6 de jul de 2018

Qual será o objetivo da entrada da OTAN na América Latina?


Durante mais de trinta anos a existência de uma organização secreta, que parece mais uma teoria da conspiração do que real, foi ciosamente escondida por todos os serviços secretos europeus. Esta organização, denominada Operação Gládio, foi forjada na sua origem para estabelecer uma rede de armamentos e mais equipamentos para sabotagem, para numa suposta invasão da União Soviética. Esta organização tipo “stay-behind” (ou seja, que trabalha atrás das linhas inimigas) deveria, no caso de uma ocupação da Europa Ocidental por parte dos supostos invasores soviéticos, criar uma rede de informação e sabotagem. O nome Gládio, a espada curta que os romanos na antiguidade utilizavam, era do setor italiano, porém se vulgarizou para toda a Europa, a Operação Gládio era coordenada pela OTAN a mando dos Estados Unidos.

Como a invasão não ocorria e, nas décadas de sessenta e setenta, os partidos de esquerda autóctones e independentes da União Soviética firmavam posição, contestando tanto a ocupação militar Norte Americana em países como Itália e Alemanha como as intervenções militares dos Estados Unidos faziam por todo o mundo, principalmente no Vietnan. 

As manifestações anti norte-americanos ocorreram através de imensos protestos PACÍFICOS europeus. Para combater a contestação ao grande império a operação Gládio foi ativada para outros propósitos. A revelação desta rede de agentes “dorminhocos” primeiro foi descoberta por um juiz italiano, Felice Casson, que investigando um caso de um atentado a bomba de 1972, que estava também dormindo nos arquivos italianos, descobriu em 1984 um dos agentes desta operação, Vincenzo Vinciguerra, iniciou a revar que membros da Operação Gládio realizaram atos de terrorismo na Itália, tentando culpar extremistas de esquerda por estes atos.

O caso do juiz Casson foi devidamente contestado por todo o governo Italiano e pelas estruturas da OTAN. Tanto a OTAN como Estados Unidos encobriam a ação, tudo ficou como mais uma teoria da conspiração, até que em 24 de outubro de 1990, o primeiro ministro italiano Giulio Andreotti reconheceu publicamente a existência parcial da operação Gládio. Depois de Andreotti, veio de diversos países uma torrente de confirmações da existência da operação.

Porém a existência de depósitos de armas munições e explosivos para uma resistência a uma suposta invasão de outro país ou grupos de países, é ainda dentro da lógica militar algo até certo ponto desculpável, porém se voltarmos a origem da descoberta da Operação Gládio, a investigação de um juiz de um caso de ato de terrorismo que chegou a um dos componentes que denunciou a existência de uma cobertura institucional da OTAN a uma ação terrorista que matou policiais italianos, as coisas saem completamente do razoável e se tornam sem justificativa.

Na época da investigação do juiz Felice Casson, ele chegou ao militante de extrema-direita da organização terrorista Ordine Nuovo (Nova Ordem), que segundo o próprio terrorista mantinha ligações com a Operação Gládio, e neste período ocorreram diversos atentados de grande envergadura, culminando no massacre de Bologna em 2 de agosto de 1980, onde morreram 85 pessoas e foram feridas mais de 200. No momento dos atentados, sempre eram atribuídos estes a partidos de esquerda, porém ao investigar melhor ficou claro que este Massacre de Bologna e mais outros foram feitos pela organização nazi-fascista, Nuclei Armati Rivoluzionari.

Nas décadas de 60-70 existiram diversas organizações de esquerda que realizaram atentados, porém estes atentados, diferentemente dos de extrema-direita, tinham por alvo comandantes das forças de repressão, industriais e políticos, já os de extrema-direita tinham por objetivos estações de trens mercados públicos e outras regiões com aglomerações de pessoas normais, para servir o que se convencionou chamar, estratégia de tensão.

Estratégia de Tensão é uma forma de atentados terroristas, que são chamados de ações de falsa bandeira onde se tenta incriminar o lado oposto na gama de opções políticas, para provocar mais o fechamento do regime e a perseguição aos supostos grupos que fizeram o atentado.

No caso do Massacre de Bologna, o telefonema anônimo que atribuía a esquerda o atentado foi rastreado posteriormente e verificou-se que saiu de dentro do Serviço Secreto do Exército Italiano, o explosivo que foi utilizado, que num primeiro momento foi dito que era TNT por um perito ligado a extrema direita italiano, verificou-se que era na verdade um explosivo plástico de alta eficiência que era utilizado pelo Exército Norte-Americano e tropas da OTAN.

Saindo do histórico das intervenções da OTAN dentro do território europeu, vemos que a OTAN nos últimos anos se dedica a intervenções nos países do terceiro mundo algumas vezes de forma aberta e pública e outras vezes velada. Pública como na Iugoslávia e Líbia e velada como no caso da central de ação terrorista que a mesma mantinha em Aleppo apoiando o DAESH (ou o Estado Islâmico, denominação incorreta, pois não é Islâmico nem Estado) naquela cidade Síria.

A partir do descrito podemos inferir que a OTAN pretende entrar na América Latina, não para colocar grandes bases e interferir diretamente nas guerras locais, mas sim para implementar uma política da ESTRATÉGIA DE TENSÃO, ou seja, se após o golpe conseguir por fraude ou por outra artimanha colocar um presidente no Brasil, no momento em que começarem os protestos contra este presidente fantoche, SERÃO REALIZADOS ATENTADOS COMANDADOS PELA OTAN, que serão atribuídos a esquerda, permitindo que seja implantado um regime de exceção truculento contra o povo brasileiro.

Resumo:

A entrada da OTAN na América Latina será para coordenar e executar ações TERRORISTAS de falsa bandeira, para perpetuar os diversos golpes neste continente.

Rogerio Maestri
No GGN

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