2 de jun de 2018

Sem Parente, Petrobras continua uma empresa rica e forte

Jean-Paulo, na entrevista que deu à Globonews, quando sua fala ia ao ar
Como antecipei há alguns dias, inclusive em depoimento ao Jornal Nacional (que evidentemente não foi ao ar) e em diversas entrevistas a órgãos de imprensa nacionais e internacionais (que foram publicadas), o presidente da Petrobras, Pedro Parente, caiu.

Ao contrário do escarcéu que farão nas primeiras horas (para especular com isso, inclusive), não há NADA demais nisso. A Petrobras continua uma empresa de economia mista, rica e forte.

Pedro Parente pede demissão, mas ao Congresso caberá ainda investigar o processo insistente de importar diesel enquanto as refinarias ficavam ociosas, e as operações de compra. A CPI já contava com assinaturas suficientes ontem.

Ao mercado deve ser explicado que ações da Petrobras são de empresa com participação majoritária do Governo Brasileiro – se por um lado pode parecer uma limitação, por outro é uma vantagem. É uma empresa com vantagens que as demais, no mesmo mercado, não possuem – a saber: ser sócio da Petrobras significa ter, no Brasil, hegemonia na logística, maior market share, produção de cru próxima às suas próprias refinarias, dutos e terminais próprios, conhecimento e dados, reservas asseguradas no PreSal, preferência na escolha de áreas, mercado igualmente próximo e o fato de não falir!

Portanto, investidores que querem bombar em uma semana, invistem em startups, rising stars, empresas de gestão e mercados múltiplos ou em petroleiras globais. A ação da Petrobras é para investidores conservadores que procuram segurança e retorno regular bem definidas.

Alguém tem que voltar a colocar as coisas no seu devido lugar: o delírio de que a ação da Petrobras é como a da Shell ou da OGX tem que ser esclarecido! É uma empresa de economia MISTA, que o governo irá, sim, utilizar como instrumento de política setorial sempre que necessário. Do contrário, que se passe a preconizar diretamente a sua privatização – e que se arque com as consequências disso.

As vantagens de ser acionista da Petrobras estão vinculadas à performance do PIB e do Governo brasileiro. Esta ação sempre foi (e continuará sendo) “blue chip” mesmo sem preços oscilando na bomba em tempo real. O governo brasileiro é sócio majoritário e quem quiser ser sócio dele, seja. Quem não quiser, venda pois que sempre haverá quem queira, senão hoje, amanhã.

Jean-Paul Prates é consultor na área de energia.
No DCM



Nota sobre demissão e carta de despedida do Sr. Pedro Parente

PEDRO PARENTE saiu sem explicar porque a PETROBRÁS, sob seu comando, vinha praticando preços internacionais para os combustíveis, não obstante produzir e refinar petróleo no Brasil.

PEDRO PARENTE não explica porque tentou privatizar a PETROBRÁS DISTRIBUIDORA segunda maior empresa do BRASIL. Também não esclareceu a operação de venda da LIQUIGÁS, do setor GLP, vetada pelo CADE e a venda de mais de 2.000 km de gasodutos, com comprovados prejuízos para a companhia.

Construiu a ignorância sobre a PETROBRÁS e a deixa sem responder:

Por que manter preços no mercado interno acima dos internacionais, viabilizando a importação por concorrentes, enquanto a estatal perde participação no mercado e suas refinarias ficam ociosas?

Por que vender ativos valiosos, sem concorrência, em negociatas diretas, ao arrepio da lei, ao mesmo tempo em que a empresa mantém em caixa somas astronômicas, sempre superiores a US$ 20 bilhões?

Por que atender pleitos de fundos abutres americanos adiantando R$ 10 bilhões antes da conclusão do processo, ao mesmo tempo em que nega responsabilidade no déficit da Petros?

Por que atuou sempre no sentido de dar apoio aos que denegriam o nome da companhia divulgando falácias de que ela teria passado por problemas financeiros e nunca realçando a importância do pré-sal para a PETROBRÁS e o Brasil?

