène Bruller não sabia que o seu livro Aparelho Sexual e Cia. (Le Guide du Zizi Sexuel, no original em francês) havia se tornado alvo no Brasil de uma verdadeira cruzada promovida por Jair Bolsonaro, candidato à presidência da República pelo PSL. Mas não se pode dizer que ela, que assina a obra com o suíço Philippe Chappuis (conhecido como Zep), tenha ficado propriamente surpresa: “Grupos extremistas católicos já tentaram proibir o livro e a exposição que foi feita a partir dele. Como sempre, aumentaram o sucesso da obra. Talvez eu devesse agradecê-los... Mas aí já é me pedir demais”, ironiza a autora, em uma entrevista por e-mail dada ao El País. Se os ataques de Bolsonaro à obra são uma espécie de reedição de algo que Bruller já viveu, a afiada ironia que ela usa para se referir às críticas de outros tempos tampouco muda quando ela é questionada sobre as declarações do capitão reformado do Exército brasileiro: “Eu acho que lá no fundo do Bolsonaro existe um pequeno garoto, o petit Jair, que teria adorado se, na sua infância, lhe tivessem dado de presente um exemplar de Aparelho Sexual e Cia", diz.


O livro de Bruller foi publicado pela primeira vez em 2001 e lançado no Brasil seis anos depois, pela Companhia das Letras. A obra está esgotada na editora brasileira e, por aqui, poucas pessoas sabiam de sua existência. Isso até a noite da última terça-feira, quando Bolsonaro mostrou o livro durante a tradicional rodada de entrevistas que os presidenciáveis dão ao Jornal Nacional. Ele sugeriu na ocasião que a publicação era parte do chamado kit gay —nome pejorativo dado ao Escola sem Homofobia, projeto de formação de professores para temas referentes a direitos LGBT. No horário mais nobre da televisão, Bolsonaro não se preocupou em dar dois esclarecimentos aos espectadores: o kit gay foi barrado pelo Governo Dilma Rousseff em 2011, sem nunca ter saído do papel; e o livro Aparelho Sexual e Cia. não fez parte do material produzido para o Escola sem Homofobia. Tem mais: o livro jamais figurou em algum programa do Ministério da Educação e apenas 28 exemplares foram comprados por um programa do Ministério da Cultura e distribuídos para bibliotecas públicas, nenhuma delas em escola.

Na manhã desta quinta-feira, Bolsonaro voltou à carga, desta vez afirmando que o livro “estimula precocemente as crianças para o sexo” e “escancara as portas da pedofilia”.

Com a palavra, Hélène Bruller.

Pergunta. Você sabia que o seu livro, Aparelho Sexual e Cia., estava sendo criticado por um candidato à presidência no Brasil?

Acabo de descobrir e me surpreendeu muito. O senhor Bolsonaro sabe muito bem que, ao dizer coisas ruins sobre o meu livro, ele aumenta consideravelmente as vendas. Então eu me pergunto: será que o senhor Bolsonaro quer divulgar o meu livro? Inconscientemente, eu até acho que sim. Eu acho que lá no fundo do Bolsonaro existe um pequeno garoto, o petit Jair, que teria adorado que, na sua infância, lhe tivessem dado de presente um exemplar de Aparelho Sexual e Cia ao invés de ficarem, com caras transtornadas, berrando e dizendo para ele: “Petit Jair, você vai para o inferno se se masturbar”.

O livro já foi alvo de críticas pela sua temática, seja na França ou em algum outro país?

Grupos extremistas católicos já tentaram proibir o livro e a exposição que foi feita a partir dele. Como sempre, aumentaram o sucesso da obra. Talvez eu devesse agradecê-los... Mas aí já é me pedir demais.

[A exposição à qual Bruller se refere, segundo uma nota enviada ontem pela Companhia das Letras, ficou em cartaz duas vezes na Cité des Sciences et de l’Industrie, em Paris, e viajou por sete anos por diferentes países europeus]

A Companhia das Letras, editora que lançou o seu livro no Brasil, disse que sugeria o livro para crianças que tinham entre 11 e 15 anos de idade...

Eu acho que a faixa etária não é um bom parâmetro. Há crianças de 12 anos que não têm a maturidade necessária para entender respostas sobre a sexualidade; enquanto que há crianças de oito anos que já pedem por essas respostas. Eu acho que é o papel dos pais olhar e folhear os livros para julgar se os seus filhos têm a maturidade necessária para lê-los.

Por que você quis fazer que tratasse de sexualidade para as crianças?

Quis fazer o livro que eu sonhava ter quando era uma criança. Não me importava nada as informações sobre sexualidade que, durante a minha infância, me chegavam nos livros: o nome dos hormônios, como se parece um feto na quarta semana de gravidez; ou mesmo as imagens de um parto. Aquilo tudo era sério? Eu tinha 12 anos! Naquela idade eu não tinha nenhuma vontade de parir. O que me preocupava de verdade era saber o que eu deveria fazer se um dia um menino me beijasse. Então eu decidi responder essas perguntas no livro para que outras crianças pudessem se tranquilizar.

Como você definiria o seu livro?

É um livro sobre o medo. Sobre o medo de virar adulto, o medo de viver a sua sexualidade — algo que muitas vezes os extremistas apresentam às crianças como algo sujo. A questão do livro não é dizer às crianças que a sexualidade é algo que diz respeito a elas hoje, mas sim dizer-lhes que a sexualidade será parte da sua vida adulta; e que assimilá-la de forma serena é a melhor maneira de vivê-la como algo saudável.

Na sua opinião, quais as consequências de simplesmente não tratar sobre sexualidade com crianças e adolescentes?

Eu acho que é preciso informar muito bem às crianças que peçam informação sobre sexualidade porque uma pessoa bem informada saberá se proteger, enquanto que alguém que vive na ignorância se torna uma presa fácil. Todo mundo sabe disso. Eu acho que é essa justamente a técnica dos extremistas — e dos pedófilos também: usar a ignorância para melhor controlar as pessoas.

Você disse na resposta anterior que a sexualidade não pode ser vista como algo sujo.

Considerar a sexualidade como uma coisa suja já é um verdadeiro problema em si. Por outro lado, se a sexualidade é percebida como algo bonito e saudável, por que não falar sobre ela com as crianças? E, além do mais, é preciso deixar de confundir “viver a sexualidade” com “falar de sexualidade”. É evidente que informar, trazer respostas, tranquiliza. E com isso você ajuda o jovem a decidir o melhor momento para viver, ele mesmo, a sua própria sexualidade.

