1 de jul de 2018

Meirelles não passa por extremista porque não espuma como Bolsonaro

Henrique Meirelles, diz o jornal, gasta todo mês 250 mil reais do seu próprio dinheiro para tentar viabilizar sua candidatura presidencial. Está pronto a gastar mais. É uma ilustração cristalina de como, sem controle, os regimes de concorrência eleitoral tendem a se transformar em plutocracias.

Meirelles gasta com jatinho, jornalistas, marqueteiros e também uma fonoaudióloga para tentar melhorar sua dicção. Continua sendo um candidato ruim pra burro. Ele podia economizar seus milhões: com dez reais comprava um espelhinho, onde veria que esse negócio de disputar eleição presidencial não é pra ele. A "pré-campanha" de Meirelles é uma ilustração cristalina também do poder da auto-ilusão.

A mesma reportagem diz que o banqueiro encontra dificuldade para se colocar em "uma campanha presidencial nebulosa, esgarçada na radicalização entre direita e esquerda no país". É o discurso que está na mídia dia sim, dia também, ecoando (não por acaso) as iniciativas de FHC e seu séquito de "homens bons": a necessidade de encontrar um caminho no meio dos extremismos.

O "extremismo" é, de um lado, Bolsonaro. Do outro... Lula ou Ciro Gomes. Cito reportagem da Folha de sexta, sobre a aproximação de FHC com Marina: "O militar da reserva é um dos símbolos do radicalismo que a coalizão pretende atacar. Em outra ponta está o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Os dois e o ex-presidente Lula são vistos no movimento como donos de posicionamentos extremistas".

Na narrativa que a imprensa pretende impor, qualquer discurso que entenda que o golpe foi um golpe é "extremista". No entanto, as propostas de governo, sejam de Lula, sejam de Ciro, não vão além de um capitalismo um pouco mais civilizado e de um pouco mais de soberania nacional. O fato de que isto conte como "extremismo", no Brasil de hoje, mostra como involuímos na discussão política.

Na verdade, se for para analisar o que cada candidato propõe, Meirelles é bem mais extremista do que qualquer nome da esquerda brasileira, incluído Boulos. Meirelles, diz a reportagem, pretende explorar na campanha seu estágio no governo Lula, em que era o guardião de que o pacto lulista não sairia dos estreitos limites em que fora firmado. Mas, como muitos outros, com o golpe ele abraçou um projeto isento de intuitos conciliatórios. É o projeto do fim da proteção trabalhista, do fim dos direitos previdenciários, do congelamento do investimento público, da entrega desenfreadas de nossas riquezas. Como negar que se trata de um projeto extremista?

Meirelles não passa por extremista porque não espuma como Bolsonaro. Mas ele (e também Alckmin, a despeito de sua empolgação de cataléptico) representa um dos programas pró-burgueses e pró-imperialismo mais radicais que se possa imaginar.

Luís Felipe Miguel

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