22 de jul de 2018

Israel declarou-se estado de apartheid


O Knesset [parlamento israelense] aprovou nessa 5ª-feira uma lei muito controversa que define Israel oficialmente como pátria nacional do povo judeu e afirma que "a realização do direito de autodeterminação em Israel é exclusivo para o povo judeu", com 62 deputados votando a favor da nova lei, e 55 contra....
A lei do estado-nação também inclui cláusulas pelas quais uma "Jerusalém unida" é a capital de Israel; e o hebraico é idioma oficial do país. Outra cláusula diz que "o estado vê o desenvolvimento de assentamentos [são colônias (NTs)] como valor nacional e agirá para encorajar e promover o estabelecimento e a consolidação [de mais colônias]." 
"A lei, que tem status de lei básica (aproximadamente o mesmo de uma lei constitucional em países que têm Constituição escrita), foi aprovada na madrugada da 5ª-feira por 62 votos a favor e 55 contra, depois de horas de discussão e debates ferozes. Entrará em vigor logo que seja publicada no Diário Oficial do Knesset....
Numa cláusula que enfureceu os deputados árabes, a lei declara explicitamente que "o direito de exercer autodeterminação nacional no Estado de Israel é exclusivo do povo judeu." 
A lei determina a segregação: 
[parte da lei visa a promover o] "estabelecimento e a consolidação de assentamentos de judeus". 
Israel jamais definiu as próprias fronteiras. Apossou-se ilegalmente de toda a terra pública na Cisjordânia ocupada. Essa terra passa agora a ser garantida com exclusividade a colonos judeus: 
"Ao longo das cinco décadas de controle sobre a Cisjordânia, Israel demarcou como terra pública centenas de milhares de acres, e alocou quase metade disso para uso público. 
Mas apenas 400 desses acres – 0,24% do total da terra alocada até agora – foi destinada a ser usada por palestinos, segundo dados obtidos por um grupo que se opõe às colônias em terra palestina, e que recebeu informações solicitadas nos termos da lei da liberdade de informação. Cerca de 80% da população da Cisjordânia são palestinos.
O grupo Peace Now disse que os demais 99,76% da terra foi entregue para uso de colonos israelenses."

A população de árabes em Israel e territórios ocupados é igual [em números] à população de judeus israelenses. A alocação para "uso público" de terra roubada às populações nativas proprietárias legais, para uso exclusivo de imigrados judeus, já é uma de várias questões em que se confirma a discriminação por apartheid. Antes, o apartheid estava em contradição até com a lei de Israel. Agora, a criação de colônias exclusivas para judeus passa a ser exigência constitucional. A criação e a expansão acintosamente ilegais de colônias exclusivas para judeus em terra roubada dos palestinos passam a ser exigência da lei constitucional em Israel. Palestinos muçulmanos e cristãos passam agora a ter de pagar impostos para serem, eles mesmos, expropriados. 

Existe povo budista? Existe povo católico? Mereceriam ganhar nação e terra exclusivas só deles, por serem budistas ou católicos? Claro que não. Até a ideia é impensável. Judeus da Etiópia, da Índia, da Lituânia, do Irã e da Polônia têm ou aspiram a alguma mesma 'nacionalidade judaica'? Por que então constituiriam um 'povo judeu', nos termos do que estipula a nova lei?

É historicamente aberrante que um grupo de seres humanos que vivem em dúzias dos países da Europa Oriental passem repentinamente a se autodefinir como 'raça única', exclusivamente porque creem nos mesmos contos de fada religiosos. O conceito que agora é lei em Israel é o mesmo autodeclarado racismo que fermenta em governos nazistas e fascistas. A autodeclarada 'etnicidade' autodeclarou 'direitos' de posse sobre terras na Ásia Ocidental baseada em lendas sobre templos dos quais até hoje não se encontrou qualquer registro arqueológico.

Basicamente Grã-Bretanha, França e EUA são os estados que promoveram e continuam a apoiar, a favor de seus próprios interesses, esse sistema etnocrático, colonialista, imperialista e genocida.

É mais que hora de se pôr fim a essa aberração ilegal e imoral.

Moon of Alabama
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

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