28 de jul de 2018

Como funciona o Facebook


Como funciona a rede social de uma pessoa normal (tipo Fernando Horta), e como funcionava a rede social coordenada pelo MBL? E porque o Facebook já devia há muito ter retirado os perfis.

Veja-se que o Facebook não eliminou as páginas do MBL e de seus membros. O que ele fez foi anular os programas controladores e desativar os peers.

Primeiro, como funciona a rede social de uma pessoa normal?

Fernando faz uma postagem que passa na checagem primeira do Facebook (não tem fotos de mamilos nem tufos de pelos em partes pubianas). O algoritmo do Facebook então, como não conhece o Fernando, apresenta esta postagem para 5% dos amigos de Fernando. Estes 5% lêem e, após decisão pessoal, resolvem compartilhar. Se 100% dos amigos compartilham, o Facebook se sente confortável para apresentar esta postagem para, digamos, 20% dos amigos do Fernando, numa segunda rodada. Veja, no livre campo das ideias, onde o exercício da liberdade individual é plena, 100% das pessoas julgaram o conteúdo verossímil, interessante a ponto de o impulsionar.

Se na segunda ronda, aquela apresentada a 20%, novamente 100% (ou algo próximo a isto) compartilhar, isto indica ao Facebook que o conteúdo é importante e interessante. Se não houver denúncias ou reclamações, o Facebook vai reverberando o conteúdo em ondas a partir deste algoritmo. Por isto pessoas copiam os conteúdos em seus próprios perfis (ainda que dando créditos) para que esta reverberação aconteça em seus perfis e elas não fiquem apenas como repetidoras.

Por que isto? Porque a partir do momento que o Facebook "aprende" que o Fernando produz bons conteúdos, as publicações dele, na primeira ronda, não ficam mais apenas a 5% e já passam a 20% direto. De uma maneira geral, com a opinião individual e o "livre mercado das ideias", fakenews, ofensas, ódio e conteúdos fracos ou chulos não seriam impulsionados. Exatamente porque cada perfil é não só impulsionador mas, acima de tudo, crítico. Depois de muito tempo produzindo conteúdo o Facebook reconhece o Fernando e lhe dá algumas pequenas regalias. Por exemplo, o Fernando vê muito pouco anúncio e ainda que uma postagem ou outra seja denunciada, o Facebook "aprendeu" que são haters e simplesmente ignora. O Fernando pode, inclusive postar foto de mamilo ou algo do gênero, sem ser imediatamente tolido ou colocado na "geladeira". É a força do exercício da liberdade crítica de forna coletiva que, teoricamente, garantiria a qualidade e veracidade do que é impulsionado.

O que fazia o MBL e outros portais e sites?

O MBL produz uma fakenews ou um meme de ódio ou coisas demenciais do gênero. Mas NÃO produz originalmente em sua página, e sim num perfil falso que tem, digamos, 200 amigos. Todos os amigos são também perfis falsos e quando o Facebook apresenta para 5% (como fez com o Fernando) um programa que controla as ondas e os perfis replica em 100% daqueles 5% primeiros, dando ao Facebook a falsa indicação de que o conteúdo é verossímil e interessante.

Imediatamente o Facebook apresenta aquela fakenews para 20% do perfil original (como fez com o Fernando) e aí, nesta segunda onda a página do MBL replica. Os perfis falso vão replicar e aumentar a "nota de avaliação" da postagem, ludibriando o algoritmo do Facebook e, ao mesmo tempo, ganhando legitimidade. Afinal, algumas pessoas não têm capacidade para julgar a veracidade ou pertinência de um conteúdo, mas vão replicar se este conteúdo tiver sido replicado por várias pessoas de seus contatos. Efeito manada. Controlando estas ondas, o MBL cria perfis de "apoio" à narrativa falsa. São perfis falsos, geográfica e decisoriamente diferentes (não viajam pelos mesmos círculos, não curtem as mesmas coisas e etc.), a diferença dos perfis associado ao fato de todos replicarem sobe a "nota" da postagem, e o Facebook passa a oferecer para quem não está no círculo de "amigos".