E mais uma coisa: se ignoramos tudo, como podemos saber a diferença entre sexualidade e pornografia? Esse senhor, o Bolsonaro, nunca falou com mulheres sobre a experiência da sexualidade. Porque, do contrário, ele saberia que muitas jovens que foram casadas com homens sem ter qualquer informação sobre a sexualidade lamentaram essa união. Algumas se casaram com homens torpes, nunca conheceram o prazer ou sequer souberam que ele existe! Outras deixavam seus maridos realizarem certas práticas, como a sodomia, sem que elas necessariamente as desejassem. Tudo isso porque essas mulheres não sabiam que tinham o direito de dizer "não". É essa a vida que o senhor Bolsonaro promete às jovens mulheres brasileiras? Socorro!

O que você achou das acusações feitas por Bolsonaro de que o seu livro estimulava de forma precoce a sexualidade de crianças?

O senhor Bolsonaro pode dizer o que bem quiser sobre o meu livro. Com isso ele não consegue mudar o conteúdo da obra e eu acho que os brasileiros são suficientemente inteligentes para formarem eles mesmos suas opiniões sobre o livro. Há, no entanto, algumas particularidades muito claras da personalidade do senhor Bolsonaro: ele denigre o meu trabalho, então é uma pessoa sem qualquer respeito; e se sente no direito de usar o meu livro para sua autopromoção sem me consultar antes, então é uma pessoa desonesta. Não são as características que esperamos de um suposto representante da moralidade.


Agora o mais importante é a perversidade subjacente desse senhor: ele grita para quem quer ouvir que não temos que falar muito sobre a sexualidade, mas ele só fala disso. Eu acho que as obsessões do senhor Bolsonaro dizem muito sobre o que ele próprio tem na cabeça.

Ricardo Della Coletta | Sara González
No El País
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Ibope: Lula com 36% no segundo maior colégio eleitoral do país

Foto: Ricardo Stuckert
Entre os eleitores de Minas Gerais, o ex-presidente Lula apresenta 36% das menções, enquanto Jair Bolsonaro (PSL) tem 19%. Marina Silva (REDE) é citada por 6%, enquanto Alvaro Dias (PODE), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (MDB), João Amoêdo (NOVO) e Vera (PSTU) registram entre 1% e 5% das menções. Os candidatos Cabo Daciolo, do PATRI, Eymael, do DC, Guilherme Boulos, do PSOL e João Goulart Filho, do PPL, não chegam a 1% das citações cada. Neste momento, 16% declaram intenção de votar em branco ou anular o voto e 9% não sabem ou preferem não opinar. Nesta pergunta, um disco com o nome dos candidatos é apresentado ao entrevistado.


Quando Fernando Haddad é apresentado como candidato petista, Bolsonaro é citado por 22% do eleitorado mineiro; Marina Silva, fica com 11% das intenções de voto, Ciro Gomes com 9% e Geraldo Alckmin com 7%. As menções a Haddad somam 4%, enquanto os demais candidatos atingem até 3% cada. A proporção de quem têm intenção de votar em branco ou nulo alcança 26% nesta simulação e de quem não sabe ou não responde 13%.



No Ibope
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Brian Mier entrevista Sarah Cleveland, do Comitê de Direitos Humanos da ONU


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Horário eleitoral do Jair Messias


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O Tribunal da Globo começa a “executar” Lula


Daqui a pouco, começa a sexta-feira da vergonha no Tribunal Superior Eleitoral.

A Rede Globo exige-lhe uma solução rápida e final.

Leia-se: cassação do registro de Lula, proibição de que ele fale e até mesmo seja visto na propaganda eleitoral.

Os ministros que se virem para gaguejarem desculpas para ignorarem a determinação da ONU de que seja garantido o direito de Lula concorrer e de participar da campanha.

Luiz Roberto Barroso e Rosa Weber não ter de passar a vergonha de, depois de terem dito em outras ocasiões que o Brasil deve cumprir decisões a que se obrigou pelo Pacto pelos Direitos Humanos, que desta vez ele “não vem ao caso”.

Se não se anteciparem para cassar o registro, não ter de fazer outra pirueta: como impedir Lula de aparecer na TV e no rádio se o artigo 26 da Lei 9.504/97 diz. literalmente: “O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição”.

Só se disserem: nós somos ministros, deixamos, mas a Doutora Carolina Lebbos, carcereira de Lula, não deixa.

Ou adotarem a incrível tese do Ministério Público que, não se pode “desperdiçar” os custos do horário eleitoral gratuito com um candidato que é “inelegível”, embora este esteja no gozo pleno de seus direitos políticos.

É terrível ver a Justiça Eleitoral, criada para termos eleições limpas, esfregar-se na lama para impedir que se candidate – e até que se manifeste – o homem que tem, disparado, a maior preferência do eleitorado.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Pesquisa XP/IPESP: Rejeição a Bolsonaro chega a 61% e Haddad chega ao segundo turno

Apesar de liderar corrida presidencial em cenários sem o ex-presidente Lula, deputado é visto como pior presidente para o Brasil por 29% dos eleitores, maior taxa entre os candidatos


A poucos dias do início da campanha no rádio e na televisão, onde deverá ser alvo de ataques e terá pouco espaço para se defender, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) mantém a liderança da corrida presidencial nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas também vê sua rejeição atingir o maior nível já registrado. É o que mostra pesquisa realizada pelo Ipespe entre 27 e 29 de agosto, a 15° encomendada pela XP Investimentos. O levantamento, registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-07252/2018, ouviu 1.000 pessoas e tem margem máxima de erro de 3,2 pontos para cima ou para baixo.

Segundo a pesquisa, Bolsonaro manteve apoio de uma faixa entre 21% e 23% dos entrevistados, dependendo do cenário considerado. A maior taxa é registrada quando a candidatura de Lula não é considerada. Preso há quase cinco meses após ser condenado por unanimidade em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o petista está potencialmente inelegível em função da Lei da Ficha Limpa. Neste caso, Bolsonaro apresenta vantagem de até 10 pontos percentuais em relação ao adversário mais bem posicionado, no caso Marina Silva (Rede), com 13% das intenções de voto. A ex-senadora está tecnicamente empatada com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), com 10%, e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%.

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, atual vice na chapa de Lula e cotado como o favorito para substituí-lo ao longo da disputa, aparece com 6% das intenções de voto. O patamar é o mesmo da semana passada e 1 ponto percentual abaixo da máxima registrada em meados de agosto. Nesta simulação, ele está tecnicamente empatado com o ex-senador Álvaro Dias (Podemos) e o empresário João Amoêdo (Novo), nanico considerado a grande surpresa deste momento da corrida eleitoral - só no cenário espontâneo, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, ele conta com o apoio de 3%, mesmo patamar de Alckmin, Ciro e Marina, e atrás apenas de Lula (19%) e Bolsonaro (16%).

