13 de jul de 2018

O que quer Bolsonaro não é o “Velho Oeste”. É muito pior…


Ouço muita gente falar que Jair Bolsonaro quer a volta do “faroeste” como fórmula de “segurança pública”.

Lamento informar, mas não é. É algo muito pior.

Como, talvez, o ex-capitão, em seu ‘vasto’ conhecimento histórico, não saiba, transcrevo trechos de uma reportagem sobre como era o porte de armas nas cidades do chamado “Velho Oeste” que a minha geração conheceu nos filmes.

Em muitas cidades do velho oeste, o controle delas [das armas] era mais rigoroso do que é nos EUA de hoje. Tombstone, Deadwood e Dodge City eram as mais restritivas. Em 1870, quem chegava a Wichita, no Kansas, via placas com avisos do tipo “Deixe seu revólver na delegacia e faça um registro” ou “Você é bem-vindo, suas armas não”. Há imagens que mostram a entrada de Dodge City, em 1879,com um outdoor onde se lê: “O porte de armas de fogo é estritamente proibido”.(…)

Por isso, os homicídios eram raros. Em média, as cidades da fronteira registravam menos de dois por ano. Mesmo nas cidades grandes, a violência não era corriqueira. As cinco maiores cattle towns, vilas formadas em torno da criação de gado, contabilizaram apenas 45 homicídios entre 1870 e 1885. Em Abilene, uma das mais violentas, ninguém foi morto entre 1869 e 1870. Ellsworth e Dodge City foram as únicas a superar cinco homicídios por ano.

É melhor não usar argumentos diante das bárbaras declarações de Jair Bolsonaro ontem, no Pará, dizendo que criminosos ” não merecem lei, não; merecem é bala!”.

Como, ao contrário do que acontece até nos filmes de bangue-bangue, ele não quer oferecer nem mesmo “um julgamento justo” (em outros tempos isso seria quase um pleonasmo no Brasil, hoje é quase um paradoxo), pode-se dizer que, “macho” como é, o seu Jair vai sair por aí “mandando bala” em quem ele achar criminoso.

Como apologia do crime, exercício arbitrário das próprias razões, planejar explodir bombas em quartéis do Exército são atos criminosos, corre-se o risco de, eleito Bolsonaro e implantada a regra de meter bala em criminosos, corre-se o risco de termos o segundo caso de Presidente que se suicida.

Desta vez, por merecimento.

Fernando Brito
No Tijolaço

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