O demissionário mostra desprezo pela verdade ao afirmar na carta ao PRESIDENTE TEMER que “A empresa passava por graves dificuldades sem aporte de capital do tesouro, que na ocasião se mencionava ser indispensável e da ordem de dezenas de bilhões de reais”. Ao receber o comando como presidente encontrou caixa de R$ 100 bilhões, cerca de US$ 28 bilhões na época. O índice de liquidez corrente - acima de 1,50 - e a geração operacional de caixa superior aos US$ 25 bilhões por ano demonstram que a companhia tinha plenas condições de cumprir com seus compromissos.

O Sr. PARENTE derrete-se em elogios ao Conselho de Administração esquecendo-se que a contribuição mais expressiva e definitiva é a dos milhares de empregados.

“A PETROBRÁS é hoje uma empresa com reputação recuperada”, afirmação carregada de vaidade, jactância. A reputação da PETROBRÁS jamais foi abalada por práticas. CONDENAVEIS, REPULSIVAS DE POLÍTICOS CORRUPTOS, EMPRESÁRIOS DESONESTOS E BANDIDOS QUE NÃO SOUBERAM HONRAR A CAMISA DA PETROBRÁS.

PEDRO PARENTE finge desconhecer os graves equívocos no plano de negócios e gestão/planejamento estratégico, elaborado por sua orientação, vendendo gasodutos e termelétricas, ativos que monetizam e agregam valor ao gás natural, sabidamente combustível de transição para uma economia mais limpa. Retirando a companhia da Petroquímica, renunciando à produção de Biocombustíveis, etanol e biodiesel, abandonando empreendimentos do Refino e da produção de Fertilizantes. Decisões que já resultam em prejuízo na geração operacional de caixa e comprometem a segurança energética e alimentar do País.

Quanto à afirmação de que “me parece assim, que as bases de uma trajetória virtuosa para a PETROBRÁS estão lançadas”, nada mais falso. Em apenas dois anos PEDRO PARENTE vendeu, em processo tortuoso, marcado por muitos questionamentos na justiça, dezenas de bilhões, em ativos rentáveis, estratégicos, desintegrando a companhia.

Ao afirmar que “a política de preços da PETROBRÁS, sob intenso questionamento”, mais uma vez sofisma, tergiversa. A PETROBRÁS jamais praticou esta política. PARENTE deveria classificá-la como política da gestão PARENTE. Perversa, desastrada, entreguista. Ela só beneficia aos refinadores estrangeiros, “traders” multinacionais e importadores concorrentes da PETROBRÁS. Acarreta gastos desnecessários, de bilhões de dólares, impactando o balanço de pagamentos. Mantém ociosas nossas refinarias. Traz de volta o carvão e a lenha, formas rudimentares de energia, devido aos escorchantes preços do GLP. Arranha a imagem da PETROBRÁS. Política de PARENTE e não da PETROBRÁS.

O missivista é um arrivista na indústria do petróleo. Parte. Não deixa saudades para os PETROLEIROS. Talvez para os grupos estrangeiros, especuladores e oportunistas, ávidos pelo controle dos ativos da PETROBRÁS, vendidos a preços de fim de feira.

A mensagem de PARENTE, alinhada com a histeria de certos segmentos do “MERCADO” é uma condenação absurda e maliciosa da política. A PETROBRÁS é uma ESTATAL, sociedade de economia mista, pertence ao povo brasileiro. Tem uma missão que não se esgota no pagamento de dividendos. O MERCADO DE AÇÕES pode ser importante para os especuladores. Muito mais importante para a nossa PETROBRÁS é a SOBERANIA NACIONAL. São as contribuições da PETROBRÁS para o desenvolvimento econômico, social e tecnológico do BRASIL. Sua segurança energética. É preciso adotar a boa Política. Ela ainda é praticada por alguns. Estes podem ajudar a PETROBRÁS a cumprir sua nobre missão. Dos politiqueiros, dos que alugam os mandatos, dos que conquistam o poder por usurpação, e ou fraudes, os PETROLEIROS com os BRASILEIROS querem distância.

Queremos livrar a PETROBRÁS da herança deixada por PEDRO PARENTE, sua POLÍTICA DE PREÇOS antinacional e seu PLANO DE NEGÓCIOSentreguista e privatista.

Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), 01/06/2018

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.