29 de jul de 2018

A venda da Justiça virou mordaça


Diz a coluna de Lauro Jardim, hoje, que “está sendo articulada no TSE uma solução para barrar a candidatura de Lula já para o dia 15 de agosto, quando ela for registrada”.

Com os juízes que temos e, sobretudo, pela certeza que estes têm de que a mídia aplaudirá qualquer atropelo, como aplaudiu Sérgio Moro mandar a polícia não cumprir uma ordem judicial, não se duvide que isso esteja sendo mesmo preparado.

Não é algo tão simples, entretanto,  dourar a pílula, mesmo nestes “tempos estranhos” -para usar a expressão do ministro Marco Aurelio Mello – em que ninguém se escandaliza com notas que dizem que, com Lula, inverte-se a regra de ouro processual, a de que casos de réu preso têm precedência.

Lula precisa “decantar” na prisão até o final do ano, diz-se na Folha,  porque algumas de suas excelências não querem que, mandando-o para casa, ele possa ao menos apoiar alguém nas eleições e que, soltando-o ainda em novembro ou dezembro “achariam” que ele foi mantido preso apenas para não fazer valer seu peso político.

“Achariam”, não é?

No caso do registro, porém, a manipulação dos prazos terá, necessariamente, de significar o estupro literal da lei eleitoral, que não prevê a possibilidade de que seja feito de oficio pela Justiça e fixa expressamente ritos e prazos para a negativa do registro, embora se possa crer tanto que existe possibilidade de uma decisão diferente quanto em que elefantes possam voar.

E, por isso, só por isso, é que não se pode descartar uma tentativa – a tentaçao já há – de recusar o registro de Lula  já na portaria do TSE, com argumentos de que “é porque é, porque eu quero que seja e não interessa o que você vai dizer“.

Assim mesmo, como um rufião do “inferninho” da política.

Evitar a livre manifestação eleitoral do povo brasileiro, ao que parece, virou a razão de existir do Judiciário.

E o que existe para negar uma realidade não tem outro destino senão, cedo ou tarde, ser destruído por ela.

Fernando Brito
No Tijolaço

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