23 de jul de 2018

Assombroso


Não há outro termo para resumir os resultados da recente pesquisa presidencial do instituto Doxa em Minas (registro MG 08013/2018): um assombro. Preso em Curitiba e virtualmente inelegível, Lula abriu frente de dez pontos sobre todos os seus adversários e já vence com folga no 1º turno. É a primeira pesquisa registrada a mostrar Lula acima dos 40 pontos e com ampla maioria das intenções de voto no Estado. O ex-presidente chega a 41%, contra 31% dos outros somados; sua preferência é quase três vezes a do 2º colocado, Bolsonaro, que tem 15%. Marina e todos os outros aparecem na faixa de 6% a 1%: viraram nanicos.

O que vem aí

O trabalho de campo, com a coleta de 2.500 entrevistas domiciliares e nível de confiança de 95%, foi finalizado em 8 de julho, dia da guerra judicial em torno da soltura de Lula. Ou seja, captou os primeiros efeitos do imbróglio. Se os dados são indicativos de uma tendência, as próximas pesquisas devem encher a bola do ex-presidente. Há várias em curso no país. Três delas, feitas pelo instituto Vox Populi para o PT, saem a partir de hoje.

Enigma da urna

A transferência lulista virou um buraco negro na eleição. Um enigma a ser decifrado, forçosamente. E se a resposta não for correta, o candidato ou partido estará apostando no cenário errado. O problema é que esse enigma não é simples: as opiniões se dividem, as informações divergem. O Vox avalia que Lula transfere votos de 20% a 32% do eleitorado; o Datafolha, 30%. Outros institutos trabalham com índices modestos, até 12%. E há quem fale em apenas 6%. No momento, há número para todos os gostos e análises. Talvez, o real só se revele nas urnas.

O X da questão

Todos os pesquisadores estão debruçados sobre uma incógnita: a influência de Lula no eleitorado. Diante da força crescente e aparentemente inabalável do ex-presidente, medir e entender a potencia de transferência de votos se tornou crucial para definições estratégicas de partidos e candidatos, aliados e adversários, até nos Estados. Um exemplo de como Lula é o X das equações eleitorais é o caso do PSB, ainda sem posição nacional definida. A questão que importa ao partido: o apoio lulista pode levar à vitória os governadores Paulo Câmara (PE) e Márcio França (SP)? Se as pesquisas indicarem sim, o PSB fecha com o PT. Se não, tende a ficar neutro.

Raquel Faria

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.