20 de jul de 2018

Juntos, Ciro e Lula ganham no primeiro turno


Está na cara que a campanha presidencial, que ainda nem pegou no breu (começa com o horário eleitoral na TV) será uma luta de foice no escuro.

Petistas quebram a cabeça para tirar Lula da cadeia e garantir seu nome na urna eletrônica.

Pedetistas procuram alianças à esquerda e à direita, como baratas tontas.

O PSB corre, não se sabe para onde, dividido em quatro alas e várias ideologias, para todos os gostos, com tempero pernambucano ou paulista.

Meirelles acha que vai ser candidato. Renan repudia.

Comandante do Exército sabatina presidenciáveis.

Marina não acha nada.

Uma confusão dos diabos.

A direita parece ter se acertado formando esse Blocão em torno de Alckmin, a última esperança de que ele decole, reconhecendo que o maior partido, o PSDB é que deve ser a âncora do grupo que já foi Temer, mas agora foge dele como o diabo da cruz.

É bom frisar que a possível ascensão de Alckmin vai tirar votos de Bolsonaro e não de Lula no primeiro turno. Não por acaso, a campanha do ex-governador manda bala no candidato da ditadura militar, não no ex-presidente.

É bom que Alckmin suba, para tirar Bolsonaro do segundo turno. Se uma das vagas é da direita, como sempre foi desde 1989, melhor que fique com ele.

Agora só falta o MDB dizer o que vai fazer. O melhor, para Temer, seria aliar-se a Alckmin, mas Alckmin e as estátuas de Brasília sabem que seria o beijo da morte. Ir de Meirelles é um suicídio político. Senadores e governadores vão forçar a barra para aprovar a neutralidade, cada um faz a aliança que lhe aprouver em seu estado e salve-se quem puder.

A esquerda parece estar sem rumo em meio a essa barafunda.

Qualquer marciano que desembarcasse na Terra ficaria perplexo com tamanha balbúrdia, já que a esquerda tem o candidato que lidera todas as pesquisas de primeiro e segundo turno. O mais natural seria todos unirem-se em torno de Lula.

Mas qual. Partidos que sempre se aliaram ao PT e foram por ele alçados ao poder central, como PDT e PCdoB resolveram lançar candidatos próprios. O PSOL, costela do PT, também foi por aí. E adotaram o mantra de sempre: a gente se une no segundo turno.

A esquerda ainda não se deu conta de que não precisa esperar o segundo turno. Pode liquidar a fatura no primeiro. Bastaria Lula e Ciro se unirem. Uma chapa Lula-Ciro, não importa se Lula preso ou solto, criaria um fato novo que mudaria o rumo da campanha. Não importa quem seria o cabeça de chapa, importa que o golpe seria derrotado a 7 de outubro – que é o que toda a esquerda, ao menos, quer, não é mesmo?

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

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