17 de jun de 2018

Mascu atira contra desconhecida na rua e se mata


Mais uma prova de como mascus podem ser perigosos e de que machismo mata

 

Sexta à noite em Penápolis (cidade próxima a Araçatuba, em SP) um rapaz de 29 anos chamado André Luiz Gil Garcia atirou contra uma moça de 27 anos que ele nunca tinha visto antes. Ela e uma amiga estavam sentadas em um banco próximo ao camelódromo, numa das principais avenidas da cidade, quando André passou a assediá-las. Assustadas, elas se levantaram e foram embora depressa. Ele continuou perseguindo, pedindo para uma delas sair com ele. Diante da negativa, o covarde atirou nela pelas costas, na nuca, com uma garrucha calibre 32. A amiga conseguiu fugir. A vítima foi levada ao hospital em estado grave, já passou por cirurgia, e com sorte irá sobreviver, quase certo com sequelas.

 

Depois de atirar, André saiu correndo a pé pelas ruas e foi encontrado por uma viatura da Polícia Militar. E então se matou, atirando contra o próprio peito. 


Por que estou escrevendo sobre isso? Como sei que esse cara que cometeu tal crime é um mascu?
O recado de André no Dogolachan na sexta
Porque na sexta mesmo André escreveu no chan de Marcelo Valle Silveira Mello (preso pela Operação Bravata desde o dia 10 de maio), o Dogolachan, que iria se matar, que sua vida não valia a pena. 


Como é de costume em todos os chans, sempre que aparece alguém dizendo que vai se matar, os outros respondem, quase em coro: "Leve a escória junto". Em outras palavras: antes de se suicidar, vire um herói. Mate mulheres, homossexuais, e negros. Só depois se mate.


Foi isso que fez um dos heróis dos mascus, Wellington, no massacre de Realengo, no Rio, em março de 2011. Ele entrou na escola em que havia estudado anos antes e matou dez meninas e dois meninos. Era um mascu, frequentava fóruns mascus, e foi influenciado por eles a cometer o "acto sancto". 


André conhecia muito bem a história, já que ele se autointitulava Kyo (às vezes Fuego Sancto, às vezes Kyo El Fuego Sancto) e era um mascu já naquela época. Kyo me ameaçava de morte desde então. 


 

Ameaçava várias outras mulheres também, como a filha da cantora Simony e a neta de 3 anos de Monique Evans, mas nunca foi preso (também fez uma página racista para "apoiar" a torcedora racista do Grêmio, e foi autor de uma página horrível chamada "Eu não mereço mulher preta", iniciada por seu ex-comparsa Gustavo Guerra, que está internado em manicômio). Kyo conseguia escapar ileso, pois era mais cuidadoso que os outros membros da quadrilha — não revelava o nome real ou seu rosto.

Alguns dos vídeos que Kyo/André fez
Quando Emerson e Marcelo foram presos pela Operação Intolerância, em março de 2012, Kyo continuou o site de ódio deles por um tempo. Ele tinha a senha. 

 

Kyo permaneceu incógnito até 2015, quando fez algo muito comum entre aqueles acostumados a não conquistar qualquer afeto feminino: se apaixonou por J., uma moça depressiva, neonazista como ele, que lhe deu o mínimo de atenção. Ele conseguiu enganá-la, passando o nome de um tal de Bryan de São Bernardo do Campo como se fosse dele (J. me enviou todos os dados num email do início de 2016, que repassei à PF). Mas ao menos Kyo revelou o rosto. Fez vários vídeos misóginos com a sua cara, a sua voz. Não era mais um anônimo. 

Tiro na nuca
Os mascus riram dele ao saber que ele quebrou o anonimato por causa de J. Foi chamado de "mangina" (misto de man e vagina, que alguns mascus brasileiros traduzem como escravoceta). Foi humilhado inúmeras vezes no chan do Marcelo — que Kyo moderou durante vários anos, entre 2013 e 2016 (ele brigou brevemente com Marcelo, abriu seu próprio chan, e ano passado voltou a moderar o Dogolachan). 

Boletim de ocorrência que Gustavo fez em 2017 contra Marcelo e André
Kyo, que morava com os pais e não estudava nem trabalhava (algo recorrente entre mascus), salvo alguns bicos como ajudante de pedreiro, usava seu vasto tempo ocioso para planejar publicamente a morte de J. e falar de suicídio. Assim que Marcelo foi preso, um mês atrás, Kyo sumiu. Reapareceu ontem para avisar que iria se matar. Disse que eu tinha sorte que ele não conseguiria vir até Fortaleza para atirar em mim. 


Vários se ofereceram para pagar a passagem. Mas acho que, no fundo, ninguém achava que ele iria cumprir o plano de se suicidar. Os mascus nem sabiam que ele tinha uma arma.
Ameaças no chan também ao juiz que está mantendo Marcelo (Psy) na prisão
Kyo provavelmente temia ser preso também. Eu estava surpresa que, entre os oito mandados de busca e apreensão da Operação Bravata em 10 de maio, nenhum foi para Kyo. Ele, além de moderador do Dogolachan, era um dos covardes ideais para confirmar todos os podres do líder Marcelo. 


Se Kyo/André tivesse sido preso, é bem possível que a moça em quem ele atirou não passaria por isso. E talvez ele estivesse vivo. 


Espero que a PF agilize os processos e prenda os outros membros da quadrilha. É fundamental que Marcelo continue preso (por muitos anos), mas os outros mascus também podem ser perigosos, como estamos vendo no caso do Kyo. 

Goec dizendo que sente-se culpado pela morte de Kyo e que irá se matar também, não sem antes cometer atentado
Que fique a lição para os reaças que tanto pedem a liberação de armas. É o que mascus mais querem na vida, porque assim poderiam cometer mais atentados.


Aliás, é duro entender como espaços tão tóxicos como os chans, que servem para planejar e incitar massacres e anunciar suicídios, além de espalhar todo tipo de pedofilia, racismo, misoginia e LGBTfobia, permaneçam abertos. 


Torço para que os mascus se deem conta que a vida de ódio que eles escolheram seguir só leva a mais tristeza, à prisão e às vezes à morte. Quase sempre, eles são as principais vítimas do ódio deles. Fica o desejo sincero para que parem de cultuar símbolos do fracasso e saiam dessa enquanto há tempo.

Lola Aronovich
No Escreva Lola Escreva

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