5 de jun de 2018

Nem Copa nem eleições: nada é capaz de despertar o interesse dos brasileiros

https://www.balaiodokotscho.com.br/2018/06/05/nem-copa-nem-eleicoes-nada-e-capaz-de-despertar-interesse-dos-braisleiros/
“O Brasil está embalsamado” 
(sociólogo Paulo Delgado, ex-deputado federal do PT-MG)
A apenas nove dias do início da Copa do Mundo e a quatro meses das eleições gerais, nada parece despertar o interesse dos brasileiros.

Nas ruas, nos carros, nas casas não há sinais de estarmos tão próximos destes grandes eventos que em outras épocas mobilizavam a população.

Mais preocupados com a própria sobrevivência, os torcedores da pátria de chuteiras desta vez não estão se enfeitando para acompanhar os jogos da seleção.

Se nem o futebol é capaz de tirar o país da pasmaceira generalizada, a campanha eleitoral muito menos.

Mais da metade da população ainda não sabe em quem votar e o candidato “Ninguém” continua liderando as pesquisas sem Lula.

Só o suspense em torno do dedinho do pé direito de Neymar alimenta o noticiário da seleção brasileira.

Com apenas três entre os 23 convocados atuando em campos brasileiros, a seleção perdeu sua identificação com a torcida.

Muitos nem conhecem alguns dos jogadores da seleção que foram embora do país muito cedo e fizeram as suas carreiras lá fora.

Da mesma forma, os candidatos até aqui lançados não conseguem empolgar o eleitorado. São personagens irrelevantes de um circo mambembe com a lona furada.

Até mesmo nas redes sociais, o Fla-Flu da política foi perdendo espaço para efemérides familiares, encontros de amigos e bizarrices, um festival de abobrinhas que só interessam a quem as publica.

Não sei se isso se deve à mudança dos algoritmos do Facebook para combater as fake-news ou se os dois lados em que o país está dividido desde 2014 se cansaram da guerra e recolheram as armas.

O fato concreto é que nos botecos e nas quebradas ouço mais conversas sobre festas juninas e planos de férias do que acalorados debates sobre política e futebol.

Vivemos um gradativo processo de alienação, como se as pessoas quisessem fugir da dura realidade que as cerca.

Enquanto isso, em Brasília, vive-se um clima de velório com defunto vivo, com os parlamentares já se preparando para entrar em recesso e só voltar ao batente depois das eleições.

O que sobrou deste agonizante governo golpista, cercado de denúncias por todos os lados, bate cabeça para descobrir de onde tirar dinheiro para cobrir os subsídios concedidos aos caminhoneiros.

E Sergio Moro, o “herói” dos patos amarelos do impeachment, que agora têm vergonha de usar a camisa oficial da CBF, continua em vilegiatura pelo mundo recebendo homenagens pelos bons serviços prestados para tirar Lula da campanha. Esta semana foi visto no Principado de Mônaco, tudo muito chique.

Nem Gabriel Garcia Márquez seria capaz de criar uma história tão inverosímel e tragicômica baseada em fatos reais.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho

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