16 de jun de 2018

Membros da equipe econômica de Bolsonaro são ultraliberais e dois deles já se envolveram em escândalos de corrupção

Todos eles defendem as reformas de Temer e as privatizações. Um deles, Sachsida, é um ativista político e mantém um canal no Youtube


O colunista do jornal O Globo Lauro Jardim divulga numa pequena nota qual será a equipe econômica que  o pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro deve anunciar nos próximos dias. Fórum pesquisou o histórico de todos os citados e traz em primeira mão um perfil dos economistas. Todos são ultraliberais. Um deles defende a Escola Sem Partido e dois foram acusados de corrupção. Saiba quem são eles.

Adolfo Sachsida

Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Adolfo Sachsida é apontado como o conselheiro de economia de Jair Bolsonaro. Segundo o Ipea, ele é doutor em economia pela Universidade de Brasília e concluiu seu pós-doutorado na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, além de ter sido consultor do Banco Mundial para a Angola.

Embora seja economista, Sachsida é um ativista político. Mantém um canal no Youtube, onde há vídeos em defesa do Escola sem Partido, com elogios às reformas do governo Temer e comemora a prisão do ex-presidente Lula. Em um dos vídeos mais vistos, ele diz que Hitler era de esquerda. Filiado ao DEM, o pesquisador concorreu a deputado distrital nas eleições de 2014.

Em julho do ano passado, Mendonça Filho, ministro da Educação, o nomeou como assessor especial da pasta, mas desistiu uma dia depois com a revelação de postagens de Sachsida nas redes sociais em defesa do movimento Escola sem Partido.

Em um de seus artigos, ele defende prender mais “bandidos” como política de segurança pública. Vale lembrar que o Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo.

Rubem Novaes

Rubem de Freitas Novaes foi diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), presidente do Sebrae e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV). Tem PhD em Economia pela Universidade de Chicago, nos EUA. Neoliberal, é um defensor das reformas de Temer. Membro do Instituto Millenium, em 2015, já escreveu artigo defendendo a privatização da Petrobras.

É citado no caso Marka-FonteCindam, escândalo financeiro na crise cambial deflagrada em janeiro de 1999 (início do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso). O economista foi apontado como suposto intermediário de um esquema de vazamento de informações privilegiadas para o mercado. Negou tudo, mas, depois, em depoimentos, confirmou suas ligações com Cacciola.

A juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, decidiu declarar os crimes prescritos, em 2016, alegando que já tinham se passado mais de oito anos da última condenação, em 2005. O processo tinha cerca de cem volumes e teria causado um prejuízo ao governo federal de US$ 1,5 bilhão. Os principais acusados receberam, inicialmente, penas de 10 a 12 anos, mas só o banqueiro Salvatore Cacciola, ex-dono do Marka, ficou pouco mais de três anos preso porque havia fugido e, em decorrência disso, perdera direito aos benefícios legais. Os demais condenados jamais cumpriram um só dia da pena.

Marcos Cintra

Defensor do imposto único. Cintra é integrante do governo do presidente Michel Temer. Ele preside a Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa (Finep) desde 2016 – vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, cujo ministro é Gilberto Kassab. Também é membro do Instituto Millenium, onde publica artigos em defesa da redução de impostos.

Foi secretário do Planejamento, Privatização e Parceria do Município de São Paulo em 1993, na gestão de Paulo Maluf. Em 1998, foi eleito deputado federal pelo PL de São Paulo. Em fevereiro de 2013, o economista filia-se ao PRB, e assume o comando do partido em São Paulo.

Em 2011, quando era secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho, em São Paulo, foi um dos principais entusiastas da venda de um terreno avaliado em até R$ 200 milhões no Itaim Bibi, na capital paulista, onde funcionavam creches e outros serviços públicos. Para avaliar o terreno de 20 mil m², ele contratou a incorporadora JHSF – que tinha interesse na compra e que tinha a sua, Luiza Cintra, como funcionária.

Além disso, a empresa foi responsável pela construção de uma mansão para Cintra, no interior de São Paulo. A casa de cinema em Porto Feliz tinha nove suítes e 7000 metros quadrados de área útil. Em 2014, reportagem da Época dizia que a casa estava à venda.

Roberto Castello Branco

Doutor em Economia pela FGV EPGE e Post Doctoral Fellow in Economics, Departamento de Economia da Universidade de Chicago. Foi Professor da EPGE/FGV, Presidente Executivo do IBMEC, Diretor do Banco Central do Brasil, Diretor Executivo de instituições financeiras e Diretor e Economista Chefe da Vale S.A.. Participou do Conselho Diretor de várias entidades de classe ligadas ao mercado de capitais, mineração, comércio internacional e investimento direto estrangeiro, além de ter sido membro do Conselho Curador da Fundação Getúlio Vargas.

Defendeu o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff. Na época, disse que “a presidente era fraca”. Também defende as privatizações e as reforma do governo Temer.

Abraham Weintraub e Arthur Weintraub

No dia 13 de novembro do ano passado, Jair Bolsonaro lançou em sua página do Facebook uma nota defendendo um Banco Central independente assinada pelo professor da Unifesp e de seu irmão Arthur Weintraub. Abraham (foto) é ex-diretor da corretora do Banco Votorantim, de São Paulo, é professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e mestre em Administração na área de Finanças pela Faculdade Getúlio Vargas. Arthur é professor de Direito Previdenciário e de Direito Atuarial da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Graduado em Direito pela USP, mestre e doutor em Direito Previdenciário pela USP.

Dias depois da nota, estudantes dos centros acadêmicos de Economia e Relações Internacionais e do diretório acadêmico XIV de março lançaram posicionamento público em desagravo ao apoio dos professores ao candidato à presidência do PSC.

Os dois professores responderam à nota dos estudantes em tom jocoso e desvirtuam o conteúdo do debate afirmando que os alunos de economia “puxam a média do campus para baixo” e que “esperam ansiosamente pela ditadura do proletariado”. Depois do ocorrido, estudantes afirmam que estão recebendo ameaças de seguidores do deputado.

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