Haddad sobe para 13% quando seu nome é acompanhado da informação de que ele seria o candidato "apoiado por Lula" na disputa, ocupando, assim, a segunda colocação na corrida - 8 p.p. atrás do líder Bolsonaro. Neste caso, o petista aparece tecnicamente empatado com Ciro Gomes (10%), Marina Silva (10%) e Geraldo Alckmin (8%). Brancos, nulos e indecisos somam 28% nesta simulação. Quando Lula aparece como candidato, a taxa cai para 15%.

De acordo com o levantamento, a transferência de votos de Lula a Hadad, nesta simulação, é de apenas 32%, a mesma taxa da semana anterior. Como no momento o PT tem adotado a estratégia da insistência na candidatura de Lula, os esforços na transferência de votos a Haddad ainda não se intensificaram, embora o ex-prefeito já tenha começado a percorrer o País para difundir as ideias da campanha petista. No partido há controvérsia sobre quando a substituição de candidatura deve ocorrer. Legalmente, o prazo para isso ocorrer é até 17 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno.

Apesar de liderar a corrida presidencial nos cenários mais prováveis (sem Lula), Bolsonaro enfrenta uma crescente taxa de rejeição (confira detalhes abaixo), o que pode afetar seu desempenho em eventual disputa de segundo turno. A pesquisa XP/Ipespe também perguntou aos eleitores qual dos candidatos seria o pior presidente para o Brasil. Para 29%, a resposta seria Bolsonaro, ao passo que 23% apontam para Haddad e 9% para Marina Silva. O deputado só não é o mais indicado entre os eleitores de Alckmin e Álvaro Dias. Esta pergunta ajuda a indicar caminhos de um possível "voto útil" no primeiro turno e um efeito de veto a um candidato em eventual disputa de segundo turno.

Confira os cenários de primeiro turno testados pela pesquisa:

Pesquisa espontânea: sem apresentação de nome dos candidatos

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Cenário 1: com Lula candidato

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Cenário 2: com Fernando Haddad candidato pelo PT

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Cenário 3: com Fernando Haddad, "apoiado por Lula"

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Migração de votos de Lula: Cenário 1 para Cenário 3

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Segundo turno

Foram testadas sete situações de segundo turno. Em eventual disputa entre Alckmin e Haddad, o tucano venceria por 36% a 24%, com 40% de brancos, nulos e indecisos. A diferença chegou a ser de 16 pontos percentuais a favor do candidato do PSDB em três semanas.

Em uma simulação de disputa entre Lula e Bolsonaro, o petista aparece à frente, com 45% das intenções de voto contra 34%, acima do limite máximo de margem de erro de ambos. Brancos, nulos e indecisos somam 21%. Cinco semanas atrás, a vantagem numérica de Lula era de 6 pontos, o que configurava empate técnico. No início da série histórica, o deputado aparecia 2 pontos à frente, também em situação de empate técnico, já que, pela margem de erro (3,2 p.p.), o petista poderia até superá-lo.

Caso Bolsonaro e Alckmin se enfrentassem, a situação seria de empate, com ambos registrando 35% das intenções de voto. Brancos, nulos e indecisos somam 30%. A diferença entre os candidatos chegou a ser de 7 pontos percentuais a favor do parlamentar na quarta semana de maio, acima do limite da margem de erro de ambos. Em nenhum momento até aqui o tucano esteve à frente, embora esta seja a segunda vez em que eles aparecem empatados numericamente.

Em eventual disputa entre Marina Silva e Bolsonaro, o cenário também é de empate técnico, com a ex-senadora numericamente à frente por 37% a 34%. Brancos, nulos e indecisos somam 29%. O deputado esteve numericamente à frente nos dois primeiros levantamentos da série, realizados na terceira e quarta semanas de maio, quando a diferença chegou a ser de 6 pontos percentuais, também dentro do limite da soma das margens de erro. Os dois estão tecnicamente empatados nesta simulação desde a primeira pesquisa realizada, em maio.

Empate técnico também é observado na simulação de disputa entre Alckmin e Ciro, com o tucano numericamente à frente por 34% a 29%. A diferença, dentro do limite das margens de erro, é a mesma das últimas três semanas. Brancos, nulos e indecisos agora somam 37%. Na última semana de junho, os dois apareciam com 32% das intenções de voto. Já na primeira semana daquele mês, o pedetista esteve numericamente à frente por diferença de 3 pontos, único momento em que liderou, embora dentro da margem de erro.

Se Bolsonaro e Ciro se enfrentassem em uma disputa de segundo turno, o cenário seria de empate técnico, com o pedetista numericamente à frente com 34% das intenções de voto, contra 32% do parlamentar. É a primeira vez na série histórica que Ciro pontua mais nesta simulação. Brancos, nulos e indecisos agora somam 34%. Nos dois primeiros levantamentos realizados, em maio e abril, o deputado vencia a disputa com diferença superior à soma das margens de erro dos candidatos.

A pesquisa também simulou um segundo turno entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Neste caso, o quadro também é de empate técnico, com o deputado numericamente à frente por placar de 37% a 34%. O grupo dos "não voto" soma 29%. Apesar da vantagem a favor do parlamentar, esta é a menor diferença já registrada entre ambos. Em abril, Bolsonaro chegou a contar com gordura de 11 pontos percentuais.

Rejeição aos candidatos

A pesquisa também perguntou aos entrevistados sobre os candidatos em que não votariam sob nenhuma hipótese. Pela primeira vez desde que o levantamento começou a ser feito, em maio, Bolsonaro atingiu a marca de 61% e passou a liderar numericamente o ranking, em condição de empate técnico com todos os candidatos testados, exceto Álvaro Dias, ainda desconhecido por 31% dos eleitores. Lula oscilou 2 pontos percentuais para baixo, chegando aos 58% de rejeição, ao passo que Marina Silva manteve-se na taxa de 60%, seu maior patamar. Alckmin e Ciro têm 59%, 3 pontos a mais que Haddad, ainda desconhecido por 24% dos entrevistados. A trajetória dos principais nomes nas últimas sete pesquisas está na tabela abaixo:

CANDIDATO DE 16 A 18/07 DE 23 A 25/07 DE 30/07 A 01/08 DE 06 A 08/08 DE 13 A 15/08 DE 20 A 22/08 DE 27 A 29/08
Lula 60% 60% 61% 60% 60% 60% 58%
Jair Bolsonaro 53% 55% 57% 57% 58% 59% 61%
Marina Silva 57% 59% 59% 59% 60% 60% 60%
Ciro Gomes 59% 58% 61% 60% 59% 59% 59%
Geraldo Alckmin 58% 58% 60% 57% 59% 60% 59%
Álvaro Dias 47% 48% 47% 46% 48% 48% 48%
Fernando Haddad 56% 59% 58% 56% 54% 54% 56%
Fonte: XP/Ipespe

Metodologia

A pesquisa XP/Ipespe foi feita por telefone, entre os dias 27 e 29 de agosto, e ouviu 1.000 entrevistados em todas as regiões do país. Os questionários foram aplicados "ao vivo" por entrevistadores (com aleatoriedade na leitura dos nomes dos candidatos nas perguntas estimuladas) e submetidos a fiscalização posterior em 20% dos casos para verificação das respostas. A amostra representa a totalidade dos eleitores brasileiros com acesso à rede telefônica fixa (na residência ou trabalho) e a telefone celular, sob critérios de estratificação por sexo, idade, nível de escolaridade, renda familiar etc.

