26 de jul de 2018

Facebook não baniu páginas do MBL por fake news

O problema eram as contas falsas geradas para desinformar, o que infringe as normas da plataforma


Segundo o líder de Cibersegurança do Facebook no Brasil, Nathaniel Gleicher, a preocupação da empresa é manter um ambiente autêntico e seguro para todos os usuários. Por este motivo, as políticas de uso da rede social dizem que as pessoas precisam usar suas identidades reais na plataforma. “Como parte de nossos esforços contínuos para evitar abusos e depois de uma rigorosa investigação, nós removemos uma rede com 196 Páginas e 87 Perfis no Brasil que violavam nossas políticas de autenticidade. Essas Páginas e Perfis faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”, afirmou o cibersegurança. Cerca de 15 mil pessoas trabalham cuidando da segurança e revisão de conteúdo em todo o mundo e, segundo Nathaniel, a meta é chegar ao fim do ano com mais de 20 mil pessoas nesses times.

Conforme apuração dos Jornalistas Livres, as páginas e os perfis, grande maioria deles ligados ao MBL, Movimento Brasil Livre, foram banidos por infringirem as normas do Facebook e não por disseminar fake news, como foi noticiado pela chamada grande mídia na tarde de ontem (25). O Antagonista chegou a publicar a notícia falsa:
As políticas do Facebook não preveem remoção de conteúdos falsos, mas, sim, a redução de seu alcance. Os Padrões da Comunidade do Facebook detalham o seguinte:

“A autenticidade é o pilar de nossa comunidade. Acreditamos que as pessoas se responsabilizam mais pelo que dizem e fazem quando usam identidades genuínas. É por isso que exigimos que as pessoas se conectem ao Facebook com o nome real. Nossas políticas de autenticidade têm a intenção de criar um ambiente seguro em que as pessoas possam confiar e se responsabilizar mutuamente. Não envolva-se em comportamento não autêntico, que inclui criar, gerenciar ou perpetuar:

– Contas falsas
– Contas com nomes falsos
– Contas que participam de comportamentos não autênticos coordenados, ou seja, em que múltiplas contas trabalham em conjunto com a finalidade de:
– Enganar as pessoas sobre a origem do conteúdo
– Enganar as pessoas sobre o destino dos links externos aos nossos serviços (por exemplo, fornecendo uma URL de exibição incompatível com a URL de destino)
– Enganar as pessoas na tentativa de incentivar compartilhamentos, curtidas ou cliques
– Enganar as pessoas para ocultar ou permitir a violação de outras políticas de acordo com os Padrões da Comunidade.”

MBL faz escândalo para continuar inventando contas falsas

A página do MBL não foi excluída, mas a organização diz que outras páginas e perfis, que pertencem a eles, foram retirados por perseguição política e censura. O grupo dos “meninos liberais” está fazendo o maior escândalo nas redes sociais para ter o direito de inventar contas falsas e poder mentir sem punição. Na tarde de hoje (26) Kim Kataguiri, Fernando Holiday e mais meia dúzia de membros do MBL fizeram um protesto em frente a sede do Facebook, em São Paulo. O mais engraçado é que foi tudo transmitido pela página do líder do grupo, do Facebook. E tudo foi noticiado através da página oficial do próprio MBL, também no Facebook.   

