20 de jul de 2018

Grande aliança golpista fecha com Alckmin para deixar tudo como está

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/07/20/grande-alianca-do-golpe-fecha-com-alckmin-para-deixar-tudo-como-esta/

Só o MDB, quem diria, ficou de fora - por enquanto, claro.

Todo o resto, tirante os partidos de esquerda, fechou com o tucano Geraldo Alckmin como candidato único do “centro”, o novo nome da direita brasileira.

Numa verdadeira “blitzkrieg” na quinta-feira, a grande aliança golpista do impeachment encontrou finalmente seu candidato, que vinha capengando nas pesquisas, e agora vai ter 40% de todo o tempo de TV na propaganda eleitoral.

O mercado comemora, a Bolsa deve subir e o dólar cair, após a guinada do poderoso “Centrão”, formado por Eduardo Cunha para derrubar Dilma Rousseff em 2016, e colocar Michel Temer em seu lugar, “com Supremo e tudo”.

A fina flor dos partidos fisiológicos de direita deu uma solene banana para Ciro Gomes, que os cortejava e, comandados por Valdemar Costa Neto, o Boy, dono do PR e condenado no mensalão, seus caciques foram todos unidos para o ninho tucano.

Valdemar foi o fiel da balança e indicou o vice de Alckmin, o empresário Josué Gomes, filho de José Alencar, vice de Lula nos dois mandatos do petista, e que também era cobiçado por Ciro.

De uma hora para outra, na semana em que começam as convenções partidárias para oficializar as candidaturas, o quadro clareou.

Se tudo der certo na estratégia do establishment, Alckmin será o ungido nas urnas para deixar tudo como está e depois ver como fica.

Para isso, o ex-governador paulista terá que entregar os dedos e os anéis ao “Centrão”, que comandará o Congresso, e manter as reformas da “Ponte para o Futuro” e todo o “legado” de Temer.

Diante da resiliência do explosivo Jair Bolsonaro, o candidato militar da extrema direita apoiado por parte da elite empresarial, Geraldo Alckmin se tornou o mal menor para a oligarquia, uma forma de manter o poder sem correr maiores riscos de mudanças bruscas.

Agora isolado e sem alianças, a Ciro Gomes, cuja candidatura foi oficialmente lançada na convenção do PDT nesta sexta-feira, só restará procurar abrigo na esquerda, onde tudo continua indefinido e congestionado à espera de uma decisão de Lula.

Sem o risco Bolsonaro, que também não fechou alianças e só tem 8 segundos na TV,  o mais provável neste momento é a ida de Alckmin para o segundo turno representando o “status quo”.

Ciro terá que disputar a outra vaga com o candidato indicado por Lula e não é improvável que se repita a disputa entre PSDB e PT, como tem acontecido nos últimos 25 anos.

Roda, roda, roda, e voltamos ao ponto de partida, sem grandes novidades no ano que seria o da grande renovação da política pós- Lava Jato.

Os candidatos inventados correram da raia e restaram os mesmos de sempre. De novo mesmo, só a patética figura de Henrique Meirelles, o candidato de Temer, que não passa de 1% nas pesquisas, mas insiste em conitnuar na disputa.

É bom não esquecer que tempo de TV ajuda, mas nem sempre decide: em 1989, quem tinha um latifúndio no programa eleitoral era Ulysses Guimarães, do velho PMDB, presidente da Constituinte e comandante das Diretas Já, que foi abandonado no meio do caminho e ficou com votação de nanico.

No fim, quem venceu foi Fernando Collor, o “caçador de marajás”, um “outsider” como é Jair Bolsonaro agora, mas acho que esse risco já não corremos mais.

A direita se uniu e a esquerda continua dividida. É o que temos para o momento.

Assim termina a semana, a menos de três meses das eleições.

E vida que segue.

Ricardo Kotscho

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