16 de jul de 2018

Perícia encontra verdadeiro dono da propina da Odebrecht que a Lava Jato imputa a Lula


Uma perícia feita pela defesa de Lula no sistema da Odebrecht usado para comunicação de pagamentos de propina, o MyWebDay, teria identificado o verdadeiro "destinatário" de R$ 700 mil que a Lava Jato de Curitiba diz ter sido utilizado na reforma do sítio de Atibaia.

Segundo o Painel da Folha desta segunda (16), a defesa levantou com a perícia o "caminho" desses recursos e teria condições de provar que eles não foram endereçados ao ex-presidente.

A perícia será entregue ao juiz Sergio Moro em caráter sigiloso, pois o "documento atesta que o dinheiro da empreiteira atribuído à reforma no sítio de Atibaia teve, na verdade, outro destinatário."

"Os peritos contratados pelo petista dizem ter identificado o caminho dos R$ 700 mil que, para a acusação, saíram de contas da empreiteira para bancar reformas na propriedade. A perícia de Lula afirma que o dinheiro não foi usado no sítio", afirmou a coluna.

O caso do sítio de Atibaia é o terceiro processo que a Lava Jato em Curitiba instaurou contra o ex-presidente, que já foi condenado no caso triplex e também é réu na ação penal que discute se a Odebrecht bancou a compra de um imóvel para o Instituto Lula, bem como o apartamento vizinho ao petista, em São Bernardo do Campo, que foi alugado para sua equipe de segurança enquanto ele era presidente da República.

No GGN

De acordo com o laudo, o contador e auditor Cláudio Wagner analisou o sistema de contabilidade, MyWebDay B, e o de comunicação, Drousys, da Odebrecht. Também foi analisada a planilha disponibilizada pelo engenheiro e delator da empreiteira Emyr Diniz Costa Júnior, com a informação sobre a saída de R$ 700 mil do Projeto Aquapolo e que teria sido destinado para o sítio de Atibaia.

Segundo a conclusão do perito, no entanto, os valores não têm vínculo com a propriedade ou com o ex-presidente Lula. A perícia apontou que existem apenas registros de que o dinheiro saiu do Projeto Aquapolo, obras de saneamento do ABC Paulista, com destino ao próprio setor de propinas da empreiteira.

“Os registros comprovam que ele enviou valores ao departamento de operações estruturadas, todos sem nenhum vínculo com a obra de Atibaia discutida na presente ação penal e, ainda, sem a mínima vinculação desses valores com obras e/ou contratos da Petrobras”, diz o especialista.

Foi verificado, ainda, que a conta destinatária do valor desviado do Projeto Aquapolo teve como destino uma conta específica de Emílio Alves Odebrecht e as movimentações de transações específicas foram de interesses da família Odebrecht como fazendas, holdings e empresas offshores, que eram controladas por ele e por pessoas próximas.

“[…]Tudo administrado por pessoas próximas de Emílio que, conforme levantamento efetuados das iniciais contantes nos registros, podem ser Jicélia Sampaio, Marcia Gusmão, Raul Calil e Ruy Lemos Sampaio”, aponta o perito como possíveis destinatários. O perito observa que Ruy Lemos Sampaio, um dos administradores da conta, foi recentemente indicado para a Presidência do Conselho de Administração da Odebrecht.

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