18 de jul de 2018

Aspirina pode ajudar na prevenção ao mal de Alzheimer, diz estudo

Americanos descobriram que o remédio atua na remoção de placas tóxicas no cérebro
Um estudo desenvolvido por pesquisadores americanos constatou que tratamento com baixas doses de aspirina pode ser eficiente para enfrentar o mal de Alzheimer.

Para os pesquisadores, um dos principais fatores que determinam o prolongamento da doença é a perda da capacidade do organismo de remover placas formadas pela proteína tóxica beta amiloide do cérebro. A pesquisa notou a eficácia do medicamento na redução das placas em camundongos.

A constatação do estudo se deu a partir da estimulação da ação de um componente de células de animais que ajuda a limpar detritos celulares, os lisossomos, como explica Orestes Vicente Forlenza, professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Segundo ele, o resultado obtido pelos pesquisadores americanos traz uma nova ação biológica que nunca havia sido considerada para a aspirina, que é um composto farmacêutico antigo.

De acordo com ele, a associação entre a utilização de medicamentos anti-inflamatórios e a diminuição do risco de desenvolvimento da doença de Alzheimer é antiga. Uma constatação bem estabelecida é a de que pacientes reumáticos são menos propensos a desenvolver a doença por conta do uso constante de anti-inflamatórios.

A hipótese era de que os medicamentos atenuavam a inflamação no tecido cerebral causada pelos amiloides, e agora foi descoberto que o medicamento contribui também com mecanismos como a estimulação da ação dos lisossomos, quando administrada em doses baixas – cerca de 140 mg por dia.

No entanto, cautela e mais pesquisas são necessárias para trazer o achado laboratorial para a realidade humana. O professor alerta para a avaliação se o efeito biológico conseguido em camundongos geneticamente alterados pode ser desenvolvido com segurança em humanos e se representa um benefício clinicamente relevante. “A doença de Alzheimer é muito complexa. Não adianta imaginar que uma substância que vai atacar um problema específico vai resolver o todo. Não vai.”

A aspirina é usada desde 1899, e tem entre suas funções o tratamento de inflamação e prevenção cardiovascular. Os pacientes que já fazem uso do medicamento podem ter como benefício adicional a prevenção do Alzheimer, entretanto, Forlenza não acredita que o medicamento utilizado sozinho possa enfrentar a doença, a não ser se empregado décadas antes da manifestação da doença, agindo como forma de redução do risco, como acontece com alguns tipos de câncer.

No Paulopes

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