13 de jun de 2018

O combate às Fake News e a criminalização da mídia alternativa


É clara a crise que a imprensa de massa, a mídia tradicional oligopolista está passando. Crise essa de credibilidade e financeira. Em 2018, o termo fake news passou a ser a nova moda do momento e por conta do ano de eleições e todo o clima que sempre é criado nessa época favoreceu e fermentou o termo.

Desde as eleições dos EUA em 2015, os grandes jornais captaram o fenômeno das fake news, que ocorre especialmente nas redes sociais. Como esses eventos têm recebido atenção especial, obviamente que não demoraria muito para esses veículos encabeçarem e a "oficializarem" o combate às notícias falsas, monopolizando o filtro para detecção das notícias falsas, de acordo única e exclusivamente a sua ótica e a sua definição.

Dessa forma, qualquer que fosse a notícia, apenas jornais como Estadão, Folha e Globo, por exemplo, poderiam dar o veredito sobre a veracidade ou a falsidade das informações divulgadas. Ainda que esses mesmos jornais sejam notórios pela sua tergiversação e manipulação das notícias. É ainda irônico saber que, bem recentemente, o MBL acusou o Facebook de usar profissionais da imprensa "esquerdista", leia-se a Folha (!), para auxiliar na detecção e anulação das fake news.

A consequência direta dessa exclusividade da mídia de massa, é que todos os veículos que eventualmente estivessem fora de sua linha ideológica, ainda que prezassem pelo fact checking e tivessem profissionais sérios em seu comando, seriam tachados de propagadores de fake news.

E isso ficou muito claro com todo esse imbróglio acerca do terço enviado a Lula por um emissário do Vaticano. A agência de checagem de Lupa, criada em 2016, no auge do burburinho das eleições norte-americanas, não se retratou acerca do evento ocorrido envolvendo Lula e preferiu o silêncio a se desculpar pela falha.

Esse fato demonstra que não foi feito o mínimo para averiguar se a notícia era mesmo falsa ou não. O fact checking feito pela Lupa foi meramente basear a sua resposta em uma nota de um site do Vaticano. Parece que nem um telefonema ou uma mensagem de whatsapp para uma fonte segura por parte da agência foi feita. E, no afã de condenar a imprensa de esquerda, acusaram o Brasil 247 e a Revista Fórum de propagarem notícias falsas sem de fato o fazerem, e quando na verdade o próprio site UOL, veículo detentor da agência, foi o primeiro a divulgar sobre a entrega do terço ao ex-presidente Lula.

O cuidado agora deve ser redobrado: com o poder de "oficialização" da imprensa de massa, os veículos da imprensa alternativa passarão a ser alvo de denúncias inverídicas sobre propagação de notícias falsas, pelo simples fato de não atenderem aos seus preceitos ideológicos.

Cintra Beutler
No GGN

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