7 de jul de 2018

Sobre a candidatura Ciro Gomes


Retorno a um tema polêmico para a esquerda, a candidatura Ciro Gomes. No momento de escrita dessa análise, 04 de julho de 2018, o cenário e tendências que se apresentam podem ser resumidas a:

1 - O PT não irá apoiar Ciro, nem em primeiro nem em segundo turno e será oposição a o seu governo caso este vença as eleições, por razões que explicarei adiante;

2 - Ciro é um candidato com possibilidades de vencer a eleição, mas a vitória depende de sua capacidade de articular uma base política ainda no jogo pré-eleitoral, base que é importante para os apoios regionais à sua candidatura e para fundar um pacto político de apoio para a operacionalizar o seu governo.

3 - O Lulismo permanece vivo e é o maior capital político comprovadamente consolidado e já está imune às campanhas midiáticas anti-lulistas;
4 - Alckmin, Boulos, Manoela, Marina figurarão como coadjuvantes;

5 - Bolsonaro está no segundo turno.

Sobre as razões do PT optar por ser força antagônica a Ciro, essas se devem à prática política já consolidada do partido em se impor como (e de fato ser) força política hegemônica dentro da esquerda. A decisão de não apoiar Ciro vem de encontro a reforçar e manter essa posição, o qual deve permanecer com o PT, mesmo após o intenso ataque jurídico-midiático.

Uma escolha em contrário, de apoiar Ciro, colocar ia o PT a reboque de outras forças políticas e esse estaria, na prática, cedendo essa posição política obtida historicamente. A escolha acarretaria numa possível fragmentação e enfraquecimento do partido, com a perda da hegemonia dentro das esquerdas e grande risco desse virar um PSOL. Ademais, a luta em torno da candidatura Lula e de sua liberdade virou uma bandeira unificadora das esquerdas (em torno do PT e seu candidato) e será mote de campanha das candidaturas estaduais, majoritárias e proporcionais.

Ou seja, não apoiar Ciro é uma questão de sobrevivência política e identitária do Partido dos Trabalhadores.

Sobre Ciro, as possibilidades reais de vitória aumentam a propensão desse em fechar os acordos pré-eleitorais para assegurar a vitória e viabilizar um futuro governo. São esses acordos pré-eleitorais entre as forças políticas e quem elas representam que determinam a identidade política do futuro governo e não o caráter, as ideias, o alinhamento ideológico do candidato. Uma candidatura a presidente é como aquele boneco "cabeça de batata", vai tomando forma à medida que as alianças políticas são feitas, ou seja, a "cabeça de batata", ou o candidato, é apenas a base sobre a qual se dará a construção de algo. Exemplo claro disso é o que foi a candidatura Lula de 2002!

Da conjunção desses fatores, nasce uma candidatura e um possível governo que só podem ser viáveis à direita. A atual decisão do PT indica, com clareza de céu de brigadeiro, que esse será oposição a um eventual governo Ciro e sem o PT, partido que ainda deverá ter a maior bancada de esquerda, não é possível um governo com o mínimo de pauta à esquerda, pela simples constatação de inexistência de forças políticas substanciais à esquerda na composição de um eventual governo Ciro.

Ou seja, os pactos políticos que se engendram para um governo Ciro Gomes só lhe permitem navegar pelas águas de centro-direita, não havendo possibilidade de águas seguras para se navegar minimamente à esquerda. A experiência política de Ciro e de sua assessoria já sabem disso claramente. Assim, ele começa a dar meia-volta no discurso, antes com elementos à esquerda e agora rumando à direita.

Isso significa que Ciro é um oportunista ou mau caráter? Não sei, e não sei quem saiba, mas a força motriz dele é a mesma de todos os políticos, que é ser eleito e viabilizar o seu governo, realizando os acordos necessários conforme a conjuntura. Como já disse, Ciro é um "Cabeça de Batata" que está sendo construído, o candidato em si é só um porta-voz ou relações públicas das forças e acordos políticos que o elegem. De certo é que o braço esquerdo dessa batata foi amputado.

Disso, resta à esquerda a esperança do Lulismo conseguir se potencializar em votos em um candidato do PT, do qual concluímos que somos todos reféns.

Daniel Melo
No GGN

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