4 de jul de 2018

Racistas brasileiros exigem desculpas das vítimas


Esse episódio com o YouTuber, que está sendo defendido por alguns como "vítima de patrulhamento", é a repetição de um velho padrão: o da pessoa que faz/diz algo racista e logo passa a ser tratada como a VERDADEIRA VÍTIMA.

Não raro, as vítimas reais são levadas a se DESCULPAR.

Enquanto isso, portais informam que o "humorista" do Pânico que tinha personagem racista está "deprimido" por ser acusado de racismo. Ô dó.
‏Vítima de racismo na escola, menina é obrigada a pedir desculpa aos agressores. Não, não, não, não. http://t.co/5SooIGfsJT
A estratégia é antiga: ou os racistas se fazem de vítimas ou de "heróis em defesa liberdade de expressão". Exemplo: adicionou,

E perceber como Gentilli age como se fosse tremendamente corajoso por contar piadas ("piadas") racistas. Um Che Guevara do racismo.

Aliás, os racistas não só posam de vítimas como ainda incitam seus seguidores a atacarem aqueles que foram ofendidos. adicionou,

Danilo Gentili não só praticou o crime de racismo, mas incitou seus fãs a fazerem o mesmo: http://on.fb.me/SfYWqk 

Não é à toa que VEJA, Ali Kamel (diretor de jornalismo da Globo) e outros tantos adoram afirmar que "o racismo acabou": o que buscam é evitar perder os próprios privilégios, que sentem estar ameaçados pela simples evolução da sociedade.

Pior: não apenas dizem que "o racismo acabou" como sugerem que as minorias querem "privilégios". 

Ora, considerando os INÚMEROS casos de jovens negros executados pela polícia apenas por serem negros, só posso supor que este "privilégio" seja o de poderem chegar à idade adulta.

Casos como o do YouTuber (de quem eu NUNCA havia ouvido falar, o que - numa tangente - aponta como estou por fora desse mundo) são exemplos mais óbvios, mas a característica mais cruel do racismo é a forma sutil com que é praticado todo dia, de tão impregnado na sociedade.

(Isso me fez lembrar também de como o racismo se manifesta até na tecnologia: a Polaroid, por exemplo, vendia câmeras na África do Sul que eram racistas por padrão de fábrica. Sim, falei de CÂMERAS racistas: https://t.co/CsStRe8gc0)

Aliás, lembram do goleiro Aranha? Num jogo contra o Grêmio, em 2014, ele foi insultado pela torcida e uma garota foi filmada gritando "macaco". O que aconteceu a seguir? Um bando de imbecis misóginos decidiu atacar a garota e apedrejar sua casa. 

Não se combate um preconceito com outro - e o que os agressores queriam, na verdade, era qualquer desculpa para atacar uma mulher. Tanto que os vários homens registrados enquanto gritavam insultos racistas foram deixados de lado. 

E aí veio a perversão maior: o Aranha, que foi a VÍTIMA do incidente, passou a ser CULPADO pelos ataques à racista que o insultou. Jornalistas perguntaram se ele não iria se DESCULPAR.

Por sinal, o que aconteceu com a carreira do Aranha depois disso? Pouco depois, foi vendido para o Palmeiras, que o colocou em campo só UMA vez, mantendo-o na reserva a temporada inteira. Daí, foi vendido pro Joinville (série B) e agora no Avaí. +

Não estou dizendo, com isso, que Joinville e Avaí são clubes ruins (não acompanho futebol para poder afirmar isso), mas vejam a trajetória: eleito melhor goleiro do Paulistão 2008, sondado por vários clubes grandes, depois passou pro Atlético/MG e Santos. E aí veio o "incidente".

E sua carreira "coincidentemente" entrou em declínio. Por quê? Porque ousou levantar a voz contra o racismo que sofria. E por isso foi demonizado pela mídia e tratado como um "criador de problemas".

Mais uma vez é a vítima que recebe a punição maior.

Agora vejam: o tal YouTuber publicou tweets escancaradamente racistas por ANOS. Isso não o impediu de crescer na mídia e tornar-se famoso o bastante para receber vários patrocínios. Seus tweets odiosos apenas eram... ignorados.

Até que não foram mais. E ele virou "vítima".

(suspiro)

Pablo Villaça
No Esquerda Caviar

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