Declaração do Facebook sobre o combate ao Fake News

“Durante o último ano e meio, temos trabalhado com afinco para combater notícias falsas por meio de uma combinação de tecnologia e análise humana, incluindo a remoção de contas falsas, parcerias com agências de checagem de fatos e a promoção de iniciativas de news literacy. Esse esforço nunca terminará e ainda temos muito a fazer. Hoje estamos anunciando diversas atualizações como parte deste trabalho:
  • Expandindo nosso programa de verificação de fatos para novos países
  • Expandindo nosso teste para verificar o conteúdo de fotos e vídeos
  • Aumentando o impacto da verificação de fatos usando novas técnicas, incluindo a identificação de conteúdos duplicados
  • Tomando medidas contra Páginas e domínios que disseminam notícias falsas além de suas fronteiras
  • Melhorando a mensuração do nosso trabalho e a transparência por meio de parcerias com acadêmicos
Expandindo nosso programa de verificação de fatos para novos países. Desde que lançamos o programa de verificação de fatos, já o expandimos para 14 países e temos planos de levá-lo para mais lugares até o fim do ano. Esses verificadores de fatos certificados e independentes classificam a precisão das matérias no Facebook, ajudando-nos a reduzir a distribuição de histórias classificadas como falsas em uma média de 80%.

Expandindo nosso teste para verificar fotos e vídeos. Um desafio na luta contra a desinformação é que ela se manifesta de formas diferentes dependendo dos tipos de conteúdo e país. Para enfrentar esse desafio, expandimos nosso teste para verificar fotos e vídeos a quatro países. Isso inclui imagens que são manipuladas (por exemplo, um vídeo que é editado para mostrar algo que realmente não aconteceu) ou retiradas do contexto (por exemplo, uma foto de uma tragédia anterior associada a um conflito atual diferente).

Aumentando o impacto da verificação de fatos usando novas técnicas. Com mais de um bilhão de conteúdos publicados todos os dias, sabemos que os verificadores de fatos não podem revisar cada história individualmente. Então estamos procurando novas maneiras de identificar notícias falsas e agir em uma escala maior.
  • Machine learning nos ajuda a identificar conteúdos duplicados de notícias já contestadas. Por exemplo, um verificador de fatos na França marcou como falsa a alegação de que é possível salvar uma pessoa sofrendo um derrame usando uma agulha para picar seus dedos e tirar sangue. Isso nos permitiu identificar mais de 20 domínios e mais de 1.400 links espalhando essa mesma alegação.
  • Além disso, vamos começar a trabalhar com nossos parceiros de verificação de fatos para usar a Claim Review, da Schema.org, uma estrutura de código aberto usada por várias empresas de tecnologia e organizações de verificação de fatos. Isso facilitará para os verificadores compartilhar avaliações com o Facebook e nos ajudará a responder mais rapidamente, especialmente em tempos de crises.
Tomando medidas contra Páginas e domínios que disseminam notícias falsas além de suas fronteiras. Historicamente, usamos classificações de verificadores de fatos para identificar Páginas e domínios que compartilham repetidamente notícias falsas. Em seguida, agimos reduzindo sua distribuição e removendo sua capacidade de gerar receita. Para ajudar a conter a interferência estrangeira no discurso público, estamos começando a usar machine learning para ajudar a identificar e reduzir o alcance orgânico de Páginas estrangeiras que provavelmente espalharão boatos com motivação financeira para pessoas em outros países.

Melhorando a mensuração do nosso trabalho e a transparência por meio de parcerias com acadêmicos. Em abril, anunciamos uma nova iniciativa para ajudar a fornecer pesquisas independentes sobre o papel das redes sociais nas eleições, assim como na democracia em geral. A comissão de pesquisa sobre eleições está no processo de contratação de equipe e estabelecimento de procedimentos legais e organizacionais necessários para se tornar totalmente independente. Nas próximas semanas, a comissão lançará um site e, em seguida, seu primeiro pedido de propostas de trabalho para medir o volume e os efeitos da desinformação no Facebook.

Atualmente, estamos trabalhando com a comissão para desenvolver conjuntos de dados com privacidade protegida que incluirão uma amostra de links com os quais as pessoas se engajam no Facebook. Os acadêmicos selecionados pela comissão poderão estudar esses links para entender melhor os tipos de conteúdo que estão sendo compartilhados no Facebook. Com o tempo, essa pesquisa validada externamente ajudará a acompanhar nosso progresso.”

No Jornalistas Livres

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.