3 de jun de 2018

Militares, corrupção e os coxinhas insanos

Contaminados pela mídia golpista com sua escandalização da política, setores da classe “mérdia” saíram às ruas para exigir o “Fora Dilma”. Vestidos com as camisetas da “ética” CBF e portando os patinhos da Fiesp, eles ajudaram a alçar ao poder a quadrilha de Michel Temer. A promessa de que a vida melhoria de forma “instantânea”, como bravateou o escravocrata Flávio Rocha, dono da Riachuelo, não vingou e muitos até estão arrependidos – como atestou recente matéria da revista Época. Agora, pendurados na brocha, esses “midiotas” voltam às ruas para exigir “intervenção militar”. Trocam a camiseta amarela pela farda. Durante a greve dos caminhoneiros, que atestou o colapso do covil golpista, alguns “coxinhas” ergueram faixas e fizeram atos diante de quartéis.

Patéticos e idiotas, eles parecem desconhecer que não haveria manifestações públicas em uma ditadura. Questionados sobre sua proposta insana, eles juram que os militares no poder eliminariam a corrupção no país. Ao invés de rosnar seu ódio, esta turma devia estudar história. Vários livros e reportagens comprovam que houve muita roubalheira durante a ditadura militar no Brasil. Ela só não teve maior repercussão porque a mídia estava censurada – ou era cúmplice dos generais. Muitos dos que denunciaram a corrupção foram presos, torturados ou mortos. Matéria da Folha deste sábado (2) revela apenas uma parte desta sinistra história.

Segundo a reportagem, assinada por Daniel Buarque, “documentos confidenciais históricos do governo do Reino Unido revelam que a ditadura brasileira atuou para abafar uma investigação de corrupção na compra de fragatas (navios de escolta) construídas pelos britânicos nos anos 1970. Os fatos narrados nos papéis ocorreram durante os governos dos generais Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e Ernesto Geisel (1974-1979). Segundo os registros, em 1978 o Reino Unido estava disposto a investigar denúncia de superfaturamento na compra de equipamentos para a construção dos navios vendidos ao Brasil e se ofereceu para pagar indenização de pelo menos 500 mil libras ao Brasil (o equivalente a quase 3 milhões de libras hoje – ou R$ 15 milhões)”.

“Em vez de permitir o inquérito que seria do interesse do Brasil, o regime militar abriu mão de receber o valor e rejeitou os pedidos britânicos para ajudar na investigação – que foi recebido com estranheza em Londres. ‘Os brasileiros claramente desejaram manter o assunto de forma discreta’, diz um dos documentos. ‘É evidente que não gostariam que mandássemos um time de investigadores e não iriam colaborar com um, se ele fosse. O embaixador concluiu que o risco de sérias dificuldades com as autoridades brasileiras, o que poderia ser levantado por uma investigação, não deve ser assumido’, diz outro trecho dos despachos diplomáticos a que a Folha teve acesso”.

“Há um mistério até hoje não resolvido, e só agora revelado. Por que, diante de uma investigação detalhada ao Brasil, o governo brasileiro resolveu não apenas impedir a vinda de autoridades britânicas, como não quis o dinheiro que tinha líquido e certo para receber?”, questiona o pesquisador brasileiro João Roberto Martins Filho, responsável pela descoberta dos documentos. Martins Filho é professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e desenvolveu sua pesquisa nos arquivos da diplomacia britânica sobre a ditadura brasileira durante o período no King’s College de Londres”.

No clima de insanidade que tomou conta do país, alguns coxinhas mais tacanhos devem achar que a matéria da Folha é coisa de comunista e que o professor citado é um esquerdista. Eles seguiram rosnando pela “intervenção militar”. Topam até umas sessões de tortura, com pau de arará e choques elétricos. Haja imbecilidade!

Altamiro Borges

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