7 de jul de 2018

Gilmar: Lava Jato mostrou corrupção e golpe perto do Ministério Público


O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes criticou a “canonização” das ações da Lava Jato, principalmente em relação às decisões tomadas pelo juiz Sergio Moro, e disse que a operação acabou expondo uma parte do Ministério Público Federal que também está "suscetível" à corrupção e que até esboçou uma tentativa de golpe sob a gestão de Rodrigo Janot.

Em entrevista ao Broadcast do Estadão, divulgada neste sábado (7), Gilmar disse que a "canonização" da Lava Jato fez com que "qualquer decisão contra a ação do Moro" fosse "considerada antirrepublicana, antipatriótica ou antiqualquercoisa, o que é uma bobagem."

Essa exaltação fez a Lava Jato "pensar que era uma entidade, quis legislar, mudar habeas corpus e outras coisas. Depois se viu que eles eram suscetíveis a problemas sérios e que a corrupção estava ali perto, como o caso (do ex-procurador Marcello) Miller”, afirmou Gilmar.

Em sessões do Supremo, Gilmar também já chegou a citar outro escândalo envolvendo a negociação de delações premiadas, mas pelos procuradores de Curitiba, que estariam escolhendo os escritórios de advocacia com os quais aceitam conversar. Nessa esteira, a banca do irmão do procurador Diogo Castor de Mattos acabou assumindo a defesa de João Santana e Mônica Moura, ex-marqueteiros do PT.

Gilmar ainda criticou o uso da prisão preventiva pela Lava Jato e defendeu um reforço na lei de abuso de autoridade. 

Ele disse ainda que as ações da Procuradoria Geral da República sob Rodrigo Janot pareciam ter sido encampadas para "derrubar o presidente" Michel Temer. "Então foi a primeira tentativa de golpe que se fez em 30 anos vinda não de militares."

“Nenhuma operação dessas pode ser feita em menos de seis meses. Eles comprimiram para menos de três meses, pois o timing tinha a ver com a interferência do presidente na sucessão. Se foi esse o móvel, podemos falar que houve uma tentativa de golpe, e gestada no Ministério Púbico. É algo pensável e precisa ser esclarecido. Passadas as eleições, o Congresso vai reagir a isso”, disse Gilmar.

No GGN

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