22 de jun de 2018

Morte de adolescente na Maré marca os 100 dias sem Marielle


Mais um adolescente morreu durante operação das forças de segurança no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. O estudante Marcos Vinícius da Silva, de 14 anos, faleceu na última quarta-feira, após ser baleado pelas costas.

“A culpa é desse Estados doente, que está matando as nossas crianças com roupa de escola”, disse a mãe do estudante, a trabalhadora doméstica Bruna Silva, que responsabilizou a polícia pela morte do filho. “’Mãe, eu sei quem atirou em mim. Foi o blindado, mãe. Ele não me viu com a roupa de escola”, disse Marcos à mãe, ainda lúcido mesmo depois de baleado.

Bruna comentou ainda sobre a violência das operações realizadas no Complexo da Maré: “Dizem que minha comunidade é violenta. Mas a minha comunidade não é violenta, ela é muito boa. É a operação que, quando vai lá, vai com muita truculência”.

Marcos Vinícius foi baleado quando voltava da escola, vestia uniforme e estava de mochila, durante operação policial que contou com policiais militares, civis e soldados do Exército. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, é possível ver helicópteros da Polícia Civil sobrevoando a comunidade, e ouvir o disparo de tiros. A operação resultou na morte de mais seis rapazes.

“Quantos jovens precisarão morrer para que essa guerra aos pobres acabe?”

A morte aconteceu dois dias antes da morte de Marielle Franco e Anderson Gomes completar 100 dias, que ainda não foi solucionada. Marielle, vereadora eleita pelo PSOL no Rio de Janeiro, era crítica da intervenção militar no Rio de Janeiro. Militava na Câmara e junto a movimentos sociais em relação à segurança pública e a abordagem policial nas comunidades cariocas. “Quantos jovens precisarão morrer para que essa guerra aos pobres acabe?”, disse ela, poucos dias antes de ser assassinada, na ocasião da morte de um jovem pela polícia militar em Manguinhos, zona norte do Rio.

A intervenção militar no Rio de Janeiro completou quatro meses no último dia 16. De acordo com o Observatório da Intervenção, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), entre os meses de fevereiro e maio, foram 444 pessoas mortas pela polícia. Também foram protocoladas junto ao DefezApp, organização que fiscaliza a violência de Estado, 25 denúncias de violações, entre elas execução, agressão física, cerceamento do direito de ir e vir, abuso de poder e excesso do uso da força. Desde o início da intervenção, também morreram 38 policiais e um militar.

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