6 de jul de 2018

Carta (resposta) ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva


Estimado Presidente Luiz Inácio Lula da Silva,

Li com muita atenção a carta que o senhor enviou ao povo brasileiro na última terça-feira (03/07).

Com todo o respeito, em “resposta”, venho lhe dizer, antes de tudo, que a maioria do povo brasileiro continua confiando no seu maior líder.

Não é sem razão, portanto, que Lula aparece em primeiro lugar em todas as pesquisas de opinião para Presidência da República.

Sim, Presidente, como disse em sua carta, “Chegou a hora de todos os democratas comprometidos com a defesa do Estado Democrático de Direito repudiarem as manobras” da qual Vossa Excelência é vítima, a fim de que prevaleça a Constituição e os princípios nela insculpidos.

Centenas de juristas sabem que o senhor foi condenado sem provas, tanto pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba quanto pelo TRF-4.

Tanto que várias obras e inúmeros artigos foram escritos por grandes juristas – inclusive estrangeiros – sobre o processo de exceção que lhe condenou.

É fato: o senhor foi condenado por um juiz “suspeito” e “incompetente”.

Também é fato: durante todo o processo o senhor foi tratado pelos agentes do Estado Penal como “inimigo”. E como tal, negam-lhe direitos e garantias fundamentais.

Com tantas injustiças, o senhor demonstra em sua carta – com toda razão! – descrença na justiça.

Sim, caríssimo Presidente, não há nada, absolutamente nada, mais revoltante e doloroso para o ser humano do que a injustiça.

A injustiça é a própria tirania, a iniquidade que desacredita as instituições e fere a alma.

Muitas vezes a injustiça é escancarada, vista por todos.

Outras vezes, sem ser vista ou percebida, a injustiça fantasia-se de legalidade, vitimando inocentes.

É o seu caso.

Nós sabemos que o senhor não cometeu crime algum.

Por isso, Presidente Lula, continuaremos lutando — jurídica e politicamente — para que a verdade prevaleça e vença.

Presidente Lula, vamos continuar também tendo esperança.

“A esperança”, como proclamou Santo Agostinho, “tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

Abraço fraterno,

Leonardo Isaac Yarochewsky

Leonardo Isaac Yarochewsky é advogado criminalista e doutor em Ciências Penais
No Viomundo

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