O intervalo de confiança é de 95,45%, o que significa que, se o questionário fosse aplicado mais de uma vez no mesmo período e sob mesmas condições, esta seria a chance de o resultado se repetir dentro da margem de erro máxima, estabelecida em 3,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo código BR-07252/2018 e teve custo de R$ 30.000,00.

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12 provas irrefutáveis de que Jair Bolsonaro é comunista

Jair Bolsonaro defendendo Hugo Chávez.
Foto: Reprodução/Estadão
Uma multidão de pessoas quer votar em Jair Bolsonaro para Presidente da República, argumentando que ele é o “único político anti-comunista”. Esse texto promove o JORNALISMO VERDADE ao desmentir essa falácia: o próprio Jair Bolsonaro sempre foi comunista, e isso é facilmente comprovado por documentos de diversas fontes:
Vamos aos doze argumentos que provam o comunismo de Bolsonaro:

1) Bolsonaro já fez lobby pela indicação de um comunista para o Ministério da Defesa: em 2002, Jair Bolsonaro queria que Aldo Rebelo fosse Ministro da Defesa. Curiosamente, o pedido do Bolsonaro foi atendido somente em 2015, provando que nesse tempo todo Bolsonaro permaneceu alinhado ao projeto comunista para o Brasil.

2) Bolsonaro já elogiou Hugo Chávez, dizendo que ele é “uma esperança para a América Latina”

3) Bolsonaro era apoiado pelo PCB e pelo PC do B, tendo sido proibido de entrar em alguns ambientes militares por isso. O serviço de inteligência do Exército percebeu que os comunistas queriam se infiltrar nas Forças Armadas através de Bolsonaro.

4) Mais do que isso: Bolsonaro já insuflou os comunistas contra o Exército.
Tem até documento secreto do Exército revelado em 2012 mostrando que as críticas do então capitão fizeram PCB e PCdoB mobilizar as bases.

5) Bolsonaro e a família defendem o Escola sem Partido.

O que eles não dizem é que a Escola sem Partido nada mais é do que a versão brasileira da Revolução Cultural Chinesa, que questionou os professores como autoridades constituídas da mesma forma, expulsando-os da sala de aula para dar autonomia aos alunos “contra a mente doutrinada dos professores”.

Desnecessário dizer que o Escola sem partido chinês foi feito pelo governo COMUNISTA de Mao Tse Tung

6) O partido do Bolsonaro se diz “social liberal” e ainda fez parte de governos petistas. Mais uma prova do comunismo mal disfarçado do sujeito.

“Ah, mas ele entrou agora”. Se não compactuasse com o comunismo liberal do PSL, teria feito o partido mudar de nome. O Cabo Daciolo, por exemplo, só ingressou no Patriota depois que o partido deixou de ser “Partido Ecológico Nacional” e ganhou um nome mais… patriota.

7) Bolsonaro faz charme hoje, mas era um apoiador declarado de Lula. Votou em Lula pra presidente em 2002 e chamava o petista de “companheiro” até sair do PP, que estava na base do governo Dilma, em 2015. Suas posturas “antipetistas” eram só piada.

8) Bolsonaro não só votou no Lula, mas apoiou o PT desde o governo FHC. Apoiou o PT em todas as pautas econômicas antiliberais na época do governo FHC. Paulo Guedes é só um fantoche usado para atrair incautos mesmo. Aliás, nem liberal ele é, como veremos adiante.

9) Nos EUA, Bolsonaro disse não ser um político de direita. Disse que associar o nome dele à extrema direita é “fake news”, que ele é mais alinhado ao Centro, praticamente uma reprodução dos discursos globalistas mundo afora.


10) Bolsonaro também já defendeu o COMUNISMO SOVIÉTICO de Putin em entrevista na Jovem Pan

11) Aqui o Bolsonaro diz com todas as letras que apóia OS ECOSSOCIALISTAS DO GREENPEACE“Quero o Greenpeace no meu governo, ajudando de alguma forma.”

Quer Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente.

E, nessa mesma entrevista, outra revelação avassaladora: como bom globalista/comunista, Bolsonaro não acredita na Terra Plana: “ Mas o mundo é redondo, né?”

12) Bolsonaro nunca se pronunciou contra a URSAL, apesar de ser amicíssimo que Olavo de Carvalho, provando que ele é à favor do projeto comunista para a América Latina.

* * *

DISSO OS SEGUIDORES DO BOLSONARO NÃO FALAM!

E tem mais um monte de prova por aí de que que BOLSONARO É SÓ MAIS UM COMUNISTA!

Duvido que alguém venha refutar provas tão consistentes!

Leonardo Rossatto
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Juíza quer inquérito sobre deputado italiano que ouviu Lula

Lebbos, amestrada por Moro


A Doutora Carolina Lebbos, numa decisão  “salada mista” que proferiu ontem, cuidou de limitar ainda mais o contato entre o ex-presidente Lula e o mundo exterior.

Cassou a autorização para que Gleisi Hoffman visite o presidente Lula na condição de advogada, alegando que ela está com o exercício da advocacia vedado, por ser senadora.

Fixou os valores que Lula terá de pagar para reparar os danos provocados pelos atos que Sérgio Moro não soube dizer quais foram, em sua condenação.

Quer um relatório da PF sobre as visitas dos perigosíssimos Leonardo Boff, Frei Betto e do monge Sato, líder do templo budista de Brasília.

E, sobretudo, horror dos horrores, quer que a Polícia Federal apure se o deputado italiano Roberto Gualtieri entrou na cela de Lula com gravador ou similar para registrar o que Lula respondeu na entrevista publicada pelo jornal italiano  La Repubblica.

