21 de jul de 2018

O inimigo veste toga


O novo presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, eleito recentemente em votação histórica, já entrou na linha de tiro do judiciário imperialista. Seu partido, Morena, foi multado em 197 milhões de pesos, sob uma torpe alegação, já característica dos sistemas judiciários da América Latina. A acusação é o partido ter apoiado com dinheiro as vítimas do terremoto que atingiu o país. Obrador denunciou a medida judicial como “una vil venganza”.

A sequência de ações judiciais contra as lideranças populares da América Latina evidenciam um esquema articulado desde os centros de poder externos. Já se fala em nova “Operação Condor”, apontando para a existência de uma ação comum na região. O que antes era planejado e executado por militares, fora e dentro dos países, agora é obra de togados. No Brasil, por exemplo, o golpe foi dado “com o o STF com tudo”.

Não precisa ser muito esperto para juntar os pontos da trama. Deram o golpe judicial-parlamentar no Paraguai, derrubaram Dilma e prenderam Lula, perseguem Cristina Kirchner, atacaram Rafael Correa e, agora, miram em Obrador. Por trás dos alvos, a destruição dos Estados nacionais e a rapinagem, em especial do petróleo. Onde tem resistência mais aguerrida, como na Venezuela e Nicarágua, apelam para o terrorismo.

Em algum momento, os interesses que tentam salvar o imperialismo do desastre anunciado confluíram para esta fórmula “mágica” – por necessidade e economia. A guerra do Iraque, com custo em torno de US$ 1 trilhão, não compensou o “investimento”. Tornou-se mais fácil e barato apelar para a espionagem, a cooptação, a captura e a chantagem. Assim, em menos de uma década, os judiciários nacionais foram corrompidos.

A “teoria dos fatos” demonstra que a luta deixou de ser paroquial, exigindo a superação da visão caipira do mundo. O Brasil está no centro da disputa geopolítica, assim como toda a América Latina. Os Estados Unidos foram derrotados na Síria pelos russos e a economia norte-americana e imperial está falida. A luta agora é nacional e antiimperialista para e defender as soberanias locais e impedir a rapinagem regional.

Na ditadura, hoje se sabe, o Pentágono, a CIA e os militares norte-americanos davam as cartas. Havia interlocutores, comandos dos dois lados e executares internos, preparados e treinados. No novo esquema, está ficando claro quem são os principais operadores internos capturados. Resta identificar o centro de comando, quem planeja, treina, articula e define os momentos das ações.

É urgente, portanto, assumir que a luta extrapolou os limites nacionais do Brasil, ou de qualquer outro país. É fundamental identificar e denunciar os “biombos” construídos pelo “estado ampliado” dos EUA, seus métodos de atuação. As diferentes articulações em cada país, seus principais operadores e a movimentação de seus agentes. A farda mudou de cor e de métodos de atuação.

Fernando Rosa
No Senhor X

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