Aqui o Facebook começa a ganhar dinheiro. Ao vender conteúdo que passou pelos cortes das ondas iniciais, o Facebook mantém o usuário preso na tela do computador e vende este tempo para empresas que queiram fazer propaganda.

Ao mesmo tempo, tendo passado pelos crivos (teóricos) da crítica individual e coletiva, aquele conteúdo adquire valor e o Facebook oferece a mais pessoas. Estas pessoas podem escolher "seguir" o perfil inicial gerador do material ou algum perfil grande replicador. E a bola de neve começa. Supostos bons conteúdos vão sendo apresentados e replicados em cascata, geram "tempo de tela" para o Facebook que, por sua vez, apresenta a mais gente "fora da bolha" e na próxima rodada o conteúdo será apresentado a 20% dos contatos. Mas estes contatos já não são mais 100 ou 200 pessoas. São milhares.

Do ponto de vista comercial, não há diferença para o Facebook entre a realidade e as fakenews. Elas geram tempo de tela. Um longo texto de filosofia, uma música ou um vídeo de gatinho podem prender o sujeito por 3 minutos na tela e é isto que o Facebook quer.

Ocorre que a política aprendeu a usar este sistema. As fakenews alteram a realidade das pessoas e o Facebook já mediu isto várias vezes. Há dois anos, eles fizeram experimentos e bombardearam milhares de pessoas com material que lhes causava medo, repulsa, ódio e etc. E viram que estas pessoas entravam em depressão. Da mesma forma, bombardearam outros milhares (sem que eles soubessem ou consentissem!) com conteúdos que lhes eram alegres, provocavam felicidade ou boas memórias e perceberam que este grupo era levado a euforia.

De posse destes números e destes dados, o Facebook sabe o que você gosta e como gosta. Então, cobrando um preço, ele é capaz de dizer quantas pessoas gostam de gatinhos e estariam dispostas a gastar em lojas de gatinhos. E oferece isto às lojas de gatinhos que investem x em propaganda e recebem um retorno y mensurado e previsto pelo Facebook. E assim com pizza, carro, viagens e qualquer coisa.

Acontece que a política descobriu que se você fizer uma fakenews de alguém maltratando gatinhos e passar exatamente para as pessoas que amam gatinhos, o resultado é um ódio e uma repulsa absurdas. Da mesma forma, se você criar um conteúdo associando o candidato x a um valor z e passar para pessoas que curtam este valor, o resultado é um aumento da legitimidade daquela pessoa. Pouco importa a verdade, o Facebook entrega a você o que você quer, ou o que você odeia, se alguém pagar suficientemente ao Facebook para fazer isto.

É assim que ele ganha dinheiro.

E é assim que o MBL também ganha. Falsificando o conteúdo, gerando ódio ou idolatria. Por isto eles precisam de centenas de perfis com milhares de conexões que levaram anos para serem montadas. Por isto que eles querem a estrutura de volta e não estão se importando com as suas páginas (que não foram derrubadas, diga-se). Na Europa e nos EUA as fakenews influenciaram decisivamente os resultados eleitorais. E eles avisaram ao Facebook que não tolerariam mais isto. Aqui, o resultado foi a prisão de Lula e o surgimento de um herói de cuecas e fascista.

No final, percebe-se que o MBL em nada defende a liberdade e que Zuckerberg deu uma tremenda lição no STF: com fascista não se conversa. Se proíbe, prende e processa. O Facebook será melhor sem o MBL e, se o país cair no fascismo, a conta é das onze excelências divinas e intocáveis que, pelas próprias existências, retiram a possibilidade de sermos uma república democrática. Se elas não fizerem o seu trabalho, de nada servirão e poderiam ser extirpadas.

Fernando Horta

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