Quem sabe mandam sequestrar, digo, conduzir coercitivamente o parlamentar italiano para esclarecer se levava um perigoso gravador…

Já disse aqui que falta apenas ordenar que Lula passe a usar a tal “máscara de ferro” de Alexandre Dumas.

Pouco, digo eu?

Bem pouco, pois estamos na iminência de ver o Tribunal Superior Eleitoral proibir a aparição e a manifestação, mesmo remota, de Lula na propaganda eleitoral que se inicia hoje.

O preso político tem de ser um “morto” político.

Com ONU, com tudo.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Minhas escolhas para a eleição

Na véspera do início da breve e assimétrica campanha na TV, um balanço de minhas escolhas para a eleição.

Primeira e mais importante escolha: o entendimento de que a eleição não vai resolver nossos problemas. É apenas uma entre muitas frentes de luta pela democracia e pelos direitos. Focar só nela é um caminho para a derrota.

Segunda escolha: sem deixar de enunciar com clareza minhas opções, não quero que, nesta página, a campanha eleitoral sufoque o debate franco e o escrutínio crítico sobre todas as candidaturas (seguindo o que anotou, faz umas semanas, o amigo Pedro Lula Gontijo).

Para presidente, voto em Guilherme Boulos e Sonia Bone Guajajara, pela promessa que a chapa do PSOL representa de renovação da esquerda brasileira.

No contexto também difícil da eleição para o governo do Distrito Federal, estou com Fatima Sousa.

Para o Senado pelo DF, a esquerda lançou (infelizmente) quatro candidatos. Estou inclinado a votar em um advogado e um jurista que têm lutado com destemor contra o golpe e os retrocessos: Marcelo Neves e Marivaldo Pereira. Marcelo ainda traz o bônus de limpar o nome da UnB, minha instituição, no Senado – já tivemos o saudoso Lauro Campos lá, mas agora quem nos desrepresenta é o ignóbil traíra.

Para a Câmara dos Deputados, vou votar no PSOL. É difícil que o partido consiga eleger um federal aqui no DF, mas contribuo para que o partido supere a cláusula de barreira e seus deputados eleitos nos estados possam exercer mais plenamente seus mandatos. Além disso, terei o prazer de votar uma vez mais em Maria José Maninha, uma referência permanente de coerência política e combatividade.

Mas, para quem prefere ver seu voto transformado mais diretamente em um mandato, recomendo a reeleição de Erika Kokay, parlamentar de comportamento irrepreensível na defesa das liberdades e dos direitos. Não posso deixar de anotar também a candidatura de Fernando Horta, companheiro aguerrido e infatigável na trincheira do antigolpismo.

Para a Câmara Legislativa a chapa do PSOL tem chance efetiva de emplacar um deputado. Tenho acompanhado de perto a campanha de Fábio Felix, uma das esperanças da jovem política no DF, comprometido com múltiplas causas emancipatórias, e também a proposta inovadora do Mandato Coletivo 50555. Mas para os amigos que preferem votar no PT, indico duas mulheres de gerações diferentes, ambas firmes na luta: Arlete Sampaio e Hellen Frida.

Luis Felipe Miguel
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Recurso de Lula tem chance de ser aceito e ele deve concorrer, dizem professores

Foto: Ricardo Stucker
A Lei da Ficha Limpa afirma que uma pessoa condenada em segunda instância pode se candidatar se houver plausibilidade de que seja absolvida em recurso. E a ação de Lula ao Superior Tribunal de Justiça tem chance de ser vitoriosa.

É o que argumentam os advogados e professores Alamiro Velludo Salvador Netto e Juliano Breda, em parecer contratado pela defesa do ex-presidente no Tribunal Superior Eleitoral, feita pelo advogado Luiz Fernando Pereira.

O parecer é uma interpretação do artigo 26-C da Lei das Inelegibilidades. O dispositivo diz que o tribunal responsável por analisar recursos de réus contra condenações que os tenha enquadrado nas restrições da Lei da Ficha Limpa pode suspender a inelegibilidade de ofício. Para os professores, isso significa que a vedação à candidatura de condenados deve ser suspensa se o recurso contra a condenação tiver "plausibilidade". 

“O artigo 26-C da Lei Complementar 64/90 estabelece que o órgão colegiado do tribunal competente para a apreciação do recurso manejado (isto é, no caso em apreço, o Superior Tribunal de Justiça), poderá, em caráter cautelar, suspender a inelegibilidade sempre que houver 'plausibilidade da pretensão recursar', diz o parecer.

Plausibilidade

Segundo os advogados, para verificar a plausibilidade, o tribunal deve apenas reconhecer que não está diante de nenhum pedido totalmente inadmissível ou irrazoável.

A plausibilidade do recurso estaria em dois fatos. O primeiro é que existe um debate sobre se a punição no crime de corrupção depende ou não de se identificar qual ato foi em troca de qual vantagem. E a condenação do ex-presidente Lula fala em "atos de ofício indeterminados em troca de vantagens indevidas".

O segundo fator é a prescrição: “Há igualmente plausibilidade nas teses que sustentam a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva em relação aos delitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A redefinição do momento consumativo em ambos os delitos, em conformidade com a doutrina e jurisprudência brasileiras, acarretará a extinção da punibilidade do Recorrente”.

Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, a nove anos e meio de prisão. Mas o Tribunal Regional Federal da 4ª Região aumentou a pena para 12 anos, o mínimo para evitar a prescrição e garantir que o ex-presidente fosse preso.

Clique aqui para ler o parecer

Fernando Martines
No ConJur
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STF deverá declarar Lei Áurea inconstitucional

Está na hora dessa gente morena saber o seu lugar
Avança a reforma trabalhista, ao mesmo tempo que crava-se mais um prego no caixão do comunismo em nossa pátria, com a liberação pela Corte Maior da terceirização irrestrita, sepultando de vez a legislação comunista CLT, mostrando de forma ímpar que os grandes magistrados daquela Casa estão a serviço dos homens de bem e desse magnífico governo que aí está, fazendo jus a cada centavo do aumento a eles destinado.

 

Alvíssaras, mil vezes alvíssaras! O próximo passo agora, da magnânima corte será, indubitavelmente, rever a lei áurea, declarando a sua inconstitucionalidade, dado que, assim como a CLT, ela elevou o custo Brazil e afrontou a propriedade privada, sendo portanto, uma lei comunista que deve ser extinta.

Ergamos as mãos para os céus e agradeçamos os tempos maravilhosos que estamos vivendo.

Aleluia!

Prof. Hariovaldo
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Stf legitima padrão escravocrata de exploração


A aprovação da terceirização irrestrita dos contratos de trabalho pelo stf traduz a lealdade absoluta da suprema corte do país com os interesses estratégicos do golpe.

