27 de jun de 2018

O Cachorrinho Apanhou do Sub

Há poucos anos, o Brasil era visto como um país exemplar no combate à miséria e à fome. Éramos admirados por nossa política externa altiva e ativa, que projetava nossos interesses por todo o mundo. Realizamos parcerias estratégicas com países emergentes, fortalecemos a integração regional e nos reaproximamos de regiões do globo das quais estávamos afastados, como África e Oriente Médio.

De quebra, fizemos vultosos superávits comerciais, que construíram as reservas que permitiram a superação da vulnerabilidade externa da nossa economia e nos tornaram credores internacionais, inclusive do FMI. As reservas que impedem o Golpe de falir o Brasil.

Lula era “o Cara”, segundo Obama, e nosso chanceler, Celso Amorim, chegou a ser denominado como o melhor chanceler do mundo, por revistas especializadas em relações internacionais.

Contudo, desde o Golpe, o Brasil se transformou num anão diplomático sem qualquer relevância, que não desperta o respeito de ninguém.

O Golpe fez a opção de retroceder a uma política externa passiva e submissa, que nos colocou na órbita estratégica dos EUA. O Golpe fez a opção de tornar o Brasil um cão vira-lata.

Como um submisso cachorrinho, o Brasil fez de tudo para agradar seu novo dono. Sob a direção do Golpe, o Brasil fez da perseguição à Venezuela sua grande obsessão em política externa. Agindo como capitão-do-mato do Império, suspendeu-a do Mercosul, sob ameaças ao Uruguai, que não concordava com a manobra, e contra os interesses nacionais, já que lucrávamos muito com nossa relação com aquele país. O golpe também assestou outro duro golpe contra a integração regional ao se retirar da Unasul, por ela não concordar com uma suspensão da Venezuela.

No plano multilateral, diminuímos nossa participação no BRICS e passamos a desinvestir em nosso protagonismo na África e no Oriente Médio. O Golpe fez a opção consciente de apequenar o Brasil.

Em contrapartida, o governo do Golpe anunciou seu novo grande trunfo para comprometer-se internacionalmente com a agenda neoliberal e com os interesses norte-americanos: aderir à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Clube dos Ricos. Nada de se juntar com países em desenvolvimento, o negócio agora é comer as migalhas que os ricos deixam cair. O problema é que a OCDE, liderada pelos EUA, não querem deixar o Brasil entrar.

Assim, desde o seu início, o Golpe vem tentando desconstruir toda a política externa altiva e ativa que era desenvolvida pelos governos progressistas. Ela foi substituída por uma política externa passiva e submissa, que se esmera em sabotar a integração regional, a cooperação Sul-Sul, a participação do Brasil no BRICS e todas as outras vertentes que elevaram o protagonismo internacional do Brasil a patamares nunca antes alcançados. A prioridade, agora, é a relação assimétrica com EUA e seus aliados e a integração do Brasil às “cadeias mundiais de valor” como produtor de commodities e maquilador de bens industriais, tal qual o México. Não bastasse, o Golpe vende nosso patrimônio, inclusive o pré-sal, a preços de ocasião. Desmonta a Petrobras, exporta óleo cru e importa derivados dos EUA.

Dada essa disciplinada subserviência, o governo do Golpe esperava algum reconhecimento, por parte do governo do EUA. Quem sabe algum afago, algumas palmadinhas na cabeça abaixada.

Nada disso. O sub Pence visitou-nos para nos esculachar. Sequer se preocupou em respeitar a prática diplomática universal de fazer cobranças em privado e elogios em público. Não. Num discurso inacreditável, feito em pleno Palácio do Itamaraty, em plena casa do Rio Branco, o sub esfregou na cara de Temer uma ação mais efetiva contra a Venezuela. Com mais de 50 crianças brasileiras presas em masmorras norte-americanas, sequer teve a decência de se desculpar pela prática nazista. Ao contrário, fez ameaças claras contra países que não respeitam as fronteiras dos EUA.

O governo do Golpe absorveu o esculacho em solo pátrio com a resignação de vira-lata chutado. Não emitiu sequer um ganido. Calou-se, assim como se calou ante a agressão inominável contra crianças latino-americanas e brasileiras. Sequer falou fininho, como dizia Chico Buarque. Simplesmente não falou. Patético.

O destino dos vira-latas é triste. Quanto mais submissos, mais apanham. Levam surra em público até de subs.

Marcelo Zero

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