A decisão do stf espezinha o direito humano moderno, que concebe o direito de todo ser humano ao trabalho digno e decente, e cujas bases foram assentadas no Brasil por Getúlio Vargas em 1937, quando ele criou a CLT.

A decisão do stf propicia o aumento cavalar da mais-valia a níveis ainda mais escandalosos e num contexto de brutal desemprego e precarização dos direitos sociais, laborais e previdenciários dos trabalhadores.

A terceirização não compromete somente o presente do trabalhador. O futuro do trabalhador – ou seja, o direito a um regime solidário para a aposentadoria digna e decente – também ficará mortalmente alvejado por esta decisão infame e anti-civilizacional da suprema corte.

Em troca do aumento de 16% no salário e regalias nababescas que fazem do judiciário brasileiro o mais caro do mundo, o stf entregou a joia da coroa do golpe: incrustou no ordenamento jurídico do Estado brasileiro o padrão de exploração escravocrata do trabalhador.

O stf legitima, assim, um padrão escravocrata de exploração no Brasil.

Jeferson Miola
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Geraldo e a TV


É um não um caso raro de autismo político?

Nem 24 horas após suar sangue para sobreviver à entrevista ao Jornal Nacional, quando de novo passou longos minutos defendendo Laurence Casagrande, ex-secretário de Transportes de seu governo em São Paulo e ex-presidente da Dersa, preso pela Lava Jato sob suspeita de corrupção nas obras do Rodoanel, Geraldo Alckmin foi ao Twitter para escrever a seguinte pérola.

– Nós [PSDB] não vamos para a porta da delegacia defender criminoso.

Na porta delegacia não vai – até porque a solidariedade do tucano não segue além da página 3.

Que o diga seu ex-vice, Cláudio Lembo, que assumiu o governo em 2006, quando Geraldo se licenciou para sua primeira disputa à presidência, e logo de cara enfrentou a rebelião do PCC impondo toque de recolher em todo o Estado.

Seis anos depois, em 2012, recepcionei Lembo num programa que dirigia na rádio Tupi FM. Ele chegou cedo e ficamos conversando. Contou coisas sobre Geraldo que até Deus duvida.

Em certo momento, meu chefe pediu educadamente para que eu fosse buscar o espelho do programa, com a nítida intenção de mudar de assunto.

Lembo me segurou pelo braço.

– Deixa o rapaz ouvir, é importante. Certas coisas precisam ser ditas para não caírem no esquecimento.

E então contou que foi tão humilhado pelo isolamento imposto por Geraldo que em diversos momentos pensou em renunciar.

– Só não renunciei para evitar uma crise institucional, disse.

A história do enfrentamento ao PCC, quando Cláudio Lembo sequer recebeu um telefonema do ex-chefe, nem para saber como estavam as coisas, é velha conhecida – foi matéria em todos os jornais da época.

São fatos que se não servem para explicar os motivos de Geraldo patinar nas pesquisas, ao menos ajudam a traçar o perfil do ex-governador que disputa pela segunda vez a presidência.

Para os militantes fãs, Geraldo é o gigante que, sozinho, vem carregando eleitoralmente o PSDB paulista nas costas desde a morte de Mário Covas, em 2001.

Os desafetos dizem que seu estilo de “jogar parado” transformou o partido em uma seção cartorial, onde a militância só é convocada para segurar bandeira nas caminhadas pela periferia e chancelar, nas convenções, as decisões que são acordadas nos bastidores, muitas vezes na madrugada anterior à votação.

Se vai carregar o PSDB nacional nas costas, ou naufragar de novo, vamos saber no domingo, sete de outubro. O que temos pra hoje é que Geraldo nunca foi tão Geraldo como nesta eleição.

Sozinho, percorrendo o país com sua maleta, vem sendo comparado por amigos ao mineirinho inocente que foi a Las Vegas, encarou o cassino pela primeira vez e revolveu apostar todo o seu dinheiro na roleta – preto 17.

– Talvez por timidez ou dificuldade mesmo de fazer articulação, ele jogou tudo na parceria com o Centrão para garantir o maior tempo de TV, disse ao DCM um aliado que prefere não se identificar. Se der certo, ok, tem chances. Caso contrário, desta vez seu destino provavelmente será o ostracismo político.

A campanha de TV começa nesta sexta. Como o mineirinho que foi a Las Vegas, o “filho pródigo” de Pindamonhangaba colocou todos os seus ovos na mesma cestinha, sem considerar as dicas de qualquer consultor meia-boca para diversificar e evitar o risco de perder tudo de uma vez só.

Se isso não é autismo político sinceramente quem tem de mudar de ramo sou eu.

José Cássio
No DCM
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30 de ago. de 2018

Inimigo da democracia, Bolsonaro ameaça o Brasil


Basta ter um mínimo de memória política, para reconhecer que o universo de preconceito e violência que alimenta a campanha de Jair Bolsonaro pertence a uma árvore genealógica conhecida, que produziu os piores ditadores que a humanidade conheceu em tempos recentes.

Ian Kershaw, o respeitado biógrafo do cabo austríaco Adolf Hitler, deixou uma observação definitiva sobre o personagem responsável pela Segunda Guerra Mundial, que matou 50 milhões de homens e mulheres no século XX. Ao contrário de lideres políticos tradicionais, explicou, Hitler não possuía um projeto de país nem um programa claro de governo. Toda sua ação era motivada por uma causa única - o preconceito - e o impulso mórbido para confirmar suas convicções de qualquer maneira, tentando castigar e eliminar povos inteiros, como judeus, eslavos e ciganos.

Ainda que seja necessário evitar comparações simplistas, as semelhanças estão aí para quem quiser ver. A incapacidade de Bolsonaro apresentar elaboração própria para resolver qualquer uma das grandes mazelas brasileiras é indiscutível e constrangedora e ajuda a explicar a presença cada vez mais destacada do Chicago Boy Paulo Guedes na campanha.

Responsável pela abertura dos salões da elite globalizada a um capitão considerado por muitos como tosco demais para ser levado a sério, Paulo Guedes faz o serviço político básico de eliminar qualquer vestígio de nacionalismo - mesmo retórico - no discurso de um candidato que, como militar, tem (ou deveria ter) na soberania nacional um item básico de formação. Como já observei aqui neste espaço, o economista anunciou a linha de política econômica de Bolsonaro ao declarar na Globo News, com toda clareza, que o projeto do candidato é dar continuidade ao mais impopular e entreguista governo de nossa história republicana: "Vamos fazer o que o Temer tem feito, só que mais rápido".

"Ele (Paulo Guedes) pode ser presidente do Brasil", diz uma capa de Veja (22/8/2018), confirmando seu espaço na campanha. Essencialmente, o economista tornou-se o fiador do compromisso estratégico de entregar ao setor privado nacional e principalmente internacional as estatais que representam a herança positiva do desenvolvimentismo do período militar. Esta operação envolve o repasse, em clima de liquidação, de empresas com desempenho regular, bom e mesmo ótimo em várias áreas. Como, na visão de Paulo Guedes, estatal é sinônimo de lucro, até uma doação pode ser considerada benéfica.

Depois de uma longa fase inicial de investimentos custosos e retorno demorado, boa parte das estatais chegou à fase do filé mignon, tornando-se alvo de cobiça compreensível e sem disfarce. No Brasil de 2018, a história se encontra neste ponto.

Há exatamente 40 anos, num seminário da antiga Gazeta Mercantil, os maiores empresários do país assinaram um manifesto no qual incluíam a privatização de estatais como sua maior reivindicação ao defender a democratização do país.

Entre vitórias, derrotas e muitos empates, o país tem resistido desde então. A cobiça econômica do andar superior da pirâmide permanece. Mas o compromisso com a democracia se enfraqueceu ainda mais, como demonstra a sustentação irresponsável a Bolsonaro, cuja campanha é marcada por manifestações permanentes de ódio ao regime democrático e seus protagonistas visíveis e obrigatórios - os pobres, as mulheres, os negros, os gays.

Nos 27 minutos de depoimento ao Jornal Nacional, em 28 de agosto, Bolsonaro deixou claro o apoio incondicional ao golpe militar de 31 de março de 1964, incompatível com os princípios legais em vigor no país desde a promulgação da Carta de 1988 - e que um presidente tem obrigação de cumprir e fazer cumprir. É preocupante mas coerente com a história do candidato. Os vídeos da lamentável sessão da Câmara, na qual se consumou o golpe que derrubou Dilma Rousseff, mostram um brilho estranho no olhar de Bolsonaro quando celebra a queda de uma presidente eleita como uma revanche para homenagear o coronel da tortura Carlos Alberto Brilhante Ustra. Essa é sua visão do curso da historia presente, entendeu?

Por trás da expressão "feia demais para ser estuprada" dirigida à deputada Maria do Rosário, não se expressa só uma ofensa patriarcal ou machista, mas também um impulso de morte, de quem tem ódio pelas mulheres, fazendo o possível para que sejam humilhadas em público. As manifestações de preconceito bruto contra brasileiros negros - maioria da população, alvo de uma opressão de três séculos - são tão visíveis que se tornaram objeto de uma decisão no STF, na qual sua chance de escapar de uma investigação necessária se concentra no auxílio de Alexandre Moraes, instalado na mais alta corte de país pelo amigo Temer - aliado não apenas em assuntos de política econômica, como se vê.

O retrospecto mostra que Bolsonaro faz o possível para enfraquecer a sempre frágil democracia brasileira há pelo menos 30 anos. Em 1988, quando o povo sequer havia recuperado o direito de escolher o presidente da República nas urnas, o capitão entregou à revista Veja o croqui de um atentado terrorista na adutora do Guandu e outros pontos estratégicos do Rio de Janeiro, segunda maior cidade do país. A revista não apenas publicou o esquema do atentado, esclarecendo que fora elaborado "de próprio punho" pelo capitão. Veja também escreveu que "sem o menor constrangimento, Bolsonaro deu uma detalhada explicação sobre como construir uma bomba-relógio. O explosivo seria o trinitrotolueno, o TNT, a popular dinamite. O plano dos oficiais foi feito para que não houvesse vítimas. A intenção era demonstrar a insatisfação com os salários e criar problemas para o ministro (do Exército) Leônidas Pires Gonçalves”, diz a Veja, que gozava de uma credibilidade impensável nos dias de hoje e era célebre pelas fontes na cúpula das Forças Armadas.

Embora o próprio Bolsonaro tenha desmentido a notícia, ele chegou a ser condenado em primeira instância. O episódio também está na origem de sua passagem para a reserva - não remunerada - quando deu início à carreira política como vereador, no Rio de Janeiro. Criando conflito com oficiais que sustentavam a democratização com Sarney, jogava ao lado daqueles que resistiam a todo esforço de abertura política.

O círculo se fecha na campanha de 2018, quando fez da segurança pública, alvo número 1 de sua retórica de candidato. Seu caminho é a violência. A resposta única de Bolsonaro se expressa numa encenação mórbida, na qual ele simula dar aulas de tiro a uma criança de colo, gesto que confirma a irresponsabilidade social e leviandade política.

Nenhum aprendiz de policial pode imaginar que, com armas na mão, homens e mulheres ocupados em pagar as contas do fim do mês e cuidar do futuro dos filhos, serão capazes de enfrentar bandos criminosos profissionais que infernizam as grandes cidades. Nossa violência policial produz uma safra de 60.000 mortes por ano, em sua maioria criminosos reais, potenciais ou suspeitos. O patamar é recorde mundial. Apesar disso, o saldo é uma violência que não para de crescer - o que apenas demonstra que é necessário procurar outros caminhos, a começar pela ampliação de oportunidades para milhões de brasileiros emparedados pelas dificuldades de uma sociedade tão desigual e injusta.

Nem mesmo nos Estados Unidos, a pátria da liberação de armas, acredita-se que a venda de metralhadoras pelo correio tenha alguma utilidade para elevar a segurança das pessoas. Pelo contrário. Traumatizada por tragédias frequentes, a população quer controle e mesmo proibição. O debate não avança, e nenhuma proposta chega a ser votada em função dos lobistas da industria de armas. Considerados os mais poderosos de Washington, eles financiam um Congresso submisso com verbas de campanha - fenômeno que o eleitor brasileiro conhece muito bem. Corrupção disfarçada, não tem nada a ver com a segurança dos cidadãos e suas famílias.

Conclusão: enquanto o candidato finge dar aula de tiro para crianças, sua campanha faz acenos de verdade para a indústria que busca um mercado de morte e violência para seus produtos.

Alguma dúvida?

Paulo Moreira Leite
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Um “desfecho rápido” para Lula


O dia 15 de agosto de 2018 foi a data limite para o registro das candidaturas à Presidência da República. No dia seguinte, a manchete do jornal O Globo, contudo, destacava outro tema: o pedido de rejeição da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva que a PGR realizou junto ao TSE.

Em um de seus editoriais [1] do dia 16 de agosto, o jornal foi claro: Lula se utilizava de todos os subterfúgios legais, carismáticos e discursivos para fortalecer a candidatura petista – ali chamada de “manobra” -, seja com ele, seja com Fernando Haddad como candidato a presidente. A partir de uma noção republicana de que a lei vale para todos, o jornal destacava que a rejeição da candidatura de Lula pela Ficha Limpa era certa.

No dia 18 de agosto, em uma de suas matérias de capa sob o título “Candidatos vão ao Nordeste em busca de eleitores de Lula”, o jornal O Globo afirmou que “se [o] petista for barrado, 10 milhões de simpatizantes na região dizem não ter um nome à Presidência”. Embora a matéria reserve algum espaço para a dúvida sobre algo que ainda não aconteceu ao empregar a partícula “se”, o editorial da página 2, intitulado “Eleição depende de desfecho rápido no caso de Lula” explicita o opinião do jornal: “o partido e aliados desrespeitam a clareza com que a Lei da Ficha Limpa torna inelegível o ex-presidente, por ter sido condenado em duas instâncias, nas acusações de corrupção e lavagem de dinheiro, no processo do apartamento do Guarujá.”

Para desqualificar o registro da chapa, O Globo chama de “golpe perfeito” aquilo que identifica como estratégia da candidatura: a prolongamento da discussão permitiria que a foto de Lula aparecesse nas urnas, “mesmo que a candidatura venha a ser cassada depois”, sendo substituída a liderança por Haddad. Assim, na opinião do jornal, teria lugar “um estelionato”: eleitores votariam na foto de Lula mas dariam o voto a Haddad.

Diante disso, o jornal urge para que o candidato seja impedido com rapidez e sugere “o dia 31, sexta-feira, como data-limite, por ser o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV”, completando que “o melhor para o Brasil é que tudo esteja resolvido até lá”. Nesse contexto, para o jornal, “não se pode perder tempo”.

Além dos editoriais, outro espaço a pedir com pressa a proibição da candidatura é a coluna de Merval Pereira. Segundo ele, “o bom senso manda” [2] que o impedimento seja resolvido até o dia 31 de agosto, para assim evitar que a campanha tenha início no rádio e na televisão. O jornalista afirma que “Lula, condenado em segunda instância, não pode concorrer à presidência da República” e defende claramente que essa decisão seja tomada o mais rápido possível, mesmo sem que um processo seja aberto.

No dia 21 de agosto de 2018, os resultados da primeira pesquisa após o início do período eleitoral foram divulgados pelo jornal, que fez questão de destacar que o candidato do Partido dos Trabalhadores é Fernando Haddad e não Lula. Já no corpo da manchete, o jornal pontua que Lula está inelegível pela Ficha Limpa. Quando acessamos a reportagem relacionada à manchete observamos que O Globo faz questão de noticiar junto aos dados, a manifestação do Ministério Público Eleitoral pela inelegibilidade do ex-presidente e reforçar que a decisão ainda será tomada pelo relator do caso no TSE, o ministro Luís Roberto Barroso.

No mesmo dia 21, a coluna [3] de Merval Pereira reagiu à recomendação da ONU de que Lula deveria ser candidato, não para comentar a decisão, analisando a razão de tal posicionamento do órgão, mas para destacar que durante os governos petistas recomendações também foram ignoradas e que o Comitê de Direitos Humanos, de onde a recomendação partiu, não teria poder de sanção. No dia 23 [4], Merval admite o favoritismo de Lula nas pesquisas, mas afirma mais uma vez que Lula não será candidato porque é inelegível pela Lei da Ficha Limpa e que não necessariamente conseguirá transferir seus votos para Haddad – destacando que o impacto será grande se o PT puder usar a imagem de Lula na campanha eleitoral. Novamente, no dia 24, o colunista dedica sua coluna a dizer que Lula não conseguiu transferir seus votos pra Haddad em 2016, pois o candidato não conseguiu se reeleger. Segundo Merval, “na eleição de 2010, Lula havia transferido para a desconhecida Dilma sua popularidade transformada em votos, mas é difícil encontrar líderes populares que, sem poder participar da campanha eleitoral presencialmente, tenham tido sucesso.” [5] O jornalista vai mais longe ao recomendar que a imagem de Lula não deve aparecer em lugar algum da campanha, reafirmando que, caso Lula seja impedido, seus eleitores estariam dispersos e não com Haddad, argumento que repetiu em colunas posteriores.

Outra narrativa que começa a tomar corpo é chamar o caso de fraude. No já mencionado editorial do dia 18, o jornal chamava de estelionato a insistência na candidatura de Lula com vistas a beneficiar Haddad. No dia 22, O Globo publica matéria [6] em que Ciro Gomes chama de fraude o movimento do PT. Na coluna do dia 24, Merval usa a expressão “propaganda enganosa”.

Praticamente não há espaço no jornal para discutir que, por ora, até que outras medidas sejam tomadas, a inscrição da candidatura de Lula foi realizada e permanece regular. Do mesmo modo, pouco se problematiza o fato de as pesquisas apontarem a liderança do candidato com ampla margem. A complexidade do caso, o processo contraditório da prisão de Lula e sua indiscutível liderança são aspectos menosprezados, de modo geral, pelo jornal que, ao lado de outros veículos, destaca o desfecho como dado e foca no cenário sem Lula como única realidade admitida para as eleições.

A candidatura do petista se tornou um inconveniente: ao mesmo tempo em que não há uma decisão oficial sobre o registro, o ex-presidente continua a liderar todas as pesquisas e a ser um fator decisivo na corrida eleitoral. Os prazos jurídicos parecem ter se tornado empecilhos para O Globo, que decidiu antecipar-se ao Judiciário, tomar uma decisão sobre Lula e construir sua narrativa própria sobre a eleição. Ao fazer isso, o jornal se antecipa não só aos ritos legais, mas à história; não apenas produz uma determinada narrativa sobre a política, mas pressiona e patrocina um desfecho político esforçando-se para mostrá-lo como o único possível.

Notas

[1] A vitimização de Lula na manobra da candidatura. O Globo, 16 de agosto de 2018, p. 2.

[2] PEREIRA, Merval. Derrotas sucessivas. O Globo, 18 de agosto de 2018, p.2.

[3] Não faça o que faço. O Globo, 21 de agosto de 2018, p. 2.

[4] Eleição aberta. O Globo, 23 de agosto de 2018, p. 2.

[5] Os problemas de “Andrade”. O Globo, 24 de agosto de 2018, p. 2.

[6] DANTAS, Dimitrius; LIMA, Maria. Marina e Ciro criticam PT por insister em Lula. O Globo, 22 de agosto de 2018, p. 8.

Juliana Gagliardi e Eduardo